Tradição como ativo digital: o novo potencial econômico da cultura
Em 2016, cerca de 15,5% do PIB de todo o planeta era gerado pela economia digital
Foto: Envato Elements
A identidade cultural de muitas comunidades é um ativo valioso. Pense na arquitetura, no folclore local ou nas tradições seculares. À primeira vista, essa riqueza parece limitada ao mundo físico. Ela atrai turistas e movimenta o comércio da região. Contudo, o que muitos não percebem é o enorme potencial econômico que está adormecido nessa identidade.
A economia está em plena transformação digital. Portanto, surge uma oportunidade significativa para explorar esse legado de uma nova maneira. Transformar essa cultura em ativos digitais não só gera novas fontes de receita, como ajuda a fortalecer e preservar a cultura.
Digitalizar a economia é uma tendência mundial
Os dados são claros quando se fala de digitalização da economia: esta é uma tendência mundial. Em 2016, cerca de 15,5% do PIB de todo o planeta era gerado pela economia digital; em 2025, a expectativa é que essa porcentagem chegue perto dos 25%.
Mais do que gerar PIB, a digitalização também cria vagas: um estudo feito no Brasil mostrou que a economia digital aumentou em 38% o número de vagas no mercado de trabalho.
Esse crescimento é alimentado pela versatilidade da economia digital: são diversas formas de adaptar a economia local para o meio digital.
Jogos, RA, marketplace e tour digital: como é possível digitalizar uma economia?
A arquitetura, festas tradicionais, a natureza local. As cidades do Brasil são compostas por diversos elementos culturais que podem ser transformados em atividades ou produtos digitais em uma economia digitalizada.
Estamos falando aqui de jogos, uso de realidade aumentada, lojas na Internet e outras tecnologias que podem impulsionar o potencial econômico de regiões com forte apelo cultural tradicional.
Uma abordagem interessante: os elementos estéticos da cultura local poderiam ser licenciados e usados como temática para diversos tipos de jogos digitais, nas mais variadas plataformas.
Por exemplo, basta olhar para o jogo Mines e ver o potencial. O título foi criado pela Spribe, uma desenvolvedora especializada no mercado de iGaming, e composto por um tabuleiro de 25 peças, todas viradas de cabeça para baixo. O objetivo do jogador é virar as peças para cima, sem encontrar as bombas escondidas. Se conseguir, recebe o pagamento.
Jogos como esse podem ser adaptados para aproveitar elementos de várias culturas. Locais com forte tradição portuguesa, por exemplo, podem usar os tradicionais azulejos em cor branca e azul para criar games semelhantes com o Mines.
Outros exemplos, para regiões com muitas atrações turísticas, incluem o uso de tours imersivos digitais para levar visitantes de vários lugares do Brasil e do mundo para conhecer a área. Para quem visitar a região presencialmente, a realidade aumentada pode enriquecer os passeios locais.
Ainda existem várias outras aplicações que podem ser mencionadas, como o uso de marketplaces para viabilizar artesãos locais e a aplicação de elementos de gamificação às rotas e trilhas da região.
Digitalizar não significa abandonar o tradicional
Isso não significa, no entanto, abandonar o cuidado com a cultura ou com a tradição local. A digitalização não é um adversário da preservação ou do cuidado. Pelo contrário: a ideia é que o digital ajude a preservar e fortalecer esse cuidado.
Dessa forma, a digitalização da economia é um meio de potencializar o valor econômico revertido para a comunidade a partir das tradições e culturas que alimentam a produção digital.