Polêmica no Torneio de Verão
Imagem mostra seis jogadores adversários em quadra durante a final da competição.
A tristeza estampada no rosto de todos. O pensamento de que tudo estava tão perto. A decepção por não ter conseguido novamente. Todos esses sentimentos se fizeram presentes no dia 03/02, sexta-feira, quando o time da APF/Pomerode foi derrotado, por 4 a 3, pelo Loes, na final do Torneio de Verão de Indaial.
Uma derrota que já havia sido digerida, não fosse um “pequeno” detalhe, que passou despercebido no dia, mas que agora está gerando polêmica. Nas imagens da partida, faltando mais ou menos 15 segundos para o fim, o time do Loes aparece com seis jogadores em quadra, o que é irregular. “No dia, no calor do jogo, ninguém se deu conta. Somente agora, após uma conversa informal entre jogadores e torcedores do time adversário, e após analisarmos as imagens, a ‘fraude’ foi descoberta. Fiquei pasmo”, relata Rafael Ramthun, presidente da APF/Pomerode.
A imagem em questão é a reproduzida ao lado, onde se pode ver claramente seis jogadores do time adversário em quadra. “Além disso, podemos perceber um jogador reserva também dentro de quadra, além do goleiro reserva, que está ajoelhado e com a mão na trave. Se por acaso a bola fosse para o seu lado, ele teria totais condições de desviá-la”.
Situações como essa colocam em xeque a credibilidade de uma competição que se auto-intitula “a melhor do Sul do Brasil”. Segundo Rafael Ramthun, o caso já foi comunicado à Fundação Municipal de Esportes de Indaial há, pelo menos, 14 dias, e até agora nada foi feito. “É lamentável uma situação como essa. Esta atitude não atinge apenas uma equipe, mas sim, uma cidade inteira. Nós temos inúmeros colaboradores, que não medem esforços para que a Associação cresça e se fortaleça. Há gente que faz trabalho voluntário, há os patrocinadores, há os apoiadores. Todos se sentiram traídos e a omissão da FME diante do assunto nos deixa ainda mais entristecidos”, diz.
“Nós temos um carinho todo especial pelo Torneio de Verão, o qual já vencemos uma vez e fomos vice-campeões em duas oportunidades. Nossa torcida, nestes três anos de participação, aumentou cerca de 600%, o que mostra a paixão dos pomerodenses pelo futsal. Uma situação como essa nos faz repensar se vale a pena continuarmos investindo”, acrescenta.
Diante do ocorrido, o departamento jurídico da Associação já entrou com uma representação contra a FME de Indaial, solicitando que algo seja feito. “No começo, quando vi a imagem, pensei em não fazer nada, afinal, o título estaria perdido mesmo. Mas agora, diante de todo o apoio que estamos tendo e de todas as manifestações favoráveis recebidas, nada mais justo do que lutarmos por este título. Acredito que seria uma recompensa para todos aqueles que sempre se esforçaram em prol da APF”, enfatiza Ramthun.
“Em todos os esportes, nas mais diversas competições, quando há alguma irregularidade, o caso é julgado e os responsáveis são punidos. Em alguns casos, até medalhas olímpicas são cassadas e devolvidas. Agora, que os maiores prejudicados somos nós, a situação vai ‘acabar em pizza’? Negativo. Nós fomos ludibriados sim, e as imagens não mentem. Por isso, vamos até o fim. A Fundação Municipal de Esportes de Indaial precisa se posicionar a respeito, para que o Torneio de Verão não se macule em virtude deste episódio. Se fosse comigo, com certeza me retrataria, pois o povo pomerodense é um povo de caráter e não pode ser enganado desta maneira”, finaliza o presidente.
A mesma opinião é compartilhada pelo presidente da Funpeel, Arlindo Ewald, que lamenta o ocorrido e também se mostra surpreso ao analisar as imagens. “Essa foi uma situação de jogo, mas que não poderia ser utilizada naquele momento. Acredito que uma equipe tradicional como o Loes não pode usar desse subterfúgio para conquistar um título. Espero que a Fundação de Indaial puna exemplarmente os responsáveis”.
“Não temos como voltar atrás, voltar no tempo”
Ademir Packer, presidente da Fundação Municipal de Esportes de Indaial, em entrevista concedida à redação do Jornal de Pomerode, explicou que está ciente do ocorrido e que lamenta pelo fato. “Vi as fotos e a filmagem. Foi um fato isolado e que de maneira nenhuma compromete a credibilidade do campeonato. Tenho a certeza que se alguém tivesse visto na hora da partida, o time seria punido com rigor, bem como os atletas envolvidos no fato”.
O presidente confirmou ainda que Rafael Ramthun tenha entrou em contado com a Fundação, mas que existe um único meio para que os danos sofridos pela equipe sejam minimizados, que é a esfera jurídica. “Esperamos que ele se manifestasse através de ofícios, encaminhados tanto para nós como para a Junta Disciplinar, mas isso ainda não aconteceu. Cabe a Justiça decidir o que será feito. Não tenho como prever o que acontecerá”.
Conforme Packer, não foi a primeira vez que uma situação semelhante foi registrada no Torneio. “No passado, não sei precisar o ano, um jogador interrompeu o curso da bola, que se encaminhava para o gol. O fato foi constatado no ato e o atleta foi imediatamente expulso de quadra, além de ser punido com seu afastamento durante um período expressivo. É mais fácil quando acontece desta maneira, depois, é bem mais complicado. Não temos como voltar atrás, voltar no tempo”.
Ademir Packer finalizou declarando que a Fundação está disponível para prestar todos os esclarecimentos sobre o episódio e que acompanhará de perto os trâmites processuais, caso a escolha do presidente da APF realmente seja manifestada através de uma ação.