Saúde

Proibição do PMMA: entenda os riscos do preenchedor que pode causar deformidades e insuficiência renal

Material sintético e permanente pode provocar inflamações crônicas, deformidades, necrose dos tecidos e até insuficiência renal; complicações podem aparecer anos após a aplicação

16 de junho de 2026

Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA / Jornal de Pomerode

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso médico do polimetilmetacrilato (PMMA) como preenchedor estético e reparador em todo o Brasil. A decisão reforça um alerta já conhecido por especialistas da área da saúde sobre os riscos relacionados ao uso de substâncias permanentes para fins estéticos.

A medida foi anunciada após a divulgação de uma nota técnica do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que reuniu evidências científicas e registros de complicações associadas ao produto. Com a nova regulamentação, o PMMA permanece autorizado apenas em situações específicas para o tratamento da lipodistrofia facial em pacientes com HIV/aids atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O PMMA é um material sintético e não absorvível pelo organismo, utilizado há décadas em procedimentos estéticos e reparadores. Entretanto, a permanência da substância no corpo passou a ser motivo de preocupação diante do aumento de casos de complicações graves e, em muitos casos, de difícil tratamento.

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Segundo a médica Caroline Daitx, especialista em Medicina Legal e Perícia Médica e pós-graduada em Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente, a principal razão para a proibição está justamente no caráter permanente da substância.

“O PMMA é um material não absorvível e de difícil remoção, que pode provocar complicações tanto imediatas quanto tardias. Mesmo após anos de utilização, observou-se que seus efeitos podem ser imprevisíveis, especialmente quando utilizado em procedimentos estéticos ou em grandes volumes”, explica.

Foto: Moniz Caldas

Entre as principais complicações associadas ao uso do PMMA estão inflamações crônicas, formação de granulomas e nódulos, infecções, necrose dos tecidos, migração do produto para outras regiões do corpo e deformidades permanentes.

Nos casos mais graves, os pacientes podem apresentar embolia pulmonar, alterações visuais decorrentes de oclusão vascular, hipercalcemia severa e até insuficiência renal, com necessidade de hemodiálise.

“São ocorrências que podem exigir múltiplas cirurgias corretivas, longos períodos de internação e acompanhamento médico contínuo. Em casos extremos, existe risco efetivo à vida do paciente”, destaca a especialista.

Complicações podem surgir anos depois

Um dos fatores que mais preocupam os especialistas é o aparecimento tardio dos efeitos adversos. Diferentemente de outros procedimentos estéticos, cujas complicações geralmente se manifestam em curto prazo, o PMMA pode permanecer no organismo por muitos anos antes de provocar sintomas.

“Há relatos documentados de complicações surgindo entre cinco e dezesseis anos após a aplicação. Por isso, muitas pessoas acreditam que o procedimento foi bem-sucedido e seguro, quando na verdade o risco continua existindo”, afirma Caroline Daitx.

Os sinais de alerta incluem dor persistente, endurecimento da região tratada, formação de nódulos, vermelhidão, aumento da temperatura local, inchaço, secreção, deformidades progressivas, alterações na coloração da pele, febre e outros sintomas sistêmicos.

Orientação para quem já realizou o procedimento

A recomendação para pessoas que já realizaram procedimentos com PMMA é procurar acompanhamento médico, mesmo que não apresentem sintomas.

“Não significa que todos os pacientes precisarão remover o produto preventivamente, mas é importante que a aplicação seja documentada e acompanhada. O médico poderá orientar sobre sinais de alerta e definir uma conduta individualizada conforme cada caso”, orienta a médica.

Ela ressalta ainda que qualquer manifestação de dor, inflamação, infecção, endurecimento ou deformidade deve motivar avaliação médica imediata.

Para a especialista, a decisão do CFM representa um avanço importante na proteção dos pacientes e reforça a necessidade de que procedimentos estéticos sejam realizados com critérios rigorosos de segurança, eficácia e acompanhamento a longo prazo.

Fonte: Caroline Daitx, médica especialista em Medicina Legal e Perícia Médica.

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