Esporte

Tradição do Tiro pode estar no alvo

Projeto de Lei de deputado do PR pode enfraquecer costumes da região.

12 de janeiro de 2012

Um projeto de lei que proíbe a participação de crianças e adolescentes em práticas de tiro tem revoltado os integrantes da modalidade. A proposta é do deputado Florisvaldo Fier (PT-PR) e tramita na Câmara. A medida quer estabelecer pena de três a seis anos para diretores, gerentes e funcionários de clubes, academias e outros locais que aceitarem menores, mesmo acompanhados, nas aulas.
O deputado alega que “a admissão indiscriminada de crianças e adolescentes pode gerar situações perigosas para a sociedade, como potenciais delinquentes e até candidatos a terroristas treinados.”
Se aprovado, o projeto alteraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Estatuto do Desarmamento.
Rolf Nicolodelli, vice-presidente da Associação dos Clubes de Caça e Tiro de Pomerode, questiona como os atletas irão se formar no esporte, já que a preparação para um atirador profissional leva, em média, cinco anos.
“O Brasil sempre teve bom desempenho no tiro, e nunca ouvi falar que qualquer um desses atiradores tenha matado alguém. Pelo contrário, são pessoas calmas, educadas e que sempre tiveram apoio da família”, reforçou.
Pomerode é conhecida nacionalmente pela força que tem nesse esporte, que inclusive recebe o apoio do Governo Municipal. O presidente da Fundação Promotora de Eventos, Esporte e Lazer (Funpeel), Arlindo Ewald, considera a proposta do deputado infundada. Ele conta que o tiro é uma tradição, mantida desde as primeiras gerações não só da cidade, como de toda a região. Em Pomerode, são 16 Clubes de Caça e Tiro. Hoje, todos eles têm a prática de tiro ativa no município.
Frank Utech, diretor de Esportes da Funpeel, diz que o Tiro é uma forma de incentivar os jovens a participarem dos Clubes, por que a cultura dessa prática está morrendo; tendo em vista que hoje existem outras atrações que despertam o interesse dos jovens, como a internet e o vídeo game, por exemplo.
O deputado admite que ao apresentar a proposta não lembrou dos jogos que usam armas. Por este motivo, alega que exceções serão apresentadas para não prejudicar a prática do esporte. De acordo com ele, o objetivo do projeto é impedir o aumento da criminalidade entre jovens.
“Não quero impedir quem participa desta modalidade. A preocupação é quanto a lugares obscuros que fazem treinamento com armas, onde qualquer pessoa aprende a matar. Os autores de crimes estão cada vez mais novos. É preciso dificultar o acesso deles a esses lugares”, declara o deputado.
Porém, para um dos representantes estaduais da modalidade nos JASC, Edson Volkman, que pratica o tira há 14 anos, a medida do deputado paranaense é infeliz. “Essa ideia vem contra o objetivo dos clubes. Aqui em casa toda a minha família pratica a modalidade e representamos o Estado também, meus filhos de 21 e 18 anos, praticam o esporte desde os 12 anos, e nem por isso foram para o caminho da criminalidade”, explica. Volkmann reforça a ideia dizendo que o esporte é praticado de forma legal, com alvará do Exército Brasileiro, registro na delegacia, e ainda salienta que os praticantes da modalidade precisam inclusive de aval psicológico.
Para ele, que vê o Tiro como uma forma de integração familiar, se a lei for aprovada, este será o “início do fim” dos Clubes.
Léa Lohse Alvarenga, vem de uma tradicional família que participa das atividades dos Clubes de Caça e Tiro, em Pomerode. “O meu pai já participava, depois entraram meu esposo, irmã e cunhado. Não atrapalhou em nada, pelo contrário, apenas serviu para unir ainda mais a família com este gosto em comum.
Para ela, se o projeto for aprovado, “ele inviabilizará a existência da maioria dos clubes de caça e tiro no futuro, pois o mais comum é que os jovens comecem a apreciar o esporte antes mesmo de completarem 18 anos, acompanhando seus pais nos treinos e campeonatos. Existe ainda uma grande possibilidade de não mais se interessarem pelo esporte, pois nessa idade ele já possuem outros interesses”, ressalta.
Como a tradição é forte na família, sua filha de três anos, acompanha também as festividades dos clubes. Ela acredita que a prática não influencia no desenvolvimento da criança e do adolescente.
“Os clubes de caça e tiro possuem um ambiente familiar, pois as pessoas que os frequentam estabelecem laços de amizade. Os jovens que praticam esta modalidade de esporte são sempre monitorados por adultos e acabam aprendendo que a arma deve ser utilizada apenas nos estandes de tiro”, explica.
E reforça: se a filha quiser participar ela terá todo o apoio da família.
Dossiê será entregue ao Legislativo Estadual
Rolf Nicolodelli, vice-presidente da associação dos Clubes de Caça e Tiro de Pomerode, disse que na próxima semana vai entregar um dossiê a alguns deputados, representantes da tregião, sobre o trabalho e sobre as atividades do Tiro. Na quarta-feira (09/01), esteve na cidade o deputado federal Peninha. Na ocasião, Nicolodelli aproveitou para mostrar a essência do Tiro para que o Deputado possa defender os Clubes na Câmara.
A intenção de Rolf é entregar o dossiê, em primeira mão ao deputado Peninha, e depois para todos os outros deputados. O dossiê é do Estado, ou seja, clubes de toda Santa Catarina que estão relacionados com suas práticas atuais. Além disso, ele frisou sobre a obrigação dos clubes em relação a legalidade dos clubes junto ao Exército, fato que traz ainda mais segurança aos praticantes da modalidade.
Questionado sobre o tema, Peninha expôs sua opinião: “Sou contra essa ação, por ser da região do Alto Vale onde os clubes existem, por ser cultura e tradição. Essa é uma maneira saudável dos jovens absorverem uma atividade saudável. Na prática da atividade há disciplina, não há estímulo à violência”.
Nas redes Sociais, o Jornal de Pomerode realizou uma enquete com a seguinte pergunta:
O que você acha do projeto de lei do deputado Florisvaldo Fier (PT-PR), que pretende proibir a participação de crianças e adolescentes em práticas de tiro?
Josiele Wagenknecht Rolf Karls:
Já não temos muitos jovens nos clubes de caça e tiro e ainda querem acabar com a participação dos jovens nas competiçoes, nao acredito nisso!
Alessandra Luize Knoch:
Ridículo, pq esta pratica faz parte da cultura alemã.
Sandra Busarello:
Que coisa mais ridícula..tem muita coisa pra esse tal de deputado se preocupar..é pra acabar..quanta idiotice.

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