O pensamento só começa com a dúvida
Partindo da idéia de Roger Martin, que fala que “o pensamento só começa com a dúvida”, uma professora do C.E.I.M. Rosa Borck diz que aprende quando pensa. Por isso, ela gostaria de compartilhar um breve recorte da maravilha de trabalhar com Projetos de Pesquisa na Educação Infantil. De acordo com a proposta pedagógica do Município de Pomerode, onde a criança é tida com um ser ativo.
Partindo da idéia de Roger Martin, que fala que “o pensamento só começa com a dúvida”, uma professora do C.E.I.M. Rosa Borck diz que aprende quando pensa. Por isso, ela gostaria de compartilhar um breve recorte da maravilha de trabalhar com Projetos de Pesquisa na Educação Infantil.
De acordo com a proposta pedagógica do Município de Pomerode, onde a criança é tida com um ser ativo e, portanto, protagonista na construção de seu conhecimento, é desenvolvido um trabalho com projetos essenciais, já que propõe desafios, desperta a curiosidade e permite à criança confrontar suas hipóteses, partindo gradativamente para a construção de novos conceitos.
De acordo com Carmem Maria Barbosa (Projetos pedagógicos na educação infantil, pg 27), “a inteligência vai sendo formada à medida que o sujeito se vê frente a situações desafiadoras, enfrentando problemas – reais ou abstratos – que se constituem na dinâmica cotidiana das relações dos indivíduos com o meio.”
“Nós, como educadores, não podemos pensar, então, numa mera prática de transmissão e/ou reprodução de conhecimento. No trabalho com projetos, a criança participa do planejamento, da coleta de informações, dos registros. Ela investiga, cria hipóteses, descobre novas questões e, pode-se dizer que todo esse processo acaba se tornando um ciclo vicioso de querer saber sempre mais”, explica a professora Jerusa Kreutzfeld.
Segundo Jerusa, o diálogo funciona brevemente assim: “Profe, o que é o coração? Diz A. O coração bate, diz B. Eu sei que ele bate, responde A, mas eu quero saber o que ele é. O coração é a vida, se ele para, a gente morre, diz C. Eu sei que quando a gente corre, o coração bate mais rápido, e quando a gente está parado, o coração bate mais devagar, diz D. E eu sinto ele até aqui (mostrando o punho), diz E. Eu já vi o coração no Raio X, lá no médico, diz F.Eu acho que ele é vermelho porque tem sangue dentro, diz G…” Nesta conversa entre as crianças, acontecida há três semanas com a turma do Pré II, do Centro de Educação Infantil Rosa Borck, durante o planejamento coletivo, é um exemplo de quanta riqueza de conhecimento que elas têm, de experiências sócio-culturais e de histórias de vida. Às vezes, esse tipo de situação passa despercebia e não é dada a devida importância a estes fatos, deixando o potencial dos pequenos desacreditado.
“Às vezes não ouvimos a criança por achar que ela é pequena demais e jamais entenderia o funcionamento do coração, por exemplo. ‘Profe, quem inventou as palavras? Existe aranha gigante? Todos os animais têm ossos? Pra onde vai o lixo reciclável que o caminhão vem buscar na nossa casa? Onde é o Polo Norte? O que é aquecimento global?’. – Profe, vamos pesquisar?”. Essas perguntas foram algumas das muitas que fizeram parte do cotidiano das crianças dessa turma e que enriquecem e contribuem para a ampliação de seu repertório cultural, além de garantir o respeito a suas particularidades, dando direito e voz a elas. “Fazem parte da maravilha do trabalho com projetos, onde caminhamos juntos na busca do conhecimento, compreendendo então a criança com um sujeito cognitivo, pensante, curioso, questionador e único. O trabalho com projetos, com certeza, é uma experiência significativa para a criança. Ele dá sentido ao trabalho, principalmente porque são feitos com as crianças, e não para as crianças”, finalizou.