Um reinício em grande estilo
Atleta pomerodense volta às competições, após um ano e meio, já com um excelente resultado no currículo.
Imagine você, depois de um ano e meio, voltar a fazer aquilo que ama. E ainda ser recompensado por isso. Foi o que viveu a pomerodense Cristina Dumke nos últimos dias 24 e 25 de setembro, ao participar da 1ª edição da Mons Ultra Trail. A corrida de aventura, que reuniu uma verdadeira constelação de atletas, foi disputada em Nova Trento, nas distâncias de 104K, 85K, 55K, 25K e 12K.
Tina, como é mais conhecida, terminou a prova dos 25K na quinta colocação, com a marca de 2:57’05”, resultado que a deixou muito satisfeita. “A Mons teve o melhor ‘startlist’ do trail brasileiro e, na minha categoria, participaram 47 mulheres. Então, foi uma excelente oportunidade para correr entre os melhores do Brasil. Não esperava esse resultado, pois estava sem muito volume de treinamento na corrida, em função de uma lesão no menisco que se iniciou em abril deste ano. Mas, o mais importante é que eu soube me controlar, para não me lesionar novamente, e sabia que estava fortalecida e preparada para completar a prova, visto que segui à risca todo o tratamento com o fisioterapeuta, Alex André, e com meu treinador de fortalecimento, Odair Luiz dos Santos, o Chico”, destaca.
A pomerodense, por conta da pandemia, ficou um ano e meio sem competir oficialmente. Por isso, participar de uma prova tão emblemática como essa, foi muito especial. “Me senti como se estivesse voltando à vida. Foi a primeira prova oficial, depois de um ano e meio sem competir. E a Mons me deu esse presente, de correr na terra de Santa Paulina, uma cidade mágica e acolhedora, que respira religião. E nessa ‘vibe’, é impossível ver alguém de cara feia. Foi uma explosão de amizades, trocas de experiências, inspirações. Que saudade que eu estava disso tudo”, comenta, com muita alegria.

Foto: Foco Radical
Outra dificuldade enfrentada durante a pandemia, por Tina, foi uma lesão no menisco, que a prejudicou, uma vez que as academias estavam fechadas e ela não pôde continuar fazendo o trabalho de fortalecimento com profissionais qualificados. “A falta das competições acabou me prejudicando também, pois treinar para uma determinada prova nos dá uma motivação extra. No entanto, eu sabia que deveria me manter ativa, então, optava em fazer exercícios em casa mesmo, sem aparelhos, e sempre dava um jeitinho de ‘fugir’ para os morros de Pomerode. Foi ali que eu mantive o espírito da corrida”.
Momentos da prova
A largada e chegada da Mons Ultra Trail ocorreram no Ginásio de Esportes Inácio Gulini e os corredores encararam algumas das trilhas mais técnicas da região, além de diversos pontos turísticos. Por tudo isso, a prova foi muito especial para a pomerodense. “Alguns minutos antes da largada fiquei tensa, só pensando no que eu iria encarar. Mas ali, motivação não faltou, afinal, alinhar ao lado de ótimos atletas foi especial. Só que nem tudo foram ‘flores’, pois ela é considerada a prova mais difícil do Brasil.
As trilhas se iniciam no km 2 e a primeira subida, com 3 km e 500m de altimetria, é a mais pesada do percurso e por onde passam todas as distâncias. Nesse trajeto, toda atenção é pouca, ainda mais por conta da chuva dos dias anteriores e de outras distâncias que já tinham largado, que fizeram cm que o terreno ficasse bem úmido e escorregadio. Mas um momento que ficou marcado foi quando tive a ajuda de alguém, segurando meu tênis, para que eu não voltasse morro abaixo. Na adrenalina, nem vi quem foi, só gritei um ‘obrigada’ e continuei na minha concentração, para vencer o Morro da Cruz. A descida, com vala, foi mais tranquila do que eu imaginei. Por ali se pratica muito o Downhill. Fui atenta e não caí, o que era uma das minhas metas para essa prova”, conta, orgulhosa.

Foto: Foco Radical
Depois deste retorno ao cenário competitivo, e com um resultado expressivo, a atleta pomerodense tem outros objetivos para 2021. “Meu foco é o trail running, mas uma prova de rua que sempre está no meu calendário é a Meia Maratona de Pomerode. Ela tem um lugar especial no meu coração, pois foi nela em que me encontrei na corrida, no ano de 2017. Além disso, pretendo também participar da Indomit de Bombinhas, no início de Novembro. Na sequência, quero fazer um bom trabalho de base, para que eu evolua e não me lesione, visando fazer boas provas no ano que vem. Como diz meu treinador de corrida, Carlos Venturini, ‘buscamos consistência’”.
O sentimento de gratidão, por ter dividido o pódio com verdadeiras “feras” do trail running, está presente nas palavras de Tina. “Obrigada a todos que torcem e me acompanham, em especial, ao meu esposo Clóvis, que sempre está ao meu lado, com muita motivação. Sempre digo e repito: só quem vive e sente na pele, pode avaliar a jornada. Eu amo a minha rotina de treinamento. Há sofrimento, sim, mas a sensação de superação e bem estar é infinitamente superior. Sigo a vida fazendo o que amo, com sorriso no rosto e alegria no coração”, finaliza.

Foto: Divulgação
