Polícia

PF de Curitiba deflagra a Operação Follow the Money

Os indícios são de que a organização criminosa investigada utilizava diversas estratégias para dissimular a origem do dinheiro, como negócios simulados com imóveis, veículos, transportes e na área de óleos e lubrificantes

6 de março de 2024

Foto: Divulgação/Operação Follow the Money

Na manhã de hoje, 06 de março, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal do Paraná, com apoio da Polícia Militar de Santa Cataria, deflagrou a Operação Follow the Money, que investiga a lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.

Os indícios são de que a organização criminosa investigada utilizava diversas estratégias para dissimular a origem do dinheiro, como negócios simulados com imóveis, veículos, transportes e na área de óleos e lubrificantes.

“Follow the Money” significa “siga o dinheiro”, e a investigação de fato concentrou-se em complexas análises financeiras e patrimoniais dos investigados, que abrangeram quase 500 contas bancárias que movimentaram mais de dois bilhões entre créditos e débitos nos últimos anos.

Com o apoio da Receita Federal, também foram realizadas análises fiscais, que permitiram reforçar as conclusões do uso de múltiplas empresas para dispersar e ocultar os ganhos ilícitos da organização.

Nesta data, foram empregados aproximadamente 200 policiais federais e 20 auditores da Receita Federal.

Foto: Divulgação/Polícia Federal

Os dois principais líderes do grupo foram presos, sendo cumpridos 33 mandados de busca e apreensão nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Ceará, com bloqueio judicial de mais de uma centena de bens dos investigados, tais como contas bancárias, imóveis urbanos e rurais, veículos de luxo, caminhões e maquinários agrícolas, sendo que o total de prejuízo à ORCRIM ainda está sendo calculado.

O líder dessa organização já havia sido preso por tráfico internacional de entorpecentes e utilizava-se de documentos falsos para não chamar a atenção. Durante os trabalhos foram identificadas ao menos mais duas remessas de cocaína vinculadas ao grupo criminoso, sendo uma delas uma apreensão de 700kg de cocaína ocultos em uma lixeira de metal que seria transportada para o nordeste do Brasil, provavelmente para embarque com destino ao exterior. A outra se refere a uma apreensão de aproximadamente 800kg de cocaína em um navio rebocador na região de Santa Catarina.

Para a lavagem de dinheiro, o chefe do grupo utilizava-se de dezenas de pessoas e de empresa laranjas. E, com o intuito de ocultar ou dissimular a verdadeira propriedade dos bens, adquiria veículos de luxo em nome pessoas físicas sem capacidade econômico-financeira (laranjas).

Os imóveis para seu uso próprio eram adquiridos em nome de uma imobiliária e de uma empresa de participações, as quais foram responsáveis pela aquisição de ao menos 3 imóveis de luxo em Curitiba que eram utilizados para moradia.

Com o auxílio de um contador ligado aos criminosos, visando dar aparência de legalidade aos recursos, as empresas em nome do chefe dessa organização apresentavam declarações de faturamento à Receita Federal, mesmo sem prestar nenhum tipo de serviço ou sem qualquer registro de venda de mercadorias.

Em uma de suas empresas, foram gastos mais de R$ 8 milhões na aquisição de máquinas pesadas para locação e prestação de serviços, mas ao que tudo indica nenhum serviço era prestado. O sofisticado esquema de lavagem envolvia compensações de boletos (cobrança bancária) que eram pagos por empresas também ligadas à organização e suspeitas de serem exclusivamente utilizadas para movimentação de recursos ilícitos.

Foto: Divulgação/Operação Follow the Money

Noutra empresa ligada ao ramo de “atividades esportivas” e em nome de sua companheira, eram declarados valores provavelmente falsos relativos a prestações de serviços apenas para justificar e dar aparência de licitude a gastos e despesas pessoais do casal que de fato eram suportados com recursos oriundos das atividades criminosas.

Apenas nos últimos dois anos e em relação a esse núcleo principal, foi apurada a disponibilidade de aproximadamente R$ 18 milhões para gastos pessoais e para aquisições de imóveis e veículos sem origem lícita conhecida.

Será apurada ainda a origem lícita ou não dos recursos utilizados para a compra de dezenas de caminhões em nome de empresas ligadas ao grupo criminoso.

Foram realizadas buscas também em um escritório de contabilidade em um bairro nobre de Curitiba, cujo proprietário é suspeito de criar empresas em nome de laranjas e de auxiliar a organização na lavagem de dinheiro.

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