Um ídolo que ultrapassou fronteiras
Apesar da “alma brasileira”, empresário de Pomerode, nascido na Argentina, cultiva grande admiração por Diego Maradona.
A morte de Diego Armando Maradona deixou enlutada uma nação inteira, e tristes, os aficionados pelo futebol-arte, tão escasso nos gramados, hoje em dia. Os argentinos fizeram uma verdadeira peregrinação ao seu funeral, mostrando o quanto o ídolo era querido, na terra em que nasceu.
E um desses hermanos conversou com a equipe do Jornal de Pomerode. Apesar de ter uma grande identificação com o Brasil, afinal, já vive por aqui há 18 anos, o empresário Luís Alberto Bos, de 33 anos, falou com carinho sobre Maradona. “Ele representou muito, para mim e para nossa família. Um ídolo, um mito. Dentro do campo de futebol, um ótimo jogador, raçudo, por isso, nos inspira”.
Nascido em Colônia Aurora, na província de Misiones, fronteira com o Rio Grande do Sul, o empresário diz que tem várias recordações com o jogador argentino. “Uma, em especial, foi na Copa de 1986. Eu ainda não era nascido, quando a Argentina ganhou da Inglaterra, com o famoso gol de mão e, depois, mareando (driblando) metade do time adversário. Também usando a camisa da Seleção Argentina, houve bons momentos, em jogos contra o Brasil”, ressalta.

Os irmãos argentinos Luís, Cláudio e Daniel | Foto: Divulgação
Por falar em Brasil, Bos respondeu a uma antiga questão: Maradona era melhor do que Pelé? “Apesar de todos os problemas emocionais que vivenciou fora dos campos, ele foi um grandes craque, como Pelé. No entanto, para os argentinos, ‘Dieguito’ transcendeu as expectativas, não se limitando ao seu papel profissional. Ele tocou na alma e no coração do povo. Com uma mão, devolveu a autoestima perdida pelo povo argentino. Polêmico, quem sabe. Omisso, nunca. Só quem viveu ou pesquisou a história de Maradona, sabe que a importância desse gênio vai muito além do futebol. Agora, só nos resta lembrar dos bons momentos como jogador. Ele levou consigo um pedaço do futebol de qualidade, com arte e genialidade”.
Para o argentino, com alma pomerodense, Diego Maradona sempre será lembrado como um grande ídolo, que vai deixar um legado para esta e gerações futuras. “O que fica são as boas lembranças, um exemplo como jogador. Só nos resta seguir os seus passos, inclusive, aqui no futebol amador. Admiro muito o futebol argentino, pela raça e vontade, mas também, tenho grande admiração pelos jogadores brasileiros. Apesar de, muitas vezes, as pessoas construírem essa rivalidade entre Argentina e Brasil, existe um respeito mútuo. Inclusive, Maradona também tinha uma grande consideração pelo Brasil”, finaliza.
A morte do ídolo
Maior jogador da história do futebol argentino, Diego Armando Maradona morreu na última quarta-feira, 25 de novembro, aos 60 anos. O ex-jogador sofreu uma parada cardiorrespiratória em sua casa, na cidade de Tigre, zona metropolitana de Buenos Aires.
O astro sofreu o mal súbito no fim da manhã, quando ambulâncias foram chamadas à sua residência, onde se recuperava de uma cirurgia no cérebro. Ele, porém, não resistiu, tendo sua morte confirmada pela imprensa argentina e pela TV pública do país, no começo da tarde.
Campeão mundial com a Argentina em 1986, Maradona teve sua carreira marcada pela genialidade em campo e pelas polêmicas fora dele. O camisa 10 defendeu a seleção em 91 jogos, atuando em quatro Copas do Mundo: 1982, 1986, 1990 e 1994. Enfrentou o Brasil em duas delas, quando foi expulso na derrota por 3 a 1, pela segunda fase da Copa da Espanha, em 1982; e na Itália, em 1990, onde fez toda a jogada para o gol de Caniggia, na vitória por 1 a 0, que eliminou o Brasil. Já no Mundial dos Estados Unidos, em 1994, viveu um dos piores momentos de sua trajetória, quando foi pego no exame antidoping ainda na primeira fase da competição.

Maradona conquistou prarticamente sozinho, a Copa do Mundo de 1986 para a Argentina | Foto: El Grafico / Reuters
Nos clubes, sua trajetória começou no Argentinos Juniors, onde brilhou e ganhou uma chance no Boca Juniors, seu time do coração. De lá, rumou para o Barcelona e, depois, ao Napoli, onde viveu um caso de amor com a torcida e fez história, com a conquista de dois títulos italianos – os únicos da história do clube, onde Maradona é o grande ídolo até hoje. Após passagens por Sevilla e Newell’s Old Boys, o craque encerrou sua carreira no Boca, em 1998, e passou a ser figura comum em jogos na Bombonera.
Após pendurar as chuteiras e passar por diversas fases no tratamento contra a dependência química por cocaína, Maradona se aventurou como treinador e teve uma oportunidade à frente da seleção argentina, a quem conduziu na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Depois, passou por Al-Wasl e Fujairah, dos Emirados Árabes. Em 2018, comandou o Dorados, do México, e teve seu último trabalho no Gimnasia de La Plata, ainda neste ano.
