Praticando o bem desde cedo
Voluntária, de apenas 21 anos, conta como ingressou no Projeto Sorriso
O voluntariado é uma ação que exige comprometimento e maturidade, para que seja levado a sério o compromisso assumido. E tal nível de comprometimento nem sempre tem a ver com a idade da pessoa que se oferece como voluntária e, por vezes, a vocação para a tarefa surge cedo na vida de uma pessoa.
Foi isso que aconteceu na vida de Vitória Stefane dos Santos Ferreira, de 21 anos, uma das voluntárias mais novas a ingressar no Projeto Sorriso de Pomerode. Ela comenta que a vontade de fazer parte do Projeto surgiu por meio de uma conversa com uma colega de trabalho. “Foi no ano passado, então procurei o projeto nas redes sociais, no Instagram, principalmente, e decidi fazer a minha inscrição”, conta.
Após a inscrição ser aceita, o voluntário precisa passar por uma capacitação, para se preparar para atuar como Clown. Durante este tempo, é feito um trabalho para que o voluntário encontre a sua identidade de Clown, que é definitiva, enquanto o voluntário estiver na ativa.
“Minha descoberta como clown durou quase um ano, pois a escolha tem que ser uma coisa muito assertiva, já que não é possível trocar. Então foi preciso eu me analisar para chegar a uma conclusão e, com a ajuda de algumas pessoas, cheguei a Kleine Poba. A descoberta da Dr. Kleine Poba aconteceu por meio da empresa, onde as colegas de trabalho me chamam de ‘kleine’ que significa ‘pequena’, em alemão, e por eu vir de uma cultura diferente da cidade, associamos que ficaria engraçado o Kleine, justamente por eu não ter os traços da cultura. E ali foi quando surgiu a Kleine Poba”, revela Vitória.
Para a moça, ser voluntário significa ter empatia com o próximo, olhar com amor e sentir bem com isso. “Penso que é tentar ser luz, em forma de gente, a cada visita aprendo algo novo. É uma experiência única”, ressalta.
Porém, com a pandemia do novo coronavírus, as visitas do grupo ao Hospital e ao Pommnernheim foram suspensas, por questões de segurança, tanto para os voluntários quanto aos pacientes e idosos. Vitória admite que esta tem sido uma situação diferente.
“Tem sido um tempo de saudades, não estamos podendo fazer nossas visitas nem atuar, então está sendo difícil não fazer as visitas e receber o carinho e o amor dos opas e omas”, afirma. Porém, ao mesmo tempo, ela destaca o amor pelo voluntariado e pelo projeto, e incentiva outras pessoas a se engajarem em projetos de voluntariado.
“Se você tiver a oportunidade de fazer o dia de alguém melhor, faça! Você é a diferença diante desse mundo, o Projeto Sorriso só tem me acrescentado nessa experiência, são momentos únicos e incríveis, nos quais você vai com a expectativa de levar o amor e sai de lá sendo amado. E não existe nada melhor que fazer o bem sem olhar a quem”, enaltece.
Adaptações em tempo de pandemia
A coordenadora do Projeto Sorriso em Pomerode, Tânia Luize Weh, comenta que o grupo, durante a quarentena, absteve-se dos trabalhos logo no início do mês de março, tanto no Pommernheim, quanto nos hospitais. “Essa decisão foi tomada pelos coordenadores locais dos cinco Núcleos (Blumenau, Gaspar, Pomerode, Timbó e Ibirama) juntamente com os coordenadores gerais. Percebemos logo o perigo que rondava, tanto para nossos Voluntários como aos pacientes, idosos e todos que integram as instituições. Além de levar alegria, temos a responsabilidade de zelar também pela segurança e bem estar de todos que recebem aos Doutores Palhaços”, reforça Tânia.
Porém, como a alegria tem que ser constante, o Projeto tem encontrado formas de manter-se na ativa, mesmo em meio à quarentena, contando com a internet como forte aliada.
“Estamos realizando algumas lives entre os voluntários do Projeto Sorriso, dos cinco núcleos e também de projetos-irmãos, aproveitando o momento também para estudar. Há vários profissionais da área que disponibilizam cursos online e repassamos aos voluntários para apreciarem a oportunidade de aprendizado. Também estamos fazendo vídeos onde cada ‘doutor’ se apresenta e alguns sendo elaborados”, enumera a coordenadora.

Recentemente, o Projeto teve, em Pomerode, a inclusão de seis novas voluntárias que, infelizmente, por conta da quarentena, não tiveram a oportunidade de iniciar seus trabalhos como Doutoras Palhaças. Elas estão sendo orientadas nessa fase de descobertas do Clown, fazendo sua desconstrução (a pessoa passa por esse processo para que seu palhaço seja descoberto), começando a abrir a realidade deste universo e trabalhando seu figurino e suas habilidades. A seleção para novos voluntários se dará ao momento que toda essa situação passar e a coordenação perceber a necessidade nas equipes.
O candidato passa por uma seleção de três meses onde precisa deixar perceber o seu clown, comprometimento, sua forma de ver o mundo, relacionamento com pessoas. Essa avaliação é imprescindível para participação no Projeto Sorriso pela seriedade de nosso trabalho.
“Essa época da quarentena não está sendo fácil pra ninguém, para o Doutor Palhaço que se dedica a levar alegria aos hospitais e asilos é difícil conter a vontade de estar nos corredores, quartos, entre nossos opas e omas do Pommernheim, brincando, cantando, conversando, rindo, levando essa energia transformadora da alegria. E essa mesma energia nos faz ter a certeza de que tudo isso vai passar e não tarda estaremos novamente fazendo o que amamos, colhendo os mais belos sorrisos entre nossos amados amigos que se encontram necessitados de cuidados. Temos que ter paciência e esperança. Tão logo passe a pandemia, o Projeto Sorriso estará novamente levando amor, alegria, carinho, força, bem estar a todos que estejam precisando desses remedinhos iluminados”, finaliza.
