Uma boa ação, por meio do esporte
A APF vem se inserindo com força total, transformando seu campo de atuação não apenas a uma equipe de Futsal.
Foto: Jornal de Pomerode
“Fazer o bem, sem olhar a quem”. Essa frase pode até parecer clichê, mas está presente, nos dias de hoje, em muitas ações, que visam dar melhores condições de vida àqueles que mais precisam, seja com bens materiais ou imateriais.
E nesse contexto, a Associação Pomerode Futsal (APF) vem se inserindo com força total, transformando o seu campo de atuação não apenas a uma equipe de Futsal. Isso já começou em 2018, quando a entidade lançou a campanha “Natal Solidário”, que beneficiou cerca de 50 famílias pomerodenses, com a doação de brinquedos – novos ou seminovos -, além de cestas básicas e roupas. Tudo isso arrecadado através de caixas espalhadas em pontos estratégicos de Pomerode.
Agora, o foco são os integrantes das Escolinhas, com a campanha de doação de artigos para crianças carentes do projeto, como tênis e short’s. Segundo Shana Ramthun, coordenadora das categorias de base, seis atletas foram beneficiados até agora. “Sabemos da dificuldade de alguns destes meninos, em conseguir comprar um tênis ou um short. Por isso, juntamente com os pais, resolvemos abraçar esta causa, para que ele possam ser favorecidos”.
Foto: Bob Gonçalves / Jornal de Pomerode
A ideia surgiu devido a uma situação que pode parecer inusitada, mas é a realidade de muitos garotos. “No Sub 15, durante uma competição, em Rodeio, um dos meninos avisou que não iria jogar, porque não teria um tênis para disputar a competição. Quando o Paraíba (treinador das categorias de base) me falou isso, comecei a falar com os pais, para ver se alguém poderia emprestar, ou mesmo, doar para o atleta. Foi quando fui conversar com o Rafael (Ramthun, presidente da entidade) e perguntei se dessa vez, a APF não poderia comprar o tênis para este garoto, pelo fato do envolvimento dele e da família com o projeto, há algum tempo já. Conversamos com a diretoria e eles aceitaram. Foi aí que surgiu a ideia de ajudarmos outros meninos como ele”, enfatiza Shana.
A coordenadora deixa claro que, gostaria muito, mas a associação ainda não pode bancar este tipo de material para todos os garotos. Porém, tanto a comissão técnica, quanto a diretoria, consegue enxergar esse tipo de situação. “Não vemos somente a questão esportiva, mas percebemos quando o menino não está bem ou vem treinar com um material não muito apropriado. E quantas crianças estão passando por esse tipo de situação? Quando conversei com o Paraíba, ele falou que a Escolinha possui garotos que realmente precisam. Então, resolvemos lançar a campanha, entre os pais e participantes dos grupos do WhatsApp. O pessoal começou a trazer o material e o Paraíba foi direcionando para aqueles que mais precisam. E uma cena me chamou muito a atenção. Um dia, o meu filho, Rafinha, disse que um short não servia mais nele e eu levei para o treino. Quando entreguei ao nosso treinador, os olhos dele se encheram de lágrimas, pois um menino, justamente naquele dia, veio treinar com um que não tinha mais condições”, ressalta.
Foto: Bob Gonçalves / Jornal de Pomerode
Ainda segundo Shana, o segundo passo é arrecadar outros donativos, como casacos e cobertores, para poder dar a essas famílias, principalmente, neste período em que o inverno se aproxima. “Queremos continuar expandindo o lado social, assim como já foi feito no Natal, no entanto, mais focado para a Escolinha. O mais importante é ter esse olhar não somente para o futebol, mas para tudo que está por trás disso, afinal, os próprios alunos mudam com este tipo de atitude, ficando ainda mais motivados. Além disso, a campanha está sendo bem aceita entre os pais, que abraçaram a causa”.
É gratificante ver essa evolução, também, no lado pessoal. Existe uma grande rotatividade dentro do futebol, mas há aqueles que são fieis, que vestem a camisa.
E esse “cuidado” com os atletas, retorna em reconhecimento e parceria, por parte deles. “Eu acompanho o projeto há muito tempo e é bom ver que meninos, que começaram com a gente, hoje estão encaminhados, com trabalho e possuindo um carro ou moto. É gratificante ver essa evolução, também, no lado pessoal. Existe uma grande rotatividade dentro do futebol, mas há aqueles que são fieis, que vestem a camisa. E isso faz com que continuemos os ajudando, indicando um emprego, por exemplo. Talvez não se consiga agradar a todos, mas aqueles que estão com a gente, com certeza, têm um carinho especial nosso”, finaliza Shana.
Quem quiser colaborar com a ação, pode procurar a APF, nos dias de treinamentos, no Ginásio Ralf Knaesel, ou através da sua página no Facebook.