Pomerode pode chegar a 53 mil habitantes e terá de ampliar oferta de moradias, aponta diagnóstico
Estudo apresentado nesta terça-feira (25) aponta déficit de 1.088 domicílios, pressão do custo do aluguel e necessidade de novas estratégias habitacionais para acompanhar o crescimento da cidade
Foto: Tamara Kanies / Divulgação
Pomerode terá de ampliar a oferta de moradias nas próximas décadas para acompanhar o crescimento da população e as mudanças no perfil das famílias. A conclusão faz parte da Análise Situacional da Habitação em Pomerode, diagnóstico elaborado pelo Instituto DEL (Desenvolvimento Econômico Local), com base em dados oficiais, e apresentado nesta terça-feira (25), no Auditório da Prefeitura Municipal.
O levantamento analisou a evolução de Pomerode desde 1970 e projetou diferentes cenários para a população e o déficit habitacional até 2050. Atualmente, o município tem população estimada em 37.003 habitantes.
Nos três cenários considerados pelo estudo, a população continuará crescendo. Até 2050, Pomerode poderá chegar a 47.390 habitantes no cenário conservador, 50.100 no cenário tendencial e 53.180 no cenário expandido.
No cenário mais expansivo, o crescimento representa um aumento de 43,7% em relação a 2025.

Foto: Tamara Kanies / Divulgação
Além de dimensionar o déficit habitacional, o diagnóstico busca mostrar que a questão da moradia está diretamente relacionada ao crescimento econômico do município, à chegada de novos moradores, às mudanças no perfil das famílias e à geração de empregos.
Déficit habitacional chega a 1.088 domicílios
Um dos principais números apresentados pelo diagnóstico é o déficit habitacional estimado em 1.088 domicílios em 2025.
O dado, porém, não significa que todas essas famílias estejam vivendo em imóveis sem condições adequadas. A maior parte do déficit está relacionada ao peso do aluguel sobre a renda familiar.
Dos 1.088 domicílios que compõem o déficit, 844 casos, ou 77,6%, correspondem ao chamado ônus excessivo com aluguel — situações em que o custo da moradia compromete excessivamente a renda das famílias.
Os demais componentes do déficit incluem famílias conviventes, adensamento excessivo de domicílios alugados, habitações em casas de cômodos ou cortiços, além de domicílios rústicos e improvisados.
Com isso, o diagnóstico aponta que um dos principais gargalos habitacionais de Pomerode está relacionado à renda e ao custo da moradia, e não à falta generalizada de condições físicas adequadas das residências.
Crescimento populacional aumenta pressão sobre a moradia
Durante a apresentação, o consultor do IDEL, Eduardo Schnaider Pedrini, destacou o crescimento populacional como um dos fatores que precisam ser considerados na elaboração de uma política habitacional para o município.
Segundo ele, a população de Pomerode passou de aproximadamente 12 mil para 37 mil habitantes desde 1990. A projeção é de que o município ultrapasse os 50 mil moradores até 2050, caso o cenário atual seja mantido.
“Temos alguns pontos relevantes, que é o crescimento expressivo da população. A população cresceu de 12 mil para 37 mil habitantes desde 1990, e tem uma projeção de crescimento para chegar a mais de 50 mil habitantes por volta de 2050”, explicou Pedrini.
O consultor também citou a redução do número de moradores por residência e o peso do aluguel sobre a renda como fatores que aumentam a pressão sobre o mercado habitacional.
Para ele, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas que estimulem a construção e facilitem o acesso à moradia.
“Alguns pontos nos levam a um diagnóstico que mostra a necessidade de ser trabalhada uma política pública que ajude a incentivar a questão da habitação, incentivar a questão da construção e do acesso à moradia, buscando alternativas e parceiros que possam facilitar esse processo”, afirmou.
Famílias estão menores e população está envelhecendo
Outro fator que aumenta a pressão sobre o mercado habitacional é a redução do número de moradores por domicílio.

Foto: Tamara Kanies / Divulgação
Em 1991, a média era de 4,11 moradores por residência. Em 2022, o número caiu para 2,87 moradores por domicílio.
Ao mesmo tempo, Pomerode passa por um processo de envelhecimento populacional. Em 2022, o município registrava 61 idosos para cada 100 crianças e adolescentes, índice superior ao observado no Vale do Itajaí e em Santa Catarina.
O cenário aponta para uma necessidade crescente de moradias menores e adaptadas às diferentes fases da vida.
Maioria das moradias é de casas
O diagnóstico também chama atenção para o perfil dos imóveis existentes em Pomerode.
85,2% dos domicílios ocupados são casas, enquanto os apartamentos representam apenas 13,4%.
No Vale do Itajaí, os apartamentos correspondem a cerca de 28% dos domicílios, o que demonstra uma participação significativamente maior desse tipo de imóvel na região.
Outro indicador mostra a pouca disponibilidade de imóveis no município. 91,5% dos domicílios permanentes estão ocupados, contra 82,2% no Vale do Itajaí e 80,7% em Santa Catarina.
Na prática, Pomerode possui uma margem menor de imóveis disponíveis para absorver rapidamente o aumento da demanda habitacional.
Migração também impulsiona demanda
O crescimento populacional de Pomerode também é influenciado pela chegada de moradores de outras regiões.
Segundo o diagnóstico, 28,5% dos habitantes nasceram fora de Santa Catarina.
Entre 2017 e 2022, 3.182 pessoas de outros estados e países passaram a residir no município, número equivalente a 33% dos migrantes identificados no levantamento.
A dinâmica migratória é apontada como mais um fator que deverá continuar influenciando a demanda por moradias nas próximas décadas.
Minha Casa, Minha Vida teve 490 unidades contratadas
O estudo também analisou as contratações do Minha Casa, Minha Vida em Pomerode entre 2009 e 2025.
Nesse período, foram contratadas 490 unidades habitacionais, o equivalente a 0,9% das contratações do Vale do Itajaí e 0,1% do total de Santa Catarina.
O maior número de contratações ocorreu em 2016, quando foram registradas 70 unidades. Depois disso, o ritmo caiu significativamente.
O diagnóstico aponta ainda que as contratações se concentraram principalmente na Faixa 2 do programa, enquanto as faixas de menor renda, justamente onde está concentrada parte importante do déficit habitacional, tiveram menor atendimento.
Construção civil cresce mais de 700% em Pomerode
Além de apontar os desafios, o diagnóstico apresenta a habitação como uma possível oportunidade de desenvolvimento econômico para Pomerode.
A construção civil apresentou forte expansão no município. Entre 2006 e 2025, o número de empresas do setor passou de 28 para 225, crescimento de aproximadamente 703%.
No mesmo período, os empregos formais da construção civil cresceram 156%.
Segundo uma simulação apresentada pelo IDEL, considerando um custo ilustrativo de R$ 250 mil por unidade, um investimento de R$ 25 milhões na construção de 100 moradias poderia gerar um impacto econômico total estimado em R$ 44,98 milhões, considerando efeitos diretos e indiretos.
O cálculo representa um efeito multiplicador de aproximadamente R$ 1,80 para cada R$ 1 investido.
A maior parcela do impacto calculado permanece no próprio setor da construção, responsável por 61,4% do impacto, seguido por segmentos como fabricação de produtos minerais, comércio, metalurgia, transporte e serviços.
Para zerar déficit atual, seriam necessárias 109 moradias por ano
O estudo também transforma os dados em uma possível meta de longo prazo.
Para eliminar o déficit atual de 1.088 domicílios em dez anos, seria necessário produzir aproximadamente 109 unidades habitacionais por ano.
O ritmo médio observado nas contratações do Minha Casa, Minha Vida entre 2009 e 2025 foi de aproximadamente 31 unidades por ano, cerca de um terço do ritmo necessário para atingir essa meta.
Considerando o custo ilustrativo de R$ 250 mil por unidade, o investimento necessário para construir as 1.088 moradias seria de aproximadamente R$ 272 milhões.
Pela metodologia utilizada no diagnóstico, esse investimento poderia gerar cerca de R$ 490 milhões em impacto econômico.
Déficit pode chegar a 1.472 domicílios em 2050
Sem mudanças nas condições atuais, o déficit habitacional também tende a crescer.
No cenário tendencial, a estimativa chega a 1.472 domicílios em 2050. Considerando os três cenários analisados, o déficit poderá variar entre 1.393 e 1.563 unidades.
Isso significa que Pomerode não precisará apenas enfrentar o déficit existente, mas também criar mecanismos para acompanhar a demanda provocada pelo crescimento populacional, pela migração, pelo envelhecimento da população e pela redução do número médio de moradores por domicílio.
Prefeitura terá 12 meses de assessoria do IDEL
O prefeito Rafael Ramthun classificou a apresentação como um primeiro passo para enfrentar o déficit habitacional de Pomerode.
Segundo ele, o município terá 12 meses de assessoria do Instituto IDEL, período em que os estudos deverão avançar e novas alternativas para a habitação serão discutidas.
“Foi dado o primeiro passo, os primeiros estudos. Serão 12 meses ao todo que essa empresa estará dando assessoria aqui para a Prefeitura”, afirmou Ramthun.
O prefeito destacou que a expectativa é buscar soluções de médio e longo prazo para ampliar o acesso à moradia.
“Tenho certeza que vai contribuir muito com essa grande dificuldade e que a gente possa buscar soluções de médio e longo prazo para que a gente consiga finalmente trazer a tranquilidade para as pessoas que vêm a Pomerode, também para os moradores, para que possam ter a sua casa, o seu imóvel a um custo melhor”, declarou.
De acordo com Ramthun, o trabalho também deverá contribuir para a elaboração de um plano de habitação local para Pomerode.
Diagnóstico aponta caminhos para a habitação
Entre as recomendações apresentadas pelo estudo estão medidas para enfrentar o custo do aluguel, ampliar a participação de Pomerode no Minha Casa, Minha Vida, garantir áreas urbanizadas para habitação de interesse social e avançar na infraestrutura de saneamento.
O levantamento também recomenda o acompanhamento anual de indicadores como déficit habitacional, número de contratações e novas licenças para construção.
Para o setor privado, o estudo aponta oportunidades como a diversificação dos empreendimentos, ampliação da oferta de unidades menores, verticalização qualificada e desenvolvimento de imóveis destinados a diferentes faixas de renda.
A proposta é que o diagnóstico sirva como base para decisões futuras do município, permitindo identificar não apenas quantas moradias são necessárias, mas também quem precisa de moradia, quais tipos de imóveis serão demandados, onde estão os principais gargalos e como os investimentos habitacionais podem contribuir para o desenvolvimento econômico de Pomerode.
Dessa forma, a questão habitacional aparece no estudo não apenas como um problema social, mas também como um dos desafios estratégicos para o crescimento de Pomerode nas próximas décadas.
Fonte: Análise Situacional da Habitação em Pomerode – IDEL/FACISC.