Uma tradição familiar, de geração em geração
Filho assume o lugar do pai na produção de melado da família, seguindo uma tradição de décadas
Pai e filho trabalharam com a produção do melado. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
O cultivo da cana-de-açúcar e a produção do melado sempre estiveram presentes na rotina da família Keske. A tradição no plantio, colheita e, depois, na produção do melado, começou há várias décadas, ainda com Hugo Klotz, bisavô do atual responsável pela propriedade da família, Odair Keske, de 50 anos.
Depois, o local foi mantido por Willy Klotz, avô de Odair e, por fim, foi assumida por volta de 1987, por Ortvino Keske, de 75 anos. Na época, o plantio da cana e a produção do melado já existiam, porém dividiam espaço e atenção com a criação de gado leiteiro e de porcos.
No entanto, como a demanda pelo melado crescia cada vez mais, os Keske optaram por vender os animais e deixar a propriedade apenas para o cultivo da cana-de-açúcar.
“Éramos eu e minha esposa que cuidávamos da plantação e produzíamos o melado. O começo foi difícil, tínhamos que buscar mais clientes e tentar vender a nossa produção. O primeiro mercado para o qual vendemos foi o União, atual Gumz. Buscamos as licenças necessárias e vendemos para o mercado. Em 30 dias, vendemos nove potes de melado, na época. No segundo mês já foram mais de 20 e foi só aumentando, pois tínhamos um produto de muita qualidade”, afirma Ortvino.
Assim, pouco a pouco e com muito trabalho, a propriedade foi crescendo e a produção aumentando. No entanto, Ortvino decidiu que, quando completasse 70 anos, iria se aposentar. Foi aí que seu filho, Odair, escolheu dar continuidade ao legado da família e ao trabalho feito por seus pais ao longo de tantos anos, assumindo os cuidados da propriedade.

Ortvino foi responsável pela produção do melado por muitos anos. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
“A parte difícil meus pais haviam feito e nós sempre soubemos que foi um trabalho árduo manter a produção, aumentá-la, conquistar os clientes e fazer a marca crescer. Então eu sabia que não poderia deixar tudo isso se apagar”, destaca Odair.
Hoje, Odair, a irmã, Juliana e a esposa dele, Iraci, são os responsáveis por cuidar da propriedade. Ele a esposa fazem a colheita da cana, normalmente na parte da manhã, exceto em dias de chuva, e Juliana fica com a parte de cozinhar o melado. “Eu apenas acompanho a parte de chegar ao ponto certo do melado. O restante minha irmã administra”, comenta.
O produtor revela que os meses fortes para a produção do doce são de maio a setembro e, em outubro, a quantidade começa a diminuir. Inclusive, Odair enaltece que é necessário administrar bem a quantidade de cana utilizada por mês, pois deve-se levar em conta o tempo de crescimento da planta novamente.
“Nós não compramos a cana, pois não há garantia da qualidade. Mesmo aqui, em nossa propriedade, onde temos apenas uma variedade de cana, o rendimento dela varia do local onde está plantada. Por exemplo, quanto mais sol a planta pegar, melhor será a sua qualidade”, explica Odair.

Odair hoje é responsável por colher a cana e prepará-la para a produção. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
Representando a quarta geração da família que produz melado de cana, Odair ainda utiliza na produção um tacho que está na propriedade desde os tempos do bisavô, Hugo, que ganhou o objeto de presente do sogro dele.
Por estas e outras heranças, Odair decidiu manter a tradição da família e seguir na produção do melado, também fazendo o que gosta.
“Sempre gostei de trabalhar na roça. Morei alguns anos no Centro, mas sempre que tinha um tempo, vinha para cá para trabalhar aqui. Torcia para chegar o tempo de férias da escola para vir para cá e sair com o meu avô para a roça. Então, quando meu pai falou que iria se aposentar, eu sabia que não poderia deixar isso se acabar”, enaltece Odair.
Ortvino, que agora já está aposentado e apenas orienta quando necessário, destaca que são necessárias duas pessoas para manter bem a propriedade e reafirma o compromisso em manter o lugar.
“Meu sogro sempre falava que não poderíamos deixar esse local parar, para que tentássemos ao máximo continuar. O segredo é união, um ajudando o outro, em prol de um mesmo objetivo, deixando brigas e desentendimentos de lado, para o bem de tudo aqui”, finaliza.