Esporte

Uma paixão que dura duas décadas

Há 20 anos, moradora de Pomerode descobriu os encantamentos do Bolão e, desde então, vem se destacando na modalidade

6 de julho de 2023

Foto: Bob Gonçalves

Que o Bolão é uma das principais modalidades de nossa cidade, não é novidade para ninguém. Essa condição é evidenciada nas diversas competições em que Pomerode participa ou sedia, sempre com muita competência e resultados expressivos.

Prova disso foi a 12ª Taça Santa Catarina de Bolão 23 Feminino, promovida pela Federação Catarinense de Bocha e Bolão, no início do mês de abril, e disputada nas canchas do Clube de Caça e Tiro Alto Rio do Testo (Belz), em Testo Alto.

Durante três dias, oito equipes de Santa Catarina protagonizaram um grande espetáculo esportivo tanto dentro, quanto fora das canchas.

E uma moradora de nossa cidade teve destaque na competição. A professora Nilvane Maurice Hoss, além de faturar o prêmio Braço de Bronze (a terceira maior pontuadora do campeonato), levou a equipe de Chapecó a um honroso terceiro lugar.

Ela, que além de jogadora, foi a técnica da equipe, diz que as disputas foram muito acirradas e definidas nos detalhes. “Nossa primeira partida era a mais decisiva, pois além de estarmos em uma chave forte, poucas atletas da equipe conheciam a cancha do Belz. Estreamos contra o Salto do Norte, de Blumenau, e vencemos por um pino de diferença. Ali, ganhamos a confiança necessária para chegarmos à fase final e terminarmos com a medalha de bronze e dois troféus individuais”, frisa a atleta.

A professora conta que o Bolão já faz parte da sua vida há, pelo menos, 20 anos. “Eu sou natural de São Carlos, perto de Chapecó, e essa paixão surgiu quando comecei a conhecer mais profundamente a modalidade e a praticá-la. A adaptação veio naturalmente, tanto que já naquela época – após pouco mais de um ano desde o meu primeiro contato -, iniciei minha participação em competições, desde torneios de quintetos, campeonatos microrregionais e regionais, até os Jogos Abertos de Santa Catarina, dos quais, participo todos os anos. Também já integrei a Seleção Catarinense, o que é motivo de orgulho”.

Foto: Bob Gonçalves

 

Nilvane destaca que, entre as disputas que ocorrem no Oeste Catarinense, uma das mais tradicionais e prazerosas é a Taça Carlos Culmey, que homenageia um dos desbravadores da sua cidade natal. “O evento faz a integração entre Brasil e Argentina, numa competição muito bonita. Isso é o que fez eu me apaixonar pelo Bolão. Dentro da cancha, é competição, mas fora dela, constroem-se amizades”.

 

A vida no Vale do Itajaí

Antes de vir a Pomerode, há cerca de dois anos e meio, a atleta morava em Timbó, onde atuou por diversas equipes e chegou a ser técnica do time da Metisa.

“O importante do Bolão é o treino, pois quem não treinar, não consegue jogar. Por isso, me identifiquei com o pessoal do Belz, cuja cancha é de muita qualidade. Eu treino de duas a três vezes por semana e participo de torneios junto com o time masculino. Tudo isso me mantém ativa e jogando num nível que eu considero bom. O Bolão tem uma particularidade, pois em cada cancha, você precisa jogar de uma forma diferente. Então, é preciso estar bem fisicamente e praticar em canchas diferentes”.

A atleta conta, também. que a canchas do Belz estão à disposição para quem quiser vir treinar. “Seria muito bom ver um time da nossa cidade, por exemplo, participar de uma Taça Santa Catarina. Eu vejo que é preciso haver mais apoio para a modalidade, principalmente, entre as mulheres. A Federação dispõe de muitas competições femininas”.

No entanto, as canchas do Belz trazem outro tipo de emoção para Nilvane. “O que mais me encanta, aqui em Pomerode, é o nosso time de casais. Não desmerecendo as outras, mas posso dizer que esta é a competição mais bonita que disputo, porque ela reúne as famílias. Ano passado, disputamos aqui um torneio, onde os casais, vindos de diversas cidades de Santa Catarina, entram na cancha juntos, jogam juntos e terminam juntos. A convivência e a confraternização nesses dias são muito legais. Tanto que, neste ano, o torneio vai se tornar uma Copa, disputada em diversas etapas, em cidades diferentes”.

Foto: Bob Gonçalves

Emoções à flor da pele

E por falar em família, a maior emoção da atleta, dentro da cancha, foi vivenciada com a sua filha Andrielli.

“Aconteceu logo primeiro ano que eu disputei um Regional de Jogos Abertos de Santa Catarina, em São Lourenço do Oeste, representando a cidade de Saudades. Minha filha tinha seis ou sete anos e eu era a última atleta a jogar. Ganhávamos por um pino de diferença, então, não poderia errar, ainda mais que nosso adversário direto era o time da casa, com toda a torcida contra e minha filha sentada do balcão, esperando eu rolar a última bola. Pensa na pressão (risos). Mas, no fim, deu tudo certo, eu consegui fazer 45 pontos na última pista. Neste momento, ela veio correndo no meio da cancha, para me abraçar. Foi um momento inesquecível, que ela lembra até hoje, mesmo após quase duas décadas depois”.

São emoções como estas que fazem com que Nilvane seja, a cada dia que passa, mais apaixonada pelo Bolão. “Cada jogo para mim é especial, é único, como se fosse o primeiro. Em qualquer campeonato, a primeira bola rolada, dá um friozinho na barriga. E isso é mais do que normal, por quando se entra muito tranquila, com certeza, vai fazer besteira. Essa é a magia desta modalidade, que mistura técnica com fortes emoções e uma parte psicológica muito forte. Algo que me encantou e que vai continuar a fazer parte da minha vida, até quando Deus permitir”, finaliza.

 

A origem do bolão

Um dos mais antigos tipos de jogos da história da Humanidade, o Bolão existe há cerca de 3.500 anos, onde escavações em sítios arqueológicos egípcios detectaram sinais de um jogo de bolão ancestral.

No Brasil, o Bolão está mais concentrado entre seus pares alemães, por isso, tal modalidade é encontrada mais fortemente organizada na Região Sul do País e partes Região Sudeste.

O Bolão é jogado em uma pista de madeira, com bolas de arremesso feitas de madeira ou resina, e nove pinos, de plástico ou madeira. Cada jogador arremessa a bola cinco vezes em cada cancha – são quatro no total –, tentando derrubar o maior número de pinos. A pontuação máxima para cada jogador é de 180, que equivale ao número de pinos derrubados.

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