Ultramaratonista
O ultramaratonista Fábio Rodrigo Machado tem sido destaque por onde passa e conta um pouco mais sobre sua rotina ao JP
Conforme veiculado na edição passada do Jornal de Pomerode, Fábio Rodrigo Machado, 35 anos, foi o brasileiro mais bem colocado na Prova Spartathlon, realizada na Grécia.
O atleta chegou na 10º colocação masculina e na11º colocação geral na prova, conquistando, com isso, o segundo melhor resultado brasileiro na história da prova.
Ainda na Grécia, Fábio concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal de Pomerode onde contou um pouco mais sobre sua história. “Eu corro “ultramaratonas”, provas acima de 42,195km das maratonas e a Spartathlon é considerada a “ultra das ultras”, explica o atleta.
Apesar do bom resultado na prova, Fábio não pretende repeti-la no ano que vem. “Não pretendo, mas a pressão está grande para que eu volte e, já conhecendo a prova, lute por pódio. No entanto, acho pouco provável. Prefiro conhecer outras provas e tem algumas que quero muito fazer, como a Badwater, Mundial de 24 horas, Brazil 135+, provas de 48 horas, provas de seis dias. A minha especialidade é a prova de 24h, mas ainda quero melhorar minha marca, que no ano passado foi a melhor do país e 103 do mundo”, comenta.
E para participar desta prova, ele treinou muito. No entanto, os treinos são intensos e constantes. E quer saber quando tudo começou? Ele conta. “Comecei em fevereiro de 2009, logo que fui morar em Brasília, por conta de uma aposta com um colega de trabalho”, explica.
E foi neste mesmo ano que Fábio participou de sua primeira prova: 10 quilômetros da Obcursos.
Apesar de não ser atleta profissional, pois trabalho de 8h a 10h por dia, ele dedica-se e almeja muitas conquistas quando o assunto é esporte. “Quando voltar ao Brasil, inicio os treinos para o Mundial de 24h, que será em Turim, na Itália, no mês de abril. E, se conseguir patrocínio, quero ir para a Badwater, no Vale da Morte nos Estados Unidos, em julho. Uma prova de 217km, com temperaturas de até 60 graus”, conta.
Engana-se quem pensa que chegar lá é fácil e, dentre outras dificuldades, a questão apoio ainda é a mais difícil de ser superada. “Observo dificuldades na falta de divulgação, seriedade e profissionalismo dos organizadores de provas, falta apoio, patrocínio.No Brasil, as corridas de rua viraram febre. Há muitas provas de 5 e 10km todos os finais de semana Brasil a fora.
Obviamente que as empresas voltadas para o segmento esportivo estão de olho nestas provas que dão grande público participante, enquanto numa ultra há poucos participantes. Na Europa e nos EUA esta realidade é outra. As empresas do segmento apoiam as ultras, investem dinheiro e têm retorno. Há muitos atletas que vivem de ultra, lá fora. Aqui no Brasil, impossível”, revela.
Fábio conta ainda que o seu calendário de provas é montado sempre com antecedência e que seus treinos são fechado a partir disso. “Não aguento treinar “tão pesado” o ano inteiro. Pagaria caro com lesões. Então estabeleço as provas foco: no máximo duas por ano. E uso outras provas, quando consigo encaixar calendário, como treino”, relata.
Mesmo nunca tendo imaginado ser um ultramaratonista, Fábio sempre conta com o apoio da família. “Minha noiva é minha maior apoiadora, fonte de inspiração. Durante esta prova na Grécia, ela fez o apoio de carro, sozinha. Durante minha preparação, sempre apoiou e continuará apoiando. Temos uma parceira muito legal. Sem ela, não faria nada disto”, comenta.
Quanto ao futuro, o atleta afirma é algo indefinido. “O futuro a Deus pertence! Mas, ainda quero evoluir muito e melhorar muito minhas marcas. Meu treinador diz que vou atingir meu auge daqui a cinco anos”, revela.
E como fonte de inspiração, o atleta que morou em Pomerode incentiva os futuros atletas com uma frase simples: “Acredite sempre em você! Por mais que digam que não é possível, corra atrás de seus sonhos”, finaliza.