Esporte

Tiro ao Prato: concentração e muita adrenalina

Toda vez que algo novo surge nas nossas vidas, um misto de apreensão e adrenalina toma conta do corpo. Mil pensamentos também povoam a nossa mente, entre eles (e talvez o principal), o medo de não conseguir cumprir adequadamente a tarefa proposta. O esporte segue esse mesmo princípio. Quando uma nova modalidade nos é apresentada, o pensamento é que essa nova barreira precisa ser suplantada.

1 de junho de 2015

Toda vez que algo novo surge nas nossas vidas, um misto de apreensão e adrenalina toma conta do corpo. Mil pensamentos também povoam a nossa mente, entre eles (e talvez o principal), o medo de não conseguir cumprir adequadamente a tarefa proposta. O esporte segue esse mesmo princípio. Quando uma nova modalidade nos é apresentada, o pensamento é que essa nova barreira precisa ser suplantada da melhor maneira possível. Por isso, eu, Bob Gonçalves, me propus para o ano de 2014 a praticar modalidades as quais eu nunca tive contato e relatar minhas experiências nas páginas do JP Esporte, para que os leitores possam também sentir essa emoção e, ao mesmo, tempo, tomar conhecimento de um novo esporte.
Na primeira reportagem da série, a modalidade em questão vem crescendo muito em nossa cidade, tendo inclusive, conquistado a medalha de bronze nos Jogos Abertos de Santa Catarina, no ano de 2012. Falo do Tiro ao Prato, cuja equipe pomerodense iniciou seus trabalhos em 2002 e hoje figura entre as melhores de Santa Catarina. Ou seja, nada melhor do que aprender um novo esporte no meio de feras. Aproveitei o Torneio de Tiro ao Prato da Festa Pomerana, realizado no stand de tiro do Clube Recreativo e Esportivo Botafogo, para ter um contato mais estreito com armas de fogo, que nunca foram o meu forte. Já havia dado uns tiros com Carabina Apoiada, também na Festa Pomerana, mas o alvo permaneceu praticamente intacto.
Por ser minha primeira experiência, resolvi fazer o Tiro Experimental (três tiros), que julguei ser uma boa estreia dentro da modalidade. Meus instrutores foram os amigos Carlos Roberto Frutuoso e Ronaldo Fugihara, integrantes do clube pomerodense, que me mostraram como manusear a arma, alinhá-la para acertar o alvo, posição das mãos, cabeça e corpo, essas coisas. Seriam três tiros e, lógico, estava muito nervoso, ainda mais que algumas pessoas acompanhariam a minha performance. Assim que ordenei, o primeiro prato foi lançado e consegui acertá-lo. O susto foi tremendo, tanto que levei alguns segundos para me recuperar, pois, realmente, foi sorte de principiante. Confesso que não vi muita coisa, apenas apertei o gatilho.
Recuperado do primeiro impacto, me preparei para o segundo. Ainda tremendo, ordenei o lançamento do segundo prato, que permaneceu intacto após o tiro. Isso porque eu me empolguei e atirei assim que o prato alçou voo. Vendo a besteira que tinha acabado de fazer, meus instrutores falaram para eu relaxar e esperar que o prato ganhasse mais altura, para aí sim, tentar acertá-lo. Respirando fundo, posicionei-me novamente e gritei vai. Assim que o prato saiu da casa de máquinas, acompanhei-o um pouco e apertei o gatilho. Quando vi que o havia despedaçado, uma alegria tomou conta de mim, pois consegui, finalmente, realizar um tiro perfeito. Carlos e Ronaldo também me parabenizaram, pois consegui assimilar os seus ensinamentos.
O resultado até que foi satisfatório, pois consegui 2/3 de acertos, o que para um iniciante, é muito bom, número ressaltado por todos. O que levo dessa experiência é que, mesmo sob pressão, ainda mais manuseando uma arma de fogo, concentração e muita serenidade são fundamentais. Você precisa estar desligado do mundo e estar focado somente em seguir o alvo e tentar acertá-lo. Admiro quem pratica o Tiro ao Prato, principalmente em Pomerode, pelo carinho e amor com que se dedicam à causa, fatores que trazem ótimos resultados. Agradeço a oportunidade, principalmente ao Carlos e Ronaldo, por me proporcionarem mais esta experiência. Quem sabe, no futuro, eu não me animo e me torne um praticante também?

Origem do esporte – O Tiro ao Prato foi desenvolvido, em parte, para aumentar a caça de aves e de fornecer um método de treino para os caçadores. Como esporte, ele surgiu no final do século 18, quando eram usadas aves reais. A utilização de alvos de argila foi apresentado como um substituto para o pombo-passageiro (passenger pigeon), que era abundante no planeta. Estima-se que tenham chegado a existir mais de cinco bilhões de indivíduos nos Estados Unidos. As aves eram colocadas em baixo de chapéus ou em armadilhas e eram então liberados. Mais tarde, pássaros artificiais foram introduzidos na época da Guerra Civil Americana, seguidos por bolas de vidro (bogardus) e, posteriormente, os alvos de argila, que ganharam ampla aceitação. No entanto, o tiro em aves vivas ainda é praticado em algumas partes dos Estados Unidos, com o controle dos órgãos ambientais.
É uma modalidade que requer muita disciplina, concentração e agilidade em alvos em movimento. O Tiro ao Prato é praticado em todos os países do mundo e o acerto constante em várias posições e ângulos diferentes exige muito autocontrole. Um atirador profissional costuma ser quase perfeito em competições, com índices próximos a 100%. Dentre as categorias, as mais conhecidas são a Fossa Olímpica, o Trap Americano e o Trap Double. O esporte evoluiu, pois antigamente os lances de pratos eram feitos manualmente, com as mãos ou mesmo com máquinas manuais. Hoje em dia, as máquinas são 100% automáticas e inteligentes, inclusive, com sensor de voz, para que o atirador possa chamar o prato. A máquina normalmente é colocada dentro de uma traphouse (casa de máquinas), que oferece proteção para intempéries e tiros errantes, além de esconder a posição oscilante do arremesso.

Torneio – Realizado no sábado e domingo, dias 11 e 12 de janeiro, o Torneio de Tiro ao Prato da Festa Pomerana, teve números impressionantes. Segundo os organizadores, foram 197 passadas de 25 tiros (4.925), mais 60 experimentais (180), totalizando 5.105 tiros nos dois dias do torneio, sem contar os de desempate. Além disso, não foi registrado nenhum tipo de incidente, acidente ou desentendimento, o que engrandeceu ainda mais as disputas. Por esse motivo, o evento foi coroado de sucesso, graças ao empenho de nossa equipe, que não mediu esforços para que tudo saísse o mais perfeito possível. Agradeço, ainda, a divulgação do Jornal de Pomerode, bem como a presença do vereador Rafael Pfuetzenreiter, que prestigiou as disputas, declarou Ronaldo Fugihara. Os 10 melhores colocados, nas duas categorias, receberão medalhas durante o Cerimonial de Premiação, a ser realizado no dia 19 de janeiro, domingo, às 18h, durante a 31ª Festa Pomerana.

Classificações:

Força Livre

1º) Ronaldo Ortiz Fugihara (Pomerode) – 49+4 pts

2º) Sérgio Klettenberg (Agrolândia) – 49+3 pts

3º) Fábio da Silva (Indaial) – 49 pts

4º) Ivair José Dalcanali (Jaraguá do Sul) – 48 pts

5º) Danilo Kramel (Blumenau) – 48 pts

6º) Carlos Felipe (Ituporanga) – 47 pts

7º) Elton Klemann (Pomerode) – 46 pts

8º) Antônio Hertz (Guarapuava) – 46 pts

9º) Carlos Roberto Frutuoso (Itajaí) – 46 pts

10º) Wilmar Carbral Henrique (Joinville) – 46 pts

 

 

Iniciantes

1º) Rafael Rausch (Blumenau) – 25 pts

2º) Carlos Roberto (Ituporanga) – 24+12 pts

3º) Peter Ricardo Eckelberg (Blumenau) – 24+11 pts

4º) Chandinei Fernando Scoz (Rodeio) – 24+8 pts

5º) Fábio Irineu (Indaial) – 24 pts

6º) Geison Carlos Manske (Schroeder) – 24 pts

7º) Irineu Ruediger (Blumenau) – 23 pts

8º) Carlos Helmuth Uhlendorf (Rio do Sul) – 23 pts

9º) Levi Jones Pasold (Blumenau) – 22 pts

10º) Antonio Motta Filho (Blumenau) – 21 pts

 

Fotos: BOB GONÇALVES /JP e DIVULGAÇÃO

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