Rudibert Hackbarth, o mestre da bocha em Pomerode
Morador de Pomerode acumula 13 títulos na modalidade e uma vida dedicada ao esporte
Foto: Isadora Brehmer / JP
A bocha em Pomerode tem um nome que atravessa gerações: Rudibert Hackbarth, de 76 anos. Reconhecido como o atleta com o maior número de títulos da modalidade no município, ele soma 13 conquistas ao longo da carreira, além de inúmeras participações em pódios, torneios regionais e homenagens que marcaram sua trajetória no esporte.
Natural de Pomerode, Rudibert começou a jogar bocha aos 18 anos, em uma época em que o esporte era uma das principais formas de lazer da comunidade. A primeira cancha em que jogou ficava onde hoje está o fica a sede do Polnow, atual campeão do municipal de bocha. Ali, ao lado de amigos, começou a escrever sua história. “Era o lazer que a gente tinha. Tinha a cancha perto, todo mundo se reunia para jogar”, relembra.
As primeiras disputas eram improvisadas, com bolas de madeira, iluminação feita por lampiões e canchas de barro. “Era difícil enxergar direito, mas a gente jogava do mesmo jeito. Quando surgiram as bolas de marfim, foi quase como aprender a jogar novamente”, conta o atleta.
Rudibert sempre se destacou como ponteiro, aquele que busca colocar a bola o mais próximo possível do alvo. A precisão se transformou em títulos. Entre os principais, estão as conquistas do Campeonato Municipal de Bocha, quando passou a ser organizado pela antiga Funpeel (hoje Secretaria de Eventos, Esporte e Lazer), que passou a organizar os campeonatos oficiais na cidade a partir de 2006. Só nessa competição ele levantou o troféu 10 vezes.
Além disso, conquistou campeonatos como a Copa dos Amigos e a Copa Fidelis, de Blumenau. Os anos de 1988 a 1993 foram de ouro para o atleta, período em que acumulou vitórias consecutivas. Depois, entre 2006 e 2008, voltou à ativa representando a cancha do Gilmar, conquistando novos títulos e enfrentando grandes finais contra equipes como a Cia dos Amigos. “Em 2008 perdemos a final, foi muito disputado. Mas em 2007 já tínhamos vencido, foi uma grande conquista”, relembra.
Uma vida entre a música e o esporte
Além da bocha, Rudibert também teve uma vida dedicada à música. Durante anos, dividiu o tempo entre a paixão pelas canchas e o compromisso com as apresentações musicais. Em 1993, chegou a se afastar dos campeonatos justamente pela dificuldade de conciliar as duas atividades. “Eu tinha 37 anos, era músico, e nunca deixei de cumprir meus compromissos. Mas quando dava, lá estava eu, na cancha de bocha”, explica.

Rudibert e a esposa, após a conquista de mais um título do municipal de Bocha. (Foto: Isadora Brehmer / JP)
Em 2006, ao deixar a música, o atleta voltou a participar mais ativamente dos torneios, renovando a paixão pelo esporte e reforçando sua presença nas competições locais.
Reconhecimento e legado
Em 2023, Rudibert foi surpreendido com uma homenagem especial durante o municipal de bocha da cidade, reconhecendo sua contrubuição para o esporte e agradecendo pelos anos dedicados à modalidade. “Eu não sabia de nada, foi emocionante. Ver esse reconhecimento depois de tantos anos foi uma surpresa muito grande e me senti muito feliz”, conta.
Tranquilo e respeitado dentro das quadras, ele carrega não apenas títulos, mas também a admiração dos colegas. “Na equipe, comigo ninguém se incomodou. Sempre joguei de forma tranquila e leal. O que me motivava era a vontade de jogar bocha e estar junto dos amigos”, afirma.

Rudibert com as netas e bisneto. (Foto: Isadora Brehmer / JP)
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Mesmo aos 76 anos, Rudibert não pensa em parar. Com saúde e disposição, ele já projeta novas participações. “Se Deus permitir, quero continuar jogando. A vontade está aí”, garante o atleta, que segue sendo inspiração para os mais jovens e referência no esporte de Pomerode.
Com 13 títulos e uma trajetória de dedicação e amor pela bocha, Rudibert Hackbarth não é apenas o maior campeão da modalidade em Pomerode. Ele é a prova viva de que o esporte, mais do que troféus, constrói histórias, amizades e legados.