Uma vida entre cavalos, amizade e tradição
Conheça a história de Moacir Machado, o popular Boiadeiro, que também se destaca pelas cavalgadas organizadas em Pomerode e nas participações na região
Foto: Isadora Brehmer / JP
No trote dos cascos, existe uma paixão que moldou a alma de um morador de Pomerode desde os seus cinco anos de idade. Moacir Machado, carinhosamente conhecido como Boiadeiro, tem 14 animais sob seus cuidados e um rancho ativo há quase duas décadas, Moacir não apenas vive entre cavalos, ele vive pelos cavalos.
“Eu me criei no lombo do cavalo. Meu avô era um capataz de fazenda e sempre me colocava em cima do cavalo, desde que eu era menino, e me levava pelas trilhas”, afirma com orgulho. Nascido em Lages, Moacir aprendeu desde cedo sobre cuidado com os cavalos e, desta forma, o amor pelos animais foi se desenvolvendo. Segundo o Boiadeiro, a relação com os animais não era de dominação, mas de cumplicidade. “Eu não tenho o dom de domar. Eu ganho o cavalo na amizade, não na brutalidade”, explica.
A trajetória de Moacir também passou pelas pistas de corrida. Durante anos, atuou como jockey até que precisou se afastar das competições. Mas mesmo longe das corridas, nunca se afastou dos animais e mesmo quando parou de montar, passou a se dedicar ao cuidado com os animais.
Há 32 anos em Pomerode, Moacir chegou para trabalhar com um criador da cidade e cuidar dos cavalos dele. Depois, conheceu um outro amigo de longa data e passou a ajudar nos cuidados com os cavalos deles, tendo ranchos e diferentes locais, até chegarem a um terreno na Rua dos Atiradores, onde fincou raízes definitivas.
Hoje, o Rancho MM (Martins & Machado) é um reduto de tradição, lazer familiar e amor pelos animais. Batizado em homenagem ao seu nome de família e a um amigo de longa data, o Rancho é hoje um centro de convivência familiar e cultural. “O objetivo aqui é a família, o lazer dos meus filhos, netos, e também da família de um amigo que me ajuda sempre aqui no rancho”, diz Moacir. Aos fins de semana, dezenas de crianças correm, riem e aprendem a montar, já que o Rancho também oferece o lazer junto aos cavalos para visitantes, que podem curtir momentos em família, junto aos animais;
Todos os dias às 4h30min, Moacir já inicia a sua rotina para tratar os animais, limpar os espaços e manter vivo o que aprendeu com os antigos: respeito, disciplina e afeto. Desta forma, mantém uma cultura cada vez mais escassa, a da criação dos cavalos.

A égua Isadora é a fiel companheira de Moacir em boa parte das cavalgadas. (Foto: Isadora Brehmer / JP)
Cavalgadas: o reencontro com os amigos e a memória afetiva
Um dos pontos altos da rotina de Moacir são as cavalgadas. Ao longo do ano, ele organiza duas oficiais: a de abertura e a de encerramento, junto de seu grupo. A maior que já conduziu reuniu 150 pessoas. Em eventos regionais, como em Benedito Novo, realizado no mês de maio, chegou a levar 18 cavaleiros só do rancho, numa festa que totalizou mais de 300 participantes.
“O que me faz continuar é o convívio com os amigos. Tem gente que eu reencontro só nessas cavalgadas, depois de 10 anos. É ótimo poder rever amigos, relembrar histórias e criar novas memórias, com pessoas que também tem essa paixão pelos cavalos”, declara.
Hoje, todos os três filhos e quatro netos de Moacir também montam a cavalo. “Para mim, manter o rancho é uma semente plantada não só para manter a tradição, mas para ensinar valores aos mais novos. Por isso, também recebemos visitantes e oferecemos os passeios a cavalo, especialmente para as crianças, que adoram poder ter este contato com os animais, sempre com todo o cuidado e supervisão. Além disso, fico muito contente em ver o quanto os pais ficam emocionados ao ver a alegria dos filhos. Isso não tem preço”, comenta.
Para “Boiadeiro”, a lida com animais é uma escola de paciência, coragem e persistência. “Recentemente, adquiri um cavalo que era considerado ‘impossível de lidar’. Mas com paciência, cuidado e carinho, em poucos dias já conseguimos avanços que o antigo dono não conseguia. Então posso dizer que é o desafio que me move. E eu gosto de novos desafios”, confessa com um sorriso.
Moacir Machado, o Boiadeiro, é mais do que um apaixonado por cavalos. Ele é um símbolo vivo de uma cultura rural que resiste, de uma forma de vida pautada na simplicidade, no companheirismo e no amor pelos animais.
“Eu vou continuar enquanto puder. Mas tem que ter sangue no olho. E tem que ter dom, além do amor e do carinho pelo que é feito. Os cavalos são parte importante da minha vida, eu adoro cada momento que posso passar com eles e é também uma terapia, que me faz muito bem”, encerra.
