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Plano de saneamento revela desafios históricos para ampliar a rede de esgoto em Pomerode

Diagnóstico que embasou o Plano Municipal de Saneamento Básico mostra que a maioria das residências utilizava sistemas individuais, mas a falta de manutenção e a baixa cobertura da rede pública ainda desafiam a universalização do serviço

3 de julho de 2026

Foto: Divulgação

O diagnóstico que deu origem ao Plano Municipal de Saneamento Básico de Pomerode, elaborado em 2019, continua sendo uma importante referência para compreender os desafios enfrentados pelo município na expansão da rede pública de coleta e tratamento de esgoto. A pesquisa, realizada em 2018 com 1.777 residências, revelou que a cidade já contava com ampla utilização de sistemas individuais de tratamento, mas também apontou fragilidades que ainda impactam o processo de universalização do saneamento.

Na época, 91,7% das residências possuíam fossa séptica, enquanto 82,5% utilizavam filtro anaeróbio e 87,6% contavam com caixa de gordura. Os dados demonstram que a maior parte da população não estava sem tratamento de esgoto, mas dependia exclusivamente de estruturas instaladas em cada imóvel, realidade comum em municípios que ainda não possuíam uma rede pública estruturada.

Falta de manutenção comprometia eficiência dos sistemas

Apesar da ampla presença desses equipamentos, o Plano Municipal identificou um problema importante: a manutenção inadequada dos sistemas individuais.

Mais da metade dos moradores entrevistados afirmou não realizar a limpeza periódica da fossa séptica, enquanto 36,6% declararam nunca ter feito esse procedimento. Sem a manutenção correta, esses sistemas perdem eficiência e deixam de cumprir plenamente sua função de proteger a saúde pública e preservar o meio ambiente.

Outro dado considerado preocupante dizia respeito ao destino final do efluente. Cerca de 70% dos entrevistados informaram que o lançamento ocorria em redes de drenagem pluvial, rios ou córregos. Embora parte desse esgoto passasse previamente pelos sistemas individuais de tratamento, o próprio diagnóstico alertava que a falta de manutenção comprometia o desempenho desses equipamentos, aumentando o risco de impactos ambientais.

Diagnóstico segue como referência para o saneamento

O levantamento serviu como base para o planejamento do saneamento em Pomerode e continua sendo um importante parâmetro para acompanhar a evolução do setor.

Em 2026, quase três anos após o início da concessão dos serviços à Pomerwasser Ambiental, os dados ajudam a mostrar o ponto de partida da transformação que está em andamento no município.

Atualmente, o principal desafio é substituir, de forma gradual, milhares de sistemas individuais por uma rede pública de coleta e tratamento de esgoto.

Universalização exige investimentos de longo prazo

O contrato de concessão estabelece como meta atender 90% da população com rede pública de coleta e tratamento de esgoto ao longo do período previsto. No entanto, atualmente apenas cerca de 5% da cidade está efetivamente interligada ao sistema público.

A diferença entre a cobertura atual e a meta contratual evidencia a dimensão do desafio. A implantação de uma infraestrutura inexistente durante décadas exige investimentos elevados e a execução de obras em diferentes regiões da cidade, incluindo redes coletoras, estações elevatórias, interceptores e estações de tratamento. Após a conclusão dessas etapas, também é necessária a ligação dos imóveis ao novo sistema.

Transformação vai além da construção da rede

Ao revisitar os dados do Plano Municipal de Saneamento Básico, fica evidente que a evolução do saneamento em Pomerode vai além da instalação de novas tubulações.

A transformação representa a substituição gradual de um modelo baseado na responsabilidade individual dos moradores por um sistema público, com controle técnico permanente, maior eficiência ambiental e capacidade para acompanhar o crescimento do município.

Mais do que um registro histórico, o diagnóstico elaborado em 2019 continua servindo como referência para medir a evolução do saneamento em Pomerode. Os dados mostram de onde a cidade partiu e ajudam a dimensionar o tamanho do desafio que ainda precisa ser superado para alcançar a universalização da coleta e do tratamento de esgoto, considerada uma das principais metas para a preservação dos rios, a saúde pública e a qualidade de vida das próximas gerações.

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