Um esporte também para mulheres
Neide de Oliveira Cabral é atleta, técnica e juíza de bocha, provando que a modalidade é sim esporte para mulher
Uma bolinha. Oito bolas maiores. O objetivo é, em equipe, arremessar a bola maior o mais próximo possível da menor e, assim, somar pontos e vencer a partida. A bocha, modalidade esportiva praticada em diversos bairros de Pomerode, há muito era vista única e exclusivamente como esporte para homens. Essa visão, com o passar dos anos e a mudança de opiniões, foi alterada e, atualmente, as mulheres passaram a fazer parte deste cenário, mesmo que ainda em número bem menor.Atleta há cinco anos, Neide de Oliveira Cabral, de 38 anos, foi a primeira mulher da família a praticar a modalidade. No entanto, a prática tornou-se uma paixão contagiante. Minha mãe, cunhada e mais duas tias também jogam bocha. Minha irmã também participou de um campeonato conosco. Jogo há cinco anos e trouxe a modalidade para a família também, conta.
Para ela, vencer o campeonato no ano passado foi uma emoção muito grande. Ano passado venci o campeonato pela Cia dos Amigos e foi muito emocionante ver o resultado de nosso empenho e poder comemorá-lo, completa.
Mesmo que a rotina da modalidade já seja conhecida, Neide, no ano passado, assumiu uma posição diferente: a de juíza. Há cinco anos estou na bocha e há quatro como técnica. Aí surgiu a oportunidade de apitar um campeonato no ano passado e aceitei o desafio, conta.
Este ano Neide apita o Campeonato realizado pela Funpeel e é a única mulher a fazê-lo. Ao ser questionada sobre a reação dos jogadores, já que atualmente o campeonato acontece na categoria masculina, ela é enfática: há muito respeito. Nunca percebi diferença no tratamento comigo em relação aos jogadores. Posso dizer, inclusive, que há mais respeito com a mulher, pois quando se apita já está apitado. Comigo é assim, revela.
Neide é do time do Primavera e já apitou jogos de sua equipe, mas alega que na hora de ser juíza a imparcialidade é soberana. Quando jogamos sabemos que vamos ou ganhar, ou perder. Sou absolutamente imparcial durante as partidas, mas podemos observar os erros para que possamos melhorar numa próxima, com os treinamentos que são efetuados semanalmente, enaltece.
Neide explica que apitar um jogo de seu time acontece, pois os visitantes levam o juiz para a partida. Para as competições são levados 10 atletas, para que as cinco duplas possam ser formadas. A dupla é formada pelo boleiro e pelo ponteiro. E, na minha opinião, ser bolador é mais difícil, comenta.
Diferente do que pode parecer, a bocha é um jogo muito mais técnico e a força é necessária, mas não fundamental e pode ser sim jogo para mulheres também. Vejo que há uma resistência grande das mulheres em participar de jogos, pois a imagem de ser um jogo masculino ainda é muito grande. Mas isso não existe, estou aqui para provar e incentivar a prática da modalidade por mulheres, frisa.
Enquanto treina e apita para o Campeonato Municipal Masculino, Neide também se prepara para o Campeonato Feminino, que acontece no segundo semestre. E, acreditem, nesta competição ela pode ser atleta, técnica e juíza, tudo em um mesmo campeonato. Com as novas regras essa possibilidade existe e talvez consiga efetuá-la. A bocha entrou na minha vida como uma prática esportiva, mas me apaixonei, gostei e vai ser difícil parar, finaliza.