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Tradição familiar e cultivo orgânico marcam trajetória de agricultor em Pomerode

Produção passada de geração em geração segue viva no campo, com diversidade de alimentos e venda direta ao consumidor

7 de junho de 2026

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

A relação com a terra começou cedo e, para o agricultor Edilson Glau, morador da localidade do Vale do Selke, em Pomerode, nunca foi apenas um trabalho — é uma herança de família que atravessa gerações. Desde a infância, o contato com o plantio e a rotina no campo moldaram um estilo de vida que hoje se mantém firme, com produção orgânica e valorização do alimento cultivado de forma natural.

“Isso já vem de geração pra geração. Meus avós, meus pais, todos sempre viveram da agricultura. Eu não cheguei a conhecer meus tataravós, mas sei que já era assim. E quando eu tinha uns cinco, seis anos, meu avô já começou a me levar pra roça, pra aprender, pra ir pegando o jeito”, relembra.

O aprendizado, iniciado ainda na infância, nunca foi interrompido. Ao contrário, se transformou em escolha de vida. Permanecer na agricultura, segundo Edilson, é também uma forma de dar continuidade ao legado da família e manter viva uma história construída ao longo de décadas.

A produção orgânica, hoje tão valorizada, sempre fez parte da realidade da propriedade. Muito antes de se tornar tendência, já era a única forma de cultivo adotada pela família. “Sempre foi orgânico. Antigamente nem existia esse negócio de adubo químico como tem hoje, ou era muito caro. Então tudo era feito de forma natural. E eu continuo assim até hoje. Até porque eu sou o maior consumidor do que produzo. Não faz sentido plantar com veneno e depois consumir”, afirma.

Atualmente, a produção é diversificada. Entre os principais cultivos estão aipim, milho, batata-doce e uma grande variedade de verduras. Ao todo, são cerca de 20 a 22 tipos diferentes, incluindo alface, brócolis, couve-flor, cenoura, beterraba e tomate. Parte da produção é destinada ao consumo próprio e à alimentação dos animais criados na propriedade, como gado, aves e suínos. O restante é comercializado.

A venda ocorre, principalmente, de forma direta ao consumidor, sem intermediários. As redes sociais e aplicativos de mensagens se tornaram aliados importantes nesse processo, facilitando o contato com os clientes e ampliando o alcance da produção.

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

 

A participação em feiras também tem sido uma experiência positiva. Edilson esteve presente nas duas últimas edições do Cultura na Praça e destaca o retorno obtido. “Foi muito legal. Vem muita gente de fora, turista também, e o pessoal começa a conhecer o produto. Na segunda vez já foi melhor que a primeira, porque quem comprou voltou. Isso é muito bom”, conta.

Uma das histórias que mais marcaram sua participação nas feiras envolve a venda de vagem. “Uma senhora comprou um pouquinho só pra experimentar, levou pra casa, preparou e voltou pra comprar mais. Acabou levando dois quilos. Nesse dia, vendi tudo o que tinha. Isso mostra como o pessoal valoriza quando conhece o produto”, relata.

Para ele, iniciativas como as feiras são importantes para fortalecer a agricultura local e aproximar produtores e consumidores. “O diferencial é esse contato direto. Não tem intermediário, a pessoa compra direto de quem produz. Isso valoriza muito o nosso trabalho”, destaca.

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Apesar das conquistas, a rotina no campo é marcada por desafios constantes. O clima, por exemplo, é um dos principais fatores que influenciam a produção. “Você depende da chuva, do sol, tudo no tempo certo. E cada dia é um desafio diferente. Quem trabalha na agricultura sabe como é. Tem que se adaptar o tempo todo”, explica.

No cultivo orgânico, os desafios podem ser ainda maiores, já que não há o uso de insumos químicos para facilitar o processo. Isso exige planejamento, técnica e, principalmente, paciência — característica que o agricultor considera essencial para quem trabalha com a terra.

“O agricultor precisa ter paciência. Não é hoje que você planta e amanhã já colhe. Tem que esperar, acompanhar o crescimento, cuidar. Mas depois, quando você colhe aquilo que plantou, não tem preço. É uma satisfação muito grande”, afirma.

Mais do que uma atividade econômica, o trabalho no campo também é visto como uma forma de bem-estar. “Mexer com a terra é quase uma terapia. Todo dia você aprende alguma coisa nova. Mesmo depois de tantos anos, sempre tem algo diferente acontecendo”, comenta.

A motivação para seguir na agricultura também está na família. O orgulho dos pais ao verem a continuidade do trabalho é um dos principais incentivos. “Minha maior motivação são eles. Ver que eles ficam felizes, que alguém continuou o que eles começaram. Um dia levei meu pai pra ver a plantação, e a felicidade dele não tem explicação”, conta.

Além da produção, a propriedade também desperta interesse de visitantes, especialmente em épocas de maior cultivo. A horta, em particular, chama a atenção pela variedade e pelo cuidado com o manejo orgânico.

Com raízes firmes na tradição e olhar voltado para o futuro, Edilson Glau segue cultivando não apenas alimentos, mas também histórias, valores e a conexão com a terra — elementos que fazem da agricultura muito mais do que um trabalho: um modo de vida.

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