Comunidade

Pomerode tem média de uma denúncia de violência doméstica a cada 4 dias, aponta Rede Catarina

Idade média das vítimas é de 38 anos, seguindo tendência estadual

17 de setembro de 2025

Soldado Mariele apresenta tema sobre violência doméstica no Agosto Delas, em Pomerode (Foto: Eliane Cristina/JP )

A violência doméstica segue sendo uma preocupação em Pomerode. Em 2024, a Rede Catarina realizou 94 atendimentos a mulheres vítimas de violência, o que equivale a uma média de uma denúncia a cada quatro dias, segundo dados divulgados pela Polícia Militar.

Apesar dos números, o aumento nos registros não significa, necessariamente, que os casos cresceram, mas que mais mulheres estão encontrando coragem para denunciar situações que já ocorriam.

De acordo com a soldado Mariele Zendron, que atua na Rede Catarina em Indaial, diversos fatores podem estar relacionados à violência doméstica, como uso de drogas e álcool, vulnerabilidade socioeconômica, histórico familiar de agressões e dependência financeira ou emocional.

“Nem sempre o aumento de denúncias significa aumento de violência, mas sim a coragem que mulheres estão encontrando para denunciar violências que já acontecem há bastante tempo”, explica Mariele.

A idade média das vítimas em Pomerode é de 38 anos, o que segue a mesma tendência estadual. Já em relação à variação dos registros ao longo do ano, não há estudos específicos, mas acredita-se que em períodos festivos, como Natal e Ano Novo, a violência tende a aumentar.

Entre as principais ações de enfrentamento, a Rede Catarina promove palestras em empresas e escolas, além de divulgar orientações em canais oficiais, como o Instagram. Em âmbito estadual, a Polícia Militar realiza operações preventivas e, em 2024, contabilizou mais de 25 mil visitas preventivas. Segundo o Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Ipea, Santa Catarina está entre os estados com os menores índices de feminicídio do país.

O gráfico mostra que Santa Catarina mantém uma das menores taxas do Brasil em toda a série histórica, ficando abaixo da média nacional e em posição de destaque ao lado de estados como São Paulo e Distrito Federal.

Os canais de denúncia continuam sendo fundamentais para combater esse tipo de crime. Situações de violência podem ser comunicadas pelo número 180 ou diretamente nas delegacias da Polícia Civil. Em casos de flagrante, é essencial acionar o 190, da Polícia Militar.

A soldado Mariele deixa uma mensagem às mulheres que ainda têm medo de denunciar:
“Você não está sozinha! Buscar ajuda é um ato de coragem e o primeiro passo para a proteção. A violência não é culpa sua. Todas as mulheres merecem viver sem medo, com dignidade e paz. O município dispõe de uma rede de proteção, como a Polícia Militar, Polícia Civil, CREAS, CRAS, OAB Por Elas, dentre outros. Pequenos avanços contam e, com o tempo, você encontrará clareza, força e a liberdade que merece.”

Notícias relacionadas