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Produzindo memórias por meio das bebidas

Priscila Kinas é mestre em destilados e terá sua produção de bebidas em uma residência centenária, em Pomerode

18 de maio de 2024

Foto: Arquivo pessoal

A produção de cervejas e bebidas alcoólicas destiladas começou como um hobby para Priscila Natasha Kinas, mas depois se tornou uma segunda profissão para a professora universitária, que hoje é fundadora e proprietária da Maria Quitéria Destilaria Artesanal, cuja sede será em uma casa centenária, em Pomerode.

Formada em Biologia, Doutora em Planejamento e Desenvolvimento Socioambiental, Priscila é professora universitária, apaixonada pela arte de degustação e na produção de cervejas e destilados, além de possuir pós-graduação em Tecnologia Cervejeira, ser Sommellier DOEMNS / ESCM, mestre em destilados e, atualmente, estudar para ser mestre cervejeira pela Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), de Blumenau.

Segundo a mestre em bebidas destiladas, as tentativas de produção de cerveja artesanal começaram como um passatempo e, conforme foi gostando da prática, foi aperfeiçoando seus conhecimentos e se aprofundando no assunto.

“A vontade de trabalhar com bebidas surgiu após o término do meu doutorado. Estabeleci minha carreira profissional como professora universitária da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), e queria ter um hobby para mim. Então, comecei a fazer cervejas e desenvolvi esta paixão por fazer bebidas. Depois, conheci a Escola Superior de Cerveja e Malte, em Blumenau, e lá comecei a me aperfeiçoar, gostando cada vez mais do assunto. Busquei mais conhecimento, e assim fui produzindo outros tipos de cerveja e também de destilados”, conta Priscila.

Para a bióloga e doutora em Planejamento Socioambiental, além de ser um hobby, a produção de bebidas também se tornou a continuação de um legado familiar. “A parte curiosa disso é que algumas lembranças da infância são ver o meu avô produzindo licores artesanais. Eu colhia com ele as frutas utilizadas para produzir o licor, e observava ele fazendo as bebidas, então é algo que vem de família”, complementa.

Segundo Priscila, a produção de cervejas é para consumo pessoal e, profissionalmente, seu foco são as bebidas destiladas, especialmente a vodca. Para a marca Maria Quitéria, são produzidos três tipos de vodca: tradicional (neutra), vodca de lúpulo (plantado no quintal de sua casa), e vodca de baunilha. Sua produção é considerada artesanal pela litragem, mas dentro das regulamentações exigidas.

“Também estamos desenvolvendo a receita de uma vodca de café e um bitter neutro de café, que logo estarão no mercado”, revela.

 

Uma mulher no mercado de bebidas alcoólicas

Para Priscila, embora ainda seja um mercado e um meio com presença predominantemente masculina, a área de bebidas alcoólicas tem a necessidade do público feminino e acolhe as mulheres que embarcam nessa iniciativa.

“Hoje estou matriculada em um curso da Escola da Cerveja, no qual temos mais de 100 homens matriculados, e nas provas presenciais eu era a única mulher. Não vou mentir e dizer que em um primeiro contato eu me senti um pouco intimidada, mas após algumas aulas eu me senti em casa. Incrivelmente, embora o mercado pareça machista, não discrimina as mulheres, ele acolhe. O mercado de bebidas alcoólicas sente a necessidade de o público feminino estar à frente, de estar estudando, se especializando. Sinto um acolhimento bacana por parte dos colegas e conheci pessoas maravilhosas, o que é primordial para nos sentirmos confortáveis”, pondera Priscila.

Além disso, para a mestre em destilados, todo o resto tem menos importância em comparação ao fato de estar trabalhando com uma área que a conquistou e que combina com um sonho seu.

“Meu sonho sempre foi ter um bar. Sempre gostei de blues, de rock, de estar com as pessoas, curtir com elas, então havia a ideia de ter uma cervejaria, onde as pessoas pudessem vir e degustar as bebidas que eu produzia, apreciando boa música e gastronomia. Com este sonho adquiri uma casa em Pomerode, construída em 1880, conhecida como o Comercial Pasold. É o local onde resido e que transformamos em hospedaria para resgatar as raízes e a história da construção, mas que também está em processo de liberação, regulamentação dos órgaos competentes para ser a destilaria onde produziremos as bebidas da Maria Quitéria”, frisa a mestre em destilados.

 

O amor pela profissão como combustível

Hoje, é Priscila quem realiza todo o trabalho relacionado à marca Maria Quitéria, contando com a parceria de um amigo, Cláudio Hosang, que possui a Doca Destilaria, onde são produzidas as bebidas, por enquanto. Para a mestre em destilados, o amigo foi um mentor, um parceiro que a apoiou para tornar a Maria Quitéria uma realidade. A qualidade do produto, segundo Priscila, está diretamente ligada a este apoio que está recebendo.

Além disso, o segredo para produzir uma bebida de qualidade, segundo a profissional, é a paixão por aquilo que está sendo feito.

“Quando se é apaixonado por algo, você busca conhecimento, aprimoramento, aperfeiçoamento, quer melhorar sempre. O segredo, para mim, é amar o que faz. Com isso é fácil fazer uma boa bebida. Ainda, eu acredito que a maior alegria de um mestre dos destilados e cervejeiro é ver as pessoas apreciando a sua bebida, que ela marque um momento importante da pessoa, trazendo depois uma memória afetiva. Por exemplo, eu sou fã de baunilha, que remete muito à minha infância, então, quando desenvolvemos a receita da vodca de baunilha, queríamos trazer estas memórias de infância. A ideia é conseguir fazer com que as pessoas tenham recordações gostosas daquele momento, com a bebida, e a qualidade do produto está atrelada a isso. Sou apaixonada pela área das bebidas destiladas e o que me motiva é a alegria, o prazer de produzir boas bebidas e, com isso, promover bons momentos e felicidade às pessoas”, enaltece a mestre em destilados.

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