Educação

Preto: em sinal de repúdio e solidariedade

Educadores de Pomerode aderem a campanha que vai contra a violência aos professores que ocorreu em Curitiba na
semana passada

12 de maio de 2015

Um cenário de guerra. Foi assim que muitos veículos de comunicação descreveram o que estava acontecendo em frente a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na tarde do dia 29 de abril de 2015. Cerca de 1.600 policiais cercaram o local.

Estavam ali para impedir a entrada de professores e servidores públicos contrários à votação final do projeto de reforma da Paranaprevidência. O projeto propõe que 33 mil beneficiários com 73 anos ou mais sejam transferidos do Fundo Financeiro, mantido pelo Tesouro estadual, para o Previdenciário, bancado por contribuições dos servidores. O governo, assim, deixaria de pagar sozinho as aposentadorias. Com essa mudança na origem do custeio, a administração economizaria mensalmente R$ 125 milhões.

Aproximadamente 10 mil pessoas estavam protestando contra o projeto. Entretanto, durante as manifestações, iniciou-se um confronto entre os manifestantes, a maioria professores, e a PM. O ato foi reprimido pela polícia com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. A situação voltou ao normal por volta das 17h. Segundo dados levantados no local, cerca de 200 pessoas ficaram feridas no conflito. Oito foram levados ao hospital em estado grave, três deles com traumatismo craniano, de acordo com a prefeitura de Curitiba. Os feridos foram levados para o subsolo do prédio da Prefeitura de Curitiba, que foi transformado em uma espécie de “ambulatório”.

Passado o confronto, veio a revolta. Professores de todo o país publicam fotos vestindo roupas pretas em repúdio à violência na repressão do protesto da categoria no Paraná. Nas redes sociais, os professores usam as hashtags #vadepreto e #vadeluto para marcar o protesto. As mensagens demonstram solidariedade aos colegas da rede estadual paranaense. 

Em Pomerode, não foi diferente, na maioria das escolas da cidade, muitos professores foram trabalhar de preto, em solidariedade aos professores paranaenses. A iniciativa foi das próprias escolas, que combinaram com seus professores e funcionários a ideia. “Temos que defender a nossa classe. O que aconteceu no Paraná não deve se repetir”, disse um dos professores da rede de ensino municipal. Além de vir de preto, alguns professores de matérias como Filosofia, Sociologia e História também abordaram estes assuntos em sala de aula, para discutir sobre o ato com seus alunos. Algumas escolas irão repetir o ato durante essa semana.

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