Esporte

Uma vida de amizades e memórias, cavalgando pela região

Conheça a história do Grupo Pé no Estribo, de Pomerode, que reúne amigos apaixonados por cavalos e pelas experiências vividas com os animais

11 de maio de 2024

Alessandro com sua égua, Alegria do Velho Cinceiro. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

O amor pela companhia dos cavalos e a vontade de conhecer novos lugares foi que o uniu os integrantes do Grupo de Cavaleiros Pé no Estribo de Pomerode, que completa 22 anos em 2024.

Inicialmente, o grupo foi criado por quatro amigos, Alessandro Engel, Denis Piske, Cláudio Grümm e Peter Brus, que se reuniram para ir até o município de Rio Negrinho, a cavalo, após convite feito por conhecidos que residem na cidade do Norte do Estado.

“Saímos daqui de Pomerode, ficamos por quatro dias andando e, durante as conversas nesta cavalgada, surgiu a ideia de formarmos um grupo. Após decidirmos criar o grupo, pensamos em que nome poderíamos dar a ele, e então surgiu a ideia do ‘Pé no Estribo’, pois sempre que subimos no cavalo, precisamos colocar o pé no estribo”, conta Alessandro Engel, um dos criadores do grupo.

Hoje, ele e Denis são os únicos dos fundadores que permanecem no grupo de cavalgada. A partir da criação, o grupo passou a realizar outras cavalgadas anualmente, na região do Vale do Itajaí, principalmente Alto Vale, além de ultrapassar o limite regional.

“Todos os anos buscamos fazer uma cavalgada para um destino diferente, por caminhos diferentes, ao longo destes 22 anos. Com isso, pudemos conhecer vários locais da nossa própria cidade e muito mais da nossa região e do nosso Estado. O mais longe que já percorremos foram 300km, no ano passado, saindo de Rio Negrinho e indo até Atalanta, passando por 10 municípios”, relata Alessandro.

Para este ano, inclusive, o Grupo de Cavaleiros Pé no Estribo já tem a sua principal cavalgada planejada, saindo de Pouso Redondo com destino a região da Coxilha Rica, no município de Lages, na Serra Catarinense, em um percurso de 220km.

Foto: Divulgação

 

Também segundo Alessandro, o planejamento para uma viagem como esta tem diversas etapas e uma preparação intensa, para que tudo ocorra de maneira tranquila e com segurança para todos os envolvidos, inclusive os animais.

“Tudo começa cerca de cinco a seis meses antes da data escolhida para a cavalgada, que normalmente é no feriado de Corpus Christi, embora às vezes seja em outra data, a depender da disponibilidade dos integrantes do nosso grupo. Depois, nos reunimos em grupo e escolhemos o trajeto que será percorrido. Eu e minha esposa normalmente fazemos este percurso escolhido de carro, para conhecer o caminho, pesquisar quais os locais podem servir para paradas e onde poderemos dormir”, enumera Alessandro.

Depois disso, começa a preparação do cavaleiro e do animal. De acordo com o integrante do Grupo Pé no Estribo, é preciso fazer caminhadas progressivas com os cavalos, para prepará-lo para a cavalgada, a fim de garantir a sua condição física. Quando a data chega, os cavaleiros se reúnem e saem para a cavalgada. Segundo Alessandro, normalmente as datas selecionadas são durante o inverno, principalmente quando o percurso é mais longo, pensando no bem-estar dos cavalos.

Além dos 10 integrantes do Grupo, que costumam participar das cavalgadas, a empreitada tem, ainda, a participação de um cozinheiro e de um motorista que vai com o caminhão de apoio para o Grupo.

“Além das cavalgadas mais longas, participamos de outros encontros aqui na região. Também peasseamos a cavalo na cidade, promovendo passeios com turistas. Ou ainda realizamos pequenos encontros internos, de confraternização do Grupo”, afirma Alessandro.

 

A paixão por cavalos e amizades como motivações

O integrante do Grupo Pé no Estribo comenta, no entanto, que manter um grupo de cavalgadas unido não é uma tarefa fácil, pois é necessário um esforço conjunto e muita dedicação para com os animais.

“É fundamental gostar dos cavalos e de tudo o que envolve o cuidado com eles. E uma das melhores coisas é poder conhecer vários locais, pessoas e suas estâncias, receber e ser recebido. Além disso, contar com o apoio e suporte da família é essencial. No meu caso, sempre que possível minhas duas filhas participam, assim como minha esposa, que está 100% envolvida, apoiando em tudo o que é preciso. Família é o carro chefe de tudo, o apoio e a parceria são fundamentais”, enaltece Alessandro.

As cavalgadas também proporcionam momentos e memórias marcantes. Alessandro cita duas destas lembranças, que ficaram gravadas pela emoção que todos sentiram ao vivenciá-las.

Foto: Divulgação

 

Uma delas, foi quando o Grupo Pé no Estribo realizou uma cavalgada no Dia das Crianças, em Rio Negrinho, há alguns anos. Os cavaleiros estavam na região de Volta Grande e presentavam as crianças, visitando as propriedades a cavalos. “Lembro até hoje o quanto ficaram felizes quando chegamos, após pedir licença para entrar. Quando visitamos o local hoje em dia, todos ainda lembram de nós como os ‘tios dos cavalos’”, relembra.

Tal ação faz parte de um dos objetivos dos cavaleiros, que é ajudar a quem precisa. Segundo Alessandro, caso vejam alguma família que precise de algo, durante as cavalgadas, não deixam de ajudar, seja com um alimento ou um produto.

Uma outra memória marcante relacionada à cavalgada também foi no município de Rio Negrinho, segundo Alessandro.

“Outra vez, nesta mesma região, precisávamos de um local para descansar, pois não conseguimos chegar ao local planejado para dormir. No caminho, encontramos um morador que nos ofereceu a sua propriedade para passar a noite e fomos caminhando com ele até o local onde morava. Era uma casa bem simples, pequena, mas fomos muito bem recebidos e ficamos muito felizes, pois mesmo com a condição humilde, ele teve a gentileza de receber o Grupo. O senhor se chama Francisco e até hoje, quando passamos por lá, conversamos com ele, que sempre comenta o quanto ficou feliz ao aceitarmos o convite dele para ficar por lá, mesmo sendo mais humilde”, recorda.

São estas amizades, feitas ao longo do caminho, que tornam o mundo das cavalgadas tão especiais, promovendo encontros com celebração saudável e muitas histórias.

Por fim, Alessandro reforça o significado dos cavalos em sua vida e frisa que este amor pelos animais é fundamental em sua vida.

“Todos os animais que já passaram pela minha vida acabaram fazendo parte da minha família, assim como a minha cachorra, Zoe. O cavalo, para mim, é uma parte importante da minha vida, por isso sou grato pelos animais que estiveram estarem comigo nas caminhadas, pelas vivências que tive. Hoje, estou com uma égua chamada Alegria do Velho Cinceiro, que é minha companheira destas cavalgadas. Posso garantir que não consigo viver sem ter um cavalo e andar com ele”, finaliza.

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