Esporte

Sinônimo de disciplina

Nesta edição, o Jornal de Pomerode traz mais uma matéria sobre o Jiu Jitsu do município e o projeto da Academia
Elemental Fitness

18 de novembro de 2015

João Duarte da Encarnação Neto, 31 anos, faixa marrom de Jiu Jitsu. Mais um dos grandes nomes da arte marcial em Pomerode. Em entrevista ao JP, João comenta sobre o que lhe motivou a entrar no Jiu Jitsu.” Estou na arte marcial desde os seis anos, comecei com o judô. Como em Pomerode não temos muita procura, na época a turma acabou. Eu era muito novo também. Voltei a praticar judô aos 13 anos, mas por desinteresse meu preferi jogar bola ao invés de lutar. Com 19 anos eu quis voltar, mas acabei treinando Jiu Jitsu. Relutei um pouco, mas desde então não parei mais, são 11 anos de Jiu. Dou aula há seis anos, sou viciado na luta”.

Sobre o projeto na academia, João conta que a iniciativa é trazer algo completo para quem quer aprender. “A nossa ideia é bem diferente das outras academias. Aqui somos uma escola de Jiu Jitsu, aprendemos num todo, não só para treinar.Aprendemos a história, filosofia e a arte marcial em si, não só o esporte. O Jiu não é apenas esporte, é disciplina.

Fazemos a diferença. Quem chega aqui para aprender tem a explicação de como tudo funciona. O aluno não pode falar palavrão, não pode se encostar na parede, tem que cumprimentar todos os graduados. Fazemos trabalho escrito sobre o Jiu, sobre os criadores. É algo bem completo. Para a nossa filosofia, o esporte é uma parte do Jiu. Para chegar na faixa preta, o atleta tem que competir, tem que se testar, tem que conviver com essa rotina. É muito fácil só treinar e achar que é bom. Não é uma obrigação ganhar, ele tem que entender como funciona e se testar, conhecer o oponente”.

O professor também comenta que, na maioria dos casos, a história de seus alunos envolve superação. “90% dos atletas tem uma grande força de vontade e superação. Temos ex-drogados, ex-obesos, um cara que era alcoólatra e hoje está limpo, alunos que agora interagem muito com a gente, adolescentes que saíram de um caminho ruim. Com toda certeza mudou e muda a vida destas pessoas. O Jiu Jitsu mudou totalmente a minha vida também. Nunca fui de arrumar confusão, mas sempre fui retraído. Hoje sou muito mais seguro, me sinto melhor, tenho uma postura diferente. Sou reconhecido na arte e fora da academia como um cara respeitoso”.

Sobre as conquistas pessoais e da equipe, João comenta que o grupo carrega várias medalhas. “Tenho muitas conquistas na região. Já competimos Sul-Americano. Hoje temos em média 35 alunos, é um projeto grande, a turma caminha junto há dois anos. Já cheguei a ter 50 alunos, logo quando deu o estouro do UFC, mas fica quem realmente quer lutar”.

João relata também que acredita que o Jiu Jitsu seja a base do MMA. “Como o UFC começou por conta do Jiu, com os Gracie, creio que em uma briga de rua ou no MMA, no ‘mano a mano”, o Jiu vai prevalecer. Quando o cara não quer ser acertado, ele realmente não é. O leigo no chão vira uma ‘menininha”, pois não finaliza sem querer um graduado no Jiu. Se não for a principal, tem que ser a luta secundária de um atleta. Sou um viciado no MMA há mais de 15 anos. Hoje em dia é perigoso, pois todo mundo está praticando. Existem muitos professores graduados que não tem condições de ensinar, estão enganando os alunos. É complicado, tentamos fazer a diferença”.

Para quem quer treinar, João deixa um convite. “Estamos aqui sempre.Segundas, quartas e sextas, de manhã e a tarde. Durante a noite, estamos aqui em todos os dias”.

A arte no Brasil – A história do Jiu Jitsu no Brasil é ligada a Mitsuyo Maeda, mais conhecido como Conde Koma. Maeda foi aluno de Jigoro Kano e sua escola Kodokan de artes marciais. Maeda foi um dos principais alunos de Kano, e foi convidado para ajudar a mostrar para o mundo a eficiência de sua arte. Viajaram através dos Estados Unidos, Inglaterra e muitos outros países antes de pisar no Brasil. Foi aqui que foi apresentado à Carlos Gracie, aluno que chamou a atenção de Maeda. Apesar de muitas pessoas definirem Carlos como o único representante de Koma no Brasil, ele não seria o único a desenvolver a sua Escola de Jiu Jitsu. Luiz França, foi também um grande nome da arte.

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