Pomerode mantém baixo número de famílias no Bolsa Família e amplia ações sociais
Município investe em acompanhamento social e inclusão produtiva para manter estável e baixo o número de beneficiários do programa
Foto: Arquivo Jornal de Pomerode
O município de Pomerode registrou, em maio de 2026, 72 famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação. O número tem se mantido estável ao longo do último ano, variando entre 65 e 75 famílias por mês, o que demonstra uma realidade bastante positiva quando comparada ao porte do município e ao cenário nacional de vulnerabilidade social.
De acordo com a pasta, esse resultado está relacionado a um conjunto de fatores, entre eles a ampla oferta de oportunidades de trabalho no município, o acompanhamento próximo das famílias em situação de vulnerabilidade e a atuação articulada da rede socioassistencial. “Pomerode está entre os municípios com menor número de beneficiários do programa, reflexo das oportunidades locais, do trabalho em rede e da ação efetiva da Política de Assistência Social na garantia de direitos e na construção de caminhos para a autonomia das famílias”, afirma o secretário de Desenvolvimento Social e Habitação, Tiago Cardozo.
O Bolsa Família é um programa do Governo Federal, instituído pela Lei nº 14.601/2023, voltado à garantia de renda básica para famílias em situação de pobreza. Para acessar o benefício, a família deve estar inscrita no Cadastro Único, com dados atualizados, e possuir renda mensal por pessoa de até R$ 218,00. “O cadastro é realizado pelo município, mas a concessão do benefício é feita pelo Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Ou seja, o município não decide quem recebe o benefício”, esclarece o secretário municipal.
Além da transferência de renda, o programa está integrado às políticas públicas de saúde, educação e assistência social. As famílias beneficiárias assumem compromissos, chamados de condicionalidades, como manter a frequência escolar das crianças e adolescentes, cumprir o calendário de vacinação e realizar o acompanhamento de saúde. Em Pomerode, os índices de acompanhamento se destacam: em abril de 2026, o município atingiu 87,7% de cobertura na saúde e 98,9% na educação, ambos acima da média nacional.
Outro dado relevante é que uma parcela expressiva das famílias beneficiárias já se encontra em trajetória de saída do programa. Em abril de 2026, das 69 famílias beneficiadas, 30 estavam na chamada regra de proteção, o que corresponde a aproximadamente 43,5% do total.
Regra de proteção garante segurança para futura saída do programa
Trata-se de um mecanismo que permite que famílias que foram inseridas no mercado de trabalho ou passaram a receber benefício previdenciário e, com isso, aumentaram sua renda, continuem no programa por até 12 meses, recebendo 50% do valor do benefício. Esta regra vale para famílias cuja renda por pessoa (após atualização cadastral) não ultrapasse meio salário mínimo.
“Na prática, esse dado demonstra que muitas famílias beneficiárias em Pomerode já estão superando a situação de pobreza. O benefício, nesse caso, funciona como uma proteção temporária, evitando que a família perca imediatamente o apoio financeiro no momento em que começa a reorganizar sua vida econômica”, destaca Tiago.
Outro dado relevante é o baixo número de novas inclusões no Bolsa Família em Pomerode. Segundo a Secretaria de Desen. Social e Habitação, nos últimos 12 meses, entre abril de 2025 e abril de 2026, apenas oito novas famílias foram incluídas no Programa Bolsa Família no município. As demais famílias que passaram a constar na listagem municipal nesse período são oriundas de transferências de benefício de outros municípios ou estados, ou seja, já eram beneficiárias anteriormente e apenas transferiram seu cadastro para Pomerode.
Ações sociais do município contribuem para o dado
A atuação do município, no entanto, vai além do Cadastro Único e do acompanhamento das condicionalidades. Por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, especialmente pelo CRAS, as famílias são acompanhadas, orientadas e encaminhadas conforme suas necessidades, buscando o acesso a direitos básicos, à rede de serviços e a oportunidades de trabalho e renda.
Em 2025, foi criado o Projeto Oportuniza Pomerode, voltado à reinclusão de adultos no mercado de trabalho e, especialmente, à primeira inserção profissional de jovens. A iniciativa teve como objetivo aproximar pessoas em situação de vulnerabilidade das oportunidades existentes na rede local, articulando diferentes setores e parceiros.
“Nesse projeto, o CRAS atuou como articulador da ação, identificando, mobilizando e indicando os participantes, especialmente entre famílias acompanhadas pela política de Assistência Social. Os cursos de qualificação profissional foram ofertados pelo SENAI, enquanto a rede socioassistencial contribuiu com o encaminhamento ao SINE, a aproximação com vagas de emprego e a realização de oficinas com famílias em situação de vulnerabilidade econômica”, enumera o secretário.
>>> Siga o canal do Jornal de Pomerode no WhatsApp
Dessa forma, o Oportuniza Pomerode reforça o papel da Assistência Social como política de articulação e garantia de direitos, sem substituir as atribuições das políticas de trabalho, emprego e qualificação profissional. A proposta é justamente conectar as famílias às oportunidades disponíveis, reduzindo barreiras de acesso e fortalecendo sua autonomia.
Outra ação importante foi a articulação com o Instituto Cáritas e com a comunidade haitiana de Pomerode para a oferta de um curso de língua portuguesa para migrantes, com duração prevista de dois anos. A iniciativa busca facilitar o acesso dessa comunidade aos serviços locais, aos seus direitos e também a melhores oportunidades de trabalho.
Os dados gerais da rede socioassistencial também demonstram a dimensão do trabalho realizado. Em 2025, 341 famílias estiveram em acompanhamento sistemático pelo CRAS, 354 famílias foram acompanhadas pelo CREAS, 51 adolescentes estiveram em acompanhamento pelo serviço de medidas socioeducativas e 37 indivíduos foram atendidos em serviços de acolhimento, contemplando crianças, adolescentes, pessoas idosas e pessoas com deficiência.
“Essas informações demonstram que o baixo número de famílias beneficiárias do Bolsa Família em Pomerode revela uma política pública presente, organizada e articulada com a rede, voltada tanto à proteção das famílias em situação de vulnerabilidade quanto à construção de alternativas para sua autonomia”, finaliza Tiago.
Mais informações sobre o Bolsa Família e o Cadastro Único podem ser obtidas junto ao CRAS de Pomerode, localizado na Rua Karl Guenther, nº 263, bairro Ribeirão Clara, ou pelo telefone/WhatsApp (47) 3387-1125.
Santa Catarina é o estado que menos recebe Bolsa Família
Santa Catarina é o estado que menos recebe Bolsa Família, conforme dados do IBGE. Além da posição de destaque, Santa Catarina reduziu a participação no benefício, passando de 4,3% dos domicílios em 2024 para 3,9% em 2025. A redução do Bolsa Família acompanha o crescimento do emprego: o estado criou 58,8 mil vagas formais no ano passado e ostenta a menor desocupação do país, com apenas 2,2%.
“A melhor política social é a geração de emprego. É por isso que o Governo do Estado investe em um ambiente de negócios favorável, para que o catarinense crie sua empresa ou trabalhe com carteira assinada, levando renda e dignidade pra sua família. Esse número mostra, mais uma vez, como Santa Catarina pula o Brasil”, destacou o governador Jorginho Mello.
Com apenas 3,9% dos domicílios recebendo Bolsa Família, Santa Catarina é o estado com menor participação no programa federal. Em seguida, no ranking dos estados, aparece São Paulo, com 7,6%. A terceira melhor posição é do Rio Grande do Sul, com 7,7%. Na sequência aparecem Paraná (8%), Mato Grosso do Sul (9,5%) e Distrito Federal (10,5%). A média brasileira ficou em 17,2%, conforme o IBGE.
Além do menor percentual de Bolsa Família, Santa Catarina também é o estado que menos recebe programas sociais como um todo. Apenas 6,9% dos domicílios catarinenses receberam, em 2025, rendimento de algum programa social, como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), ante média brasileira de 22,7%. Os vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná somam 11,5% e 12,8%, respectivamente.