Três gerações em marcha: legado nos desfiles do Clube Pomerode
Aldo Wachholz, atual comandante no Clube Pomerode, fala sobre legado mantido, em honra ao pai, Brüder Wachholz
Foto: Isadora Brehmer / JP
Tradição, cultura e um profundo senso de pertencimento são os pilares que sustentam a trajetória de Aldo Wachholz no Clube Pomerode. Filho de Brüder Wachholz e neto de Erich Wachholz, ele hoje carrega nos ombros, com orgulho e reverência, o papel de comandante nos desfiles do tradicional clube da cidade — um posto que representa muito mais que liderança: simboliza continuidade, respeito às raízes e amor pela comunidade.
A história começa com o avô, Erich, que foi sócio-tesoureiro do Clube Recreativo Esportivo Pomerode por mais de 30 anos. Com o passar do tempo, transferiu o título patrimonial ao filho Brüder, que também teve papel fundamental na construção e manutenção da Associação 1º de Maio, em Pomerode Fundos. Em 1982, esse mesmo título foi passado para Aldo, que já crescia imerso na tradição e nos valores cultivados pela família.
“Desde menino, acompanhava meus pais nas festividades, tanto no Clube Pomerode quanto na Associação Primeiro de Maio”, relembra Aldo, nascido em 18 de setembro de 1962. “Quando atingi a maioridade, fui oficializado sócio dos dois clubes. Era um orgulho continuar a tradição.”
O comando passa de pai para filho
Na juventude, Aldo acompanhava seu pai em cada detalhe das atividades culturais e sociais. O comandante do Clube Pomerode na época era o Sr. Mário Marquardt, enquanto Brüder exercia a função de comandante na Associação 1º de Maio. A perda do Sr. Mário levou Brüder ao posto de comandante também no Clube Pomerode — posição que ocuparia com zelo por muitos anos.
“Meu pai prestou serviço militar, o que reforçava o ar de solenidade e disciplina que ele imprimia nos desfiles. Quando ele ficou doente, em 2016, e não pôde mais exercer a função, conversei com o então presidente Siegfried Hornburg, sugerindo que ele assumisse o posto. Mas a resposta dele foi marcante: ‘Tal pai, tal filho. Seria uma honra se você assumisse’.”
Diante da proposta, Aldo ficou pensativo. Como comunicar ao pai que seria ele o novo comandante? Mas ao conversar com Brüder, deitado no leito, a resposta veio com ternura:
“Ele ficou contente. Disse que alguém precisava dar continuidade ao comando. Anotei tudo que ele me ensinava, passo a passo, e ensaiei durante a semana aqui em casa. Meu primeiro desfile como comandante foi um sábado de muita emoção.”

Brüder Wachholz. (Foto: Arquivo pessoal)
O primeiro desfile foi em 2016, após atividades esportivas que iam das 13h às 16h30min. O desfile, com início às 17h, marcou não só a sucessão de gerações, mas também um rito de passagem simbólico, onde tradição e emoção se entrelaçaram.
Cerimonial com rigor e emoção
O trabalho de comandante exige mais do que conhecimento técnico. É preciso emoção, clareza e respeito. Aldo estruturou o cerimonial a partir do modelo do pai, com toques de inovação. Hoje, inicia os desfiles pedindo um momento de silêncio para homenagear os sócios falecidos nos últimos 12 meses. Uma fita preta é colocada na ponta da bandeira como símbolo de luto, e a banda executa o toque de silêncio.
“Depois disso, o trio porta-bandeira se posiciona. Este ano, fizemos diferente: foram três mulheres — minha esposa Rosane, a Elizabeth e a Salete — carregando as bandeiras do Brasil, do município e do clube.”
O desfile segue em formação, com todos devidamente alinhados e uniformizados. Os homens vestem calça social e camisa branca com o timbre do clube; para as mulheres, há certa flexibilidade, podendo usar calça, saia ou bermuda com blusa branca. Durante a Festa Pomerana, abre-se espaço para o traje típico, como usaram Aldo, a esposa e a filha em edições anteriores.
Do café na casa ao baile no Pavilhão
A festa de Rei e Rainha é outro ponto alto da tradição. Antigamente, as comemorações ocorriam nas casas dos homenageados, com pão com linguiça, kochkäse, cuca e capilé. Não havia formalidades nem luxos, apenas o desejo de bem receber.
“O pai se organizava com os cavaleiros, e esperava-se umas 100 pessoas. Tinha café, janta, tudo simples, mas acolhedor. Hoje, fazemos no salão e tudo é mais organizado, mas tentamos manter o espírito das origens.”
A responsabilidade e o orgulho do legado
Desde a morte do pai, em julho de 2019, Aldo mantém a responsabilidade de conduzir os desfiles. Mesmo sem formação militar, encara o papel com disciplina e reverência, sempre buscando conselhos com colegas experientes, como o comandante da Associação dos Clubes de Caça e Tiro, que atua nos desfiles do Interclubes.
“Às vezes improviso, mas sempre com cuidado. Hoje em dia, qualquer fala vira gravação. Por isso, preparo um roteiro e ensaio tudo. Passei três dias escrevendo o último script.”
Aldo também compartilha a alegria de receber elogios de comandantes de outros clubes: “Já me disseram: ‘Aldo, não deixa de fazer, você conduz bem, anima o pessoal’. Isso é muito gratificante.”
Continuidade que honra a história
A cada desfile, Aldo revive as memórias do pai e do avô. O comando é mais do que uma função cerimonial; é um gesto de reverência à memória familiar, à história do clube e à cultura pomerodense.
“É só uma hora, aquele sábado à tarde… Mas é uma satisfação enorme. Alguém tem que fazer. E enquanto eu puder, farei com muito orgulho.”
