STF impõe uso de tornozeleira eletrônica e proíbe Bolsonaro de usar redes sociais
Ex-presidente também está impedido de manter contato com Eduardo Bolsonaro e diplomatas; operação da PF apreendeu dinheiro em espécie
Foto: Antonio Augusto/STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo, na manhã desta sexta-feira, dia 18 de julho, de uma operação da Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão em sua residência, em Brasília, e na sede do Partido Liberal. As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também impôs uma série de restrições cautelares ao político.
Entre as determinações está o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar noturno, entre 19h e 7h, inclusive aos fins de semana. Bolsonaro também está proibido de usar redes sociais, de manter contato com outros réus e investigados do STF, e de se comunicar com embaixadores, diplomatas estrangeiros e o próprio filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos.
A operação da PF teve como base uma representação que apura possível obstrução da Justiça por parte de Eduardo Bolsonaro. Segundo apurado, há suspeitas de coação no curso do processo, tentativa de obstrução e ataque à soberania nacional. Os investigadores também apontaram risco de fuga do ex-presidente, que estaria buscando asilo político com o ex-presidente americano Donald Trump.
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie na casa de Bolsonaro. Também houve a apreensão de seu telefone celular. De acordo com a defesa do ex-presidente, representada pelo advogado Celso Vilardi, ainda não foi determinado depoimento por parte do STF, e qualquer manifestação só ocorrerá após o acesso integral à decisão.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer favorável às medidas cautelares. Bolsonaro é réu em uma ação penal que tramita no STF, que investiga possível tentativa de golpe de Estado. Na última segunda-feira, a PGR apresentou alegações finais pedindo a condenação do ex-presidente por cinco crimes.