Polícia

Pai acusado de sequestrar filha em Blumenau é solto após 62 dias preso

A prisão havia ocorrido no dia 20 de março, na Delegacia da Rocinha, no Rio de Janeiro

22 de maio de 2025

Foto: Reprodução

Na madrugada desta quinta-feira, 22 de maio, Anderson Rafael Hasse, de 40 anos, foi solto no Rio de Janeiro após 62 dias preso. Ele é acusado de sequestrar a própria filha, de 8 anos, em Blumenau. A prisão havia ocorrido no dia 20 de março, quando ele se entregou na 11ª Delegacia de Polícia da Rocinha, acompanhado da criança.

A decisão de soltura foi concedida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) após pedido de habeas corpus feito pelo advogado de defesa, Paulo Ascenção. Agora, Anderson deve retornar a Blumenau, onde o processo segue em andamento.

Na manhã desta quinta, o advogado enviou um vídeo à imprensa, ao lado de Anderson, comentando a decisão. “Depois de 62 dias, ele está fora da prisão. Agora começa a parte do mérito, para esclarecer o que de fato aconteceu”, afirmou.

Durante a condução do caso, a defesa tem adotado cautela sobre os detalhes, afirmando que a estratégia não será divulgada para não comprometer o processo. No entanto, o advogado reforça que o objetivo é provar a inocência do cliente. “Não houve sequestro. Houve uma tentativa desesperada de tirar a criança da situação em que ela estava”, declarou anteriormente ao jornal O Município Blumenau.

Relembre

O caso ocorreu no dia 28 de fevereiro, quando a menina foi passar o fim de semana de visita com o pai, como ocorria a cada 15 dias. Por conta do feriado de Carnaval, a criança deveria ser devolvida à mãe na quarta-feira, dia 05, na escola, às 13h15min. No entanto, isso não aconteceu. Ao buscar a filha no final do dia, a mãe percebeu que ela havia desaparecido.

As investigações apontam que Anderson vinha planejando a fuga há pelo menos três meses. Amigos e familiares relataram que ele demonstrava insatisfação com a perda da guarda da filha e mencionava um suposto abuso cometido por um familiar da criança, o que teria motivado o crime. Segundo o inquérito, ele chegou a afirmar que, se não conseguisse fugir com a filha, mataria esse familiar.

A Polícia Civil descobriu que, antes do desaparecimento, Anderson se desfez de bens, como carro e instrumentos musicais, além de realizar um empréstimo de R$ 60 mil para financiar a fuga.

No dia em que foi visto pela última vez, Anderson estava na região do Morro do Baú, em Ilhota, com malas e instrumentos musicais. A um motorista de aplicativo, disse que seria buscado por um amigo para ir até Blumenau e, depois, seguiria para Piratuba, no Oeste catarinense, para aproveitar o feriado de Carnaval. No entanto, os supostos amigos negaram qualquer participação ou conhecimento sobre essa viagem.

Além do sequestro, Anderson também é acusado de praticar alienação parental, manipulando emocionalmente a filha contra a família materna. Essa conduta foi um dos motivos que levou a Justiça a conceder a guarda à mãe.

Após a investigação, a Polícia Civil pediu a prisão temporária de Anderson pelos crimes de sequestro, cárcere privado e desobediência. Ele se entregou no dia 20 de março, na Delegacia da Rocinha, no Rio de Janeiro, onde estava com a filha.

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