Esporte

Pelo direito de se praticar o futebol

Impasse entre municípios e Governo do Estado põe em xeque a volta das atividades esportivas recreativas.

27 de agosto de 2020

Uma situação está deixando os amantes do futebol bastante confusos e apreensivos, em nossa cidade. Estamos falando dos “grupos de patotas”, que estão sem poder realizar as suas atividades desde março, quando iniciou a pandemia do novo coronavírus. Após mais de cinco meses, as dúvidas ainda permanecem, assim como os questionamentos do porquê os jogos ainda não foram liberados.

Na semana passada, algumas cidades da região, como Blumenau, haviam anunciado a liberação das atividades dos “soccer’s”, com uma série de regramentos, como a disposição de álcool 70% ou similares em pontos estratégicos do local, além do uso de máscaras para todas as pessoas que estivessem presentes nestes estabelecimentos. No embalo, a cidade de Pomerode também anunciou, na última sexta-feira, dia 21, que estava estudando a liberação, no fim deste mês, cuja decisão seria anunciada, oficialmente, nesta semana.

No entanto, no mesmo dia, uma determinação da Secretaria de Estado da Saúde (SES) pôs fim às especulações. Isso porque, a entidade publicou uma portaria, determinando a continuidade da suspensão de atividades esportivas coletivas de caráter amador recreativo, a fim de conter a disseminação da Covid-19. A medida valeria, principalmente, para coibir a abertura de quadras e campos de Futebol Society.

A Portaria 626 leva em consideração os decretos anteriores e que norteiam as ações de enfrentamento à pandemia e, principalmente, os dados apontados pela Matriz de Avaliação de Risco, que apontou a falta de distanciamento social como um dos principais fatores para a disseminação da doença e aumento do número de infectados.

 

Não é o momento de se liberar uma atividade em que há contato direto entre as pessoas, por mais que compreendemos as necessidades do setor. O que foi autorizado a retornar, até aqui, foi o futebol profissional, com uma série de regramentos.

 

“O que é preciso compreender é que temos um estado com regiões em vermelho e laranja, ou seja, em situação grave e gravíssima. E o isolamento social é o que tem mais impactado neste cenário”, destaca a superintendente de Vigilância em Saúde, Raquel Ribeiro Bittencourt. “Não é o momento de se liberar uma atividade em que há contato direto entre as pessoas, por mais que compreendemos as necessidades do setor. O que foi autorizado a retornar, até aqui, foi o futebol profissional, com uma série de regramentos”.

 

A palavra do Poder Público

Com esta indefinição, os organizadores do futebol comunitário, em nossa cidade, também ficam de “mãos atadas”. Para o presidente da Funpeel, Arlindo Ewald, a situação é complicada, por não haver uma programação definida para os últimos meses de 2020. “Quando achamos que seria o momento ideal para voltarmos, pela queda no número de infectados em nossa cidade, houve um entendimento, por parte do Governo do Estado, que não seria a hora. Nossa maior preocupação é o curto tempo disponível para terminarmos as competições que iniciamos”, destaca.

Ewald acrescenta que as regras impostas para campeonatos federados não podem ser aplicadas nas disputas comunitárias. “O regramento em nível de Federação não nos serve, afinal, realizar partidas sem a presença do público é inviável. Nosso foco é totalmente comunitário, por isso, a participação da população é primordial. Nossa competição é amadora e de confraternização, por isso, ficamos muito apreensivos com o rumo que as coisas vêm tomando”.

 

O regramento em nível de Federação não nos serve, afinal, realizar partidas sem a presença do público é inviável. Nosso foco é totalmente comunitário, por isso, a participação da população é primordial. 

 

Quanto à situação da liberação das quadras, os proprietários já estavam se movimentando, em nossa cidade, por conta da liberação em outros municípios. “Aqui em Pomerode, já tínhamos redigido o Decreto para que, a partir do mês de setembro, as atividades pudessem ser retomadas. Os proprietários destes estabelecimentos já estavam em concordância com determinações da Vigilância Sanitária e prontos para atendê-las. Agora, mais uma vez, temos que esperar um novo Decreto do Governo do Estado”, conclui o presidente da Funpeel.

 

Campo sintético da Associação Esportiva Floresta (Foto: Arquivo JP)

“Precisamos trabalhar”

Este prejuízo de mais de cinco meses sem atividades é lamentado, também pelos proprietários de “soccer’s”. Rolf Porath, proprietário da Top Society, em Testo Alto, frisa que, mesmo sem patotas, as quadras necessitam de manutenção, o que gera uma série de despesas fixas mensais. “No meu caso, há uma família lá que depende desta renda, por isso, esta situação é muito complicada. Antes da parada, havia 12 patotas jogando regularmente, fora as partidas eventuais que ocorriam. Tanto que eles estão tendo que realizar outra atividade pra se manter, afinal, o local está parado desde março, quando saiu o primeiro Decreto Estadual”.

 

Há tanta coisa pior que o futebol, que gera aglomeração, como filas de bancos e de supermercados. Portanto, é inconcebível que barrem uma atividade esportiva, que visa, justamente, aumentar a imunidade e combater o vírus.

 

Para Porath, o que falta é coragem por parte dos gestores do estado e, também, do município, para que essa situação seja resolvida, de uma vez por todas. “Há tanta coisa pior que o futebol, que gera aglomeração, como filas de bancos e de supermercados. Portanto, é inconcebível que barrem uma atividade esportiva, que visa, justamente, aumentar a imunidade e combater o vírus. Tecnicamente, não há motivo para não liberar, afinal, o futebol profissional, que envolve muito mais pessoas, já voltou”, destaca.

Ele também ressalta que as medidas necessárias serão tomadas, para garantir a segurança de todos, quando as atividades esportivas voltarem ao normal. “Estamos preparados para atender as questões sanitárias. Mesmo antes do Decreto, já havia álcool gel à disposição de todos e vamos continuar nos adequando à legislação. Inclusive, já formamos um grupo para que isso tudo seja discutido e que todos possam praticar o seu futebol, sempre primando pela saúde e segurança de todos”, finaliza Porath.

 

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