Um sonho Paralímpico
Equipe de Vela Adaptada é exemplo de superação e busca apoio para participar dos Jogos Paralímpicos do Rio De
Janeiro
Mario Czaschke, Herivelton Anastácio e Reinaldo Santos. Três atletas, três histórias de superação e um sonho em comum: participar dos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro. E, no próximo dia 16, embarcam à Holanda para participar do Campeonato Mundial e garantir sua vaga nos Jogos, que acontecem em setembro, logo após as Olimpíadas.
Reinaldo Santos, de São Paulo, é um velejador com vários prêmios nacionais. Em uma tentativa de assalto, um tiro o deixou paraplégico. Como a bala atingiu a medula, na altura da T12, Reinaldo perdeu uma das pernas e tornou-se cadeirante aos 23 anos, quando já era esportista. Era jogador de futebol, um atleta cheio de energias e sonhos. Durante sua recuperação, foi apresentado à Vela Adaptada, no Núcleo de Vela Adaptada de São Paulo.
Herivelton F. Anastácio, de Sobradinho, Distrito Federal, carrega em sua bagagem diversos prêmios regionais. Sofreu um grave acidente de moto aos 23 anos, com várias lesões que o impediram de continuar nos esportes que praticava. Durante sua recuperação, no Hospital Sarah Kubitschek, foi apresentado à Vela Adaptada e se apaixonou pelo esporte.
Mario Czaschke, pomerodense de coração e Pentacampeão Brasileiro de Vela Adaptada, classe 2.4, carrega vários prêmios nacionais em sua trajetória no esporte. Velejador desde os 11 anos, Mario sofreu um A.V.C. aos 39. Nesta época, o atleta velejava na equipe de Vela de Oceano. Com o A.V.C., Mario teve sequelas em seu lado direito do corpo e também na fala. Com isto, aos 42 anos, foi aposentado por invalidez, quando seguia em carreira como gerente de importação e exportação.
Afastado por cerca de três anos do esporte, retornou através da Vela Adaptada e, em curto espaço de tempo, passou a colecionar vários títulos e campeonatos. Passou a treinar no Núcleo de Vela Adaptada de Florianópolis, onde recebeu todo o suporte para continuar sua trajetória de premiações. Conquistou, por cinco vezes, o Campeonato Brasileiro. E, a partir daí, iniciou também suas participações nos campeonatos mundiais de Vela Adaptada.
Em entrevista ao Jornal de Pomerode, Mario revela que tudo começou em São Paulo, onde, por influência de seu tio, descobriu o esporte. ‘‘Quando eu tinha 11 anos, meu tio velejava e eu acabei gostando daquilo. Ele acabou me incentivando muito. Com 13 anos, junto de um colega, comprei um barco 420 e começamos a competir. Fui passando de classe em classe, até chegar nas categorias de Oceano”.
Eliana Czaschke, irmã de Mario, comenta que, após o A.VC., o futuro do atleta no esporte era incerto. “Com 39 anos, Mario teve um A.V.C. e os médicos disseram que era complicado, não sabíamos se ele poderia voltar a praticar esportes, pois o lado direito dele ficou paralisado. Por um bom tempo, Mario usou cadeira de rodas e teve que reaprender tudo. Foram três anos intensos de terapias durante todo o dia e toda semana. Foi uma força tarefa muito grande. Mas os terapeutas logo perceberam que o caso dele era diferente, então viemos para Pomerode. Com o pessoal de São Paulo, ele teve o primeiro contato com a Vela, então o Núcleo de Vela colocou um barco à disposição dele. Após ficar três anos afastado, Mario treinou dois dias e seguiu para a competição. Resultado: 4º colocado no Campeonato Brasileiro. Com essa colocação, ele passou a fazer parte do Núcleo de Vela Adaptada de Florianópolis. Lá, a confederação tinha um treinador, um barco e aí foi o início da jornada dele no esporte paralímpico, com a modalidade 2.4”.
Como um atleta sempre busca mais, agora, o desafio é ainda maior. “Agora pretendo competir com um barco maior e velejar em equipe. Nós estamos na Classe Sonar. Superação e força de vontade em primeiro lugar. A imagem que se tinha até uns anos atrás é que o deficiente é o ‘coitado’, mas é bem diferente disso. Tudo voltou ao normal com o tempo. Ainda falo com dificuldade, mas tudo segue normalmente”, revela Mario. “Como somos de origem alemã, temos um contato muito bom com a equipe da Alemanha. Estamos recebendo muito apoio das equipes europeias. O bom da vela é que, mundialmente, um sempre ajuda o outro. Estamos em um país que vai sediar os Jogos, mas, com todas as questões econômicas do país, os atletas que estão treinando há quatro anos, sofrem com a falta de apoio financeiro. Todos sabem que eles têm potencial. A equipe do país sede não pode ficar fora disso. Hoje, eles não têm nenhum patrocínio. Ninguém está investindo em marketing esportivo. Estamos tentando lançar uma campanha para conseguir apoio e já está dando algum retorno. Mas as despesas são em Euros, é muito caro. É preciso alugar um barco, passagens, inscrição, alimentação, é um valor alto. Algumas coisas já conseguimos, mas ainda precisamos de muito apoio”, completa Eliana.
Em um grande exemplo de superação, Mario comenta o que o motivou a seguir no esporte. “Foi muito bom poder voltar a praticar esportes. Minha motivação foi o mar, o vento. Velejar, para mim, é tudo”.
Essas três histórias se ligam através do esporte e da superação. A vela se confirmou como paixão e como uma motivação para seguir em frente, superando todas as dificuldades enfrentadas. Assim nasceu o “Curupira Sailing Team”, Equipe Paralímpica de Vela Adaptada Classe Sonar (Veleiro com três tripulantes deficientes físicos). O nome da equipe homenageia o personagem Curupira, do folclore brasileiro, por ser deficiente (tem os pés virados) e pela esperteza do mesmo.
Na busca da realização deste sonho, os três atletas viajam de suas cidades para treinar no Rio de Janeiro. Os treinos são realizados com apoio da Confederação Brasileira de Vela Adaptada, em seu núcleo naquela cidade. O Comitê Paralímpico Brasileiro também apoia a equipe.
Para se deslocar ao Rio de Janeiro, os atletas, muitas vezes, pagam tudo por conta própria, o que é um custo muito alto. Lá, contam com barco e demais infraestrutura cedida pela Confederação. Porém, não há verbas que permitam com que a equipe receba os incentivos financeiros por parte da Confederação. E os valores que os mesmos recebem, através do Programa Bolsa Atleta, não cobrem o mínimo das despesas. Sendo assim, familiares, amigos e a equipe passaram a mobilizar todos para conseguirem pagar suas despesas. Como o campeonato será realizado na Holanda, será necessário alugar um barco e arcar com as despesas.
Com as próprias economias e ajuda das famílias, as passagens já foram compradas. Restam ainda despesas de translados, hospedagem, aluguel de barco, inscrições, entre outras. E para conseguir este valor, os atletas precisam de apoio.
Em agradecimento a toda a ajuda recebida, a equipe preparou uma homenagem para todos que estão acreditando nesse sonho paralímpico.
Para doar, você pode entrar em contato com a Fanpage da equipe Curupira Sailing Team, ou pelo e-mail curupira.sailing@gmail.com.
Toda a equipe do Jornal de Pomerode parabeniza os atletas pelo grande exemplo de superação no esporte.