Projeto Sonho Musical mantém viva a herança dos imigrantes e transforma vidas em Pomerode
Iniciativa que ultrapassa uma década fortalece tradições, democratiza o acesso à música e se consolida como referência cultural no município
Foto: Isadora Brehmer / JP
Em Pomerode, a tradição é parte essencial da identidade coletiva, por isso, iniciativas culturais ganham ainda mais força quando dialogam diretamente com a história dos imigrantes que moldaram o município.
Esse é o caso do Projeto Sonho Musical, programa que ultrapassa dez anos de existência e que, nos últimos cinco, passou a atuar oficialmente sob este nome. Mantido pela Secretaria de Turismo, Cultura e Desenvolvimento Econômico de Pomerode, o projeto se tornou uma das principais portas de entrada para a formação musical na cidade, preservando instrumentos, sonoridades e práticas trazidas pelos antepassados europeus.
O objetivo central do Sonho Musical é claro: oferecer aulas dos instrumentos tradicionais introduzidos pelos imigrantes, garantindo que a cultura musical permaneça viva entre as novas gerações. Mas a proposta vai além da técnica. O projeto também democratiza o acesso à educação musical, permitindo que crianças, jovens e adultos tenham contato com instrumentos historicamente relevantes, fortalecendo a identidade local e promovendo inclusão.
Mais de 100 alunos atendidos em 2025
O impacto do projeto pode ser medido em números e em histórias transformadas. Somente em 2025, o Sonho Musical atendeu mais de 100 alunos, com um quadro de sete professores responsáveis por conduzir as aulas. Nesta edição, os instrumentos disponibilizados foram: bandoneon, acordeon, violino, viola, violoncelo e violão, todos com forte ligação à tradição musical europeia.
Esse conjunto de instrumentos forma a base de sonoridades típicas que, ao longo do tempo, se tornaram parte do cotidiano cultural da cidade. “A proposta é manter o legado vivo, difundindo a cultura e possibilitando que mais pessoas tenham acesso à formação musical”, explica Maicon Rocha, maestro, professor e coordenador do projeto.
Agenda intensa: mais de 20 apresentações ao longo do ano
O ano de 2025 também foi marcado por uma presença expressiva do Sonho Musical na agenda cultural do município. O grupo participou de mais de 20 apresentações e eventos comemorativos, sempre registrando bom público e demonstrando o potencial artístico dos alunos.
Cada apresentação é vista como uma vitrine do trabalho desenvolvido durante o ano e, ao mesmo tempo, um presente para a comunidade. Para Maicon, esses momentos têm significado especial: “Foram apresentações muito marcantes. Ver os alunos no palco, representando essa trajetória, é sempre uma emoção enorme.”
Encerramento de ciclo e expectativa para 2026
Com o fim do período de execução de 2025, o projeto já organiza os preparativos para o próximo ano. A previsão é que as aulas iniciem em março de 2026, e, para isso, a equipe realizará uma divulgação massiva, informando a comunidade sobre vagas e disponibilidade de horários.
A intenção é ampliar o alcance do Sonho Musical, oferecendo mais oportunidades aos moradores. “Esperamos poder atender ainda mais alunos e estar cada vez mais envolvidos nas festividades e atividades culturais do município”, diz Maicon.
A importância do projeto para Pomerode é descrita como “imensurável”. Os benefícios sociais e culturais refletem diretamente na formação de uma comunidade mais ativa, consciente e participativa. Além de fomentar o acesso à educação e à cultura, o Sonho Musical tornou-se um verdadeiro cartão postal cultural da cidade, acompanhando eventos oficiais, fortalecendo a identidade local e contribuindo para o turismo.
“Os resultados aparecem não apenas no palco, mas no desenvolvimento humano dos participantes. Iniciativas assim reforçam o papel transformador da arte no cotidiano das pessoas”, enaltece.
A trajetória de quem conduz o sonho
A história pessoal do coordenador do projeto reforça a dimensão simbólica e emocional que a música pode ter. Aos 41 anos, Maicon Rocha começou sua jornada musical aos seis anos de idade. Desde então, trilhou caminhos que o levaram ao universo da música orquestral, participando de turnês pela Europa e construindo uma carreira dedicada à educação e à regência.
Hoje, atua como maestro, professor e coordenador de projetos musicais na região norte de Santa Catarina. Ao olhar para sua própria trajetória, sintetiza o impacto que a música teve em sua vida. “A música me abriu caminhos que, sem ela, seria inimaginável tê-los trilhados.”