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#vamos de lenço?

Campanha incentiva a solidariedade com quem enfrenta o Câncer, na semana em que se celebra o Dia Mundial de Combate à doença

c2ce90efd65b1ddc3ce7f78270a04c49.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Quem luta contra o Câncer, sabe os momentos de altos e baixos pelos quais a doença faz a pessoa passar. E é para homenagear estas pessoas que foi instituído o Dia Mundial de Combate ao Câncer, lembrado em 04 de fevereiro.

 

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E nesta data especial, recebemos uma lição de vida de duas pomerodenses, que são exemplo de força de vontade e garra, na luta contra a doença.
Hanna Lora Dallmann, de 60 anos, moradora de Pomerode Fundos, começou sua luta contra o Câncer em 2003, quando sentiu a primeira alteração no seio direito. Ela conta que, quando foi pela primeira vez buscar atendimento, não recebeu muita atenção e foi em uma consulta com o médico Omar Manne, que foi solicitada a investigação de seu caso.

“No mês de março daquele ano, eu fiz a mamografia, que constatou a alteração maligna no seio. Então, comecei o tratamento e fiz a cirurgia, começando, logo depois, a quimioterapia. Eu precisei passar pela forma mais agressiva dela, inclusive, com perda de cabelo, além de mais 33 sessões de radioterapia”, relembra Hanna Lora.

Hoje, a aposentada realiza o acompanhamento anual de sua saúde, mas na época precisou retirar o seio direito e, agora, utiliza uma prótese. Com os novos cabelos que nasceram após o fim do tratamento e a utilização da prótese, Hanna Lora segue sua vida de forma mais normal possível, mas as memórias do período difícil de tratamento permanecem.

“A quimioterapia não é fácil. Eu sofri muito neste período, pois passava muito mal após as sessões e, às vezes, ficava um dia inteiro fazendo o procedimento. Mas sempre fui bem atendida pela equipe onde fazia o tratamento e tive muito apoio, principalmente, da minha família, o que foi muito importante. Mas é uma luta muito grande, muito difícil”, destaca.

 

Hanna Lora começou a luta contra a doença em 2003 e usou o lenço durante o período da quimioterapia.

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Hanna Lora relembra que ouviu de muitas outras pessoas, que também passavam pela dificuldade, de que a vida, ao descobrir a doença e começar a quimioterapia, teria acabado, mas ao repetir a frase para uma médica que acompanhava seu caso, chamou-lhe a atenção para o contrário. “Ela disse que sim, eu deveria ter alguns cuidados especiais, mas que seria vida normal e eu precisava ter força de vontade. Então, comecei a pensar: farei tudo o que eu gosto, porque se eu for, pelo menos, eu fui feliz”, ressalta.

Outro ponto para o qual Hanna Lora chama a atenção é o aprendizado que a experiência lhe proporcionou, pois pôde ver o quanto existem situações piores do que foi a sua. 

“Aprendemos a dar mais valor ao que há de bom em nossa vida, à força que ainda temos, e isso nos motiva a seguir firmes”, complementa Teodânia Hass Krahn, também de 60 anos, uma das fundadoras da Rede Feminina que também passou pela experiência de se descobrir com câncer. Seu caso foi mais recente, no ano de 2018. Segundo a advogada e também aposentada, foi por meio de um exame de rotina que soube da alteração em seu seio esquerdo. 

“Eu fui também ao posto de saúde, mas como os tempos mudaram um pouco, tive a sorte de ser logo bem atendida, por um médico que tem a preocupação com a prevenção. Ele solicitou que eu fizesse a mamografia e pediu urgência no meu caso”, conta Teodânia.

Ao receber o resultado, foi encaminhada diretamente ao mastologista, em Blumenau, no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher. “Ali, tudo foi muito rápido. Fui atendida pelo especialista, que informou a necessidade de uma pequena cirurgia, feita em 27 de agosto. Depois dela, foi feita uma biópsia e o resultado veio 10 dias depois do procedimento. Então, voltei ao consultório e o médico informou que havia um cisto no duto mamário e que, por precaução, seria melhor retirar completamente este duto. Então, fiz uma nova cirurgia”, afirma.

 

Teodânia dedicou vários anos à Rede e, também, foi surpreendida pela doença. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Depois desta segunda intervenção, ainda como forma de prevenção a um agravante da doença, o mastologista recomendou que Teodânia passasse pela radioterapia, e assim ela o fez, submetendo-se a 32 sessões do tratamento. Porém, mesmo com a rapidez com que as coisas se encaminharam e sem ter precisado de quimioterapia, a fundadora da RFCC admite o sentimento de revolta.

“Sempre me cuidei a vida inteira, amamentei meus dois filhos, não tenho histórico familiar de Câncer, fazia atividades físicas, cuidava da alimentação, então, surgiu aquela primeira reação de perguntar-me: por que eu? Sempre trabalhei com isso aqui na rede, então, foi um choque. O apoio da família, dos amigos e da própria rede foi fundamental, mas o que me manteve de pé, me dando forças, foi o trabalho, que me revigora”, admite a advogada.

Hanna Lora também reconhece que enfrentar a doença foi uma batalha árdua. “Eu chorei muito quando descobri e foi uma luta. Mas é uma lição de vida, principalmente é convivência com as outras pessoas em tratamento. A gente sempre pensa que nunca acontecerá conosco, mas todos estamos sujeitos e, ao ver que há pessoas passando por coisas tão mais difíceis, temos que ter força para lutar”, reitera.

 

#Vádelenço

Como no caso de Hanna Lora, que enfrentou a queda de cabelo durante a quimioterapia e usou os lenços como forma de aumentar a autoestima, uma das ações adotadas durante o Dia Mundial de Combate ao Câncer foi a campanha #vádelenço, que estimulava as pessoas a tirarem uma foto usando um lenço na cabeça, em solidariedade a quem passa por este momento difícil.

A iniciativa é da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e foi adotada pela Rede Feminina de Santa Catarina, para ser aplicada nos municípios. A ideia foi mostrar à população a importância e os cuidados que devemos ter para prevenir o Câncer. 

A RFCC de Pomerode aderiu à campanha, assim como diversas instituições, como a Magrass Pomerode e escolas da cidade. Diversas fotos foram compartilhadas durante toda a terça-feira, chamando a atenção para a causa.

 

Estimativa de novos casos

Com isto, também foi possível estimar os casos novos de Câncer infantojuvenil por estados, o que é uma importante informação contida nas estimativas. A projeção é que para cada ano ocorram, no total, aproximadamente, 625 mil casos novos de Câncer (450 mil, sem considerar os casos de Câncer de pele não melanoma).

De acordo com a publicação, os casos de Câncer infantojuvenil esperados para o Brasil para cada ano do triênio, serão 8.460, sendo 4.310 para o sexo masculino e 4.150 para o sexo feminino. 

A publicação mostra que no Brasil, o Câncer de pele não melanoma permanece como o mais incidente na população (177 mil casos novos), seguido pelos Cânceres de mama e próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), traqueia, brônquio e pulmão (30 mil) e estômago (21 mil). A estimativa mundial do ano de 2018, apontou que ocorreram no mundo 18 milhões de casos novos de Câncer (17 milhões sem contar os casos de Câncer de pele não melanoma) e 9,6 milhões de óbitos (9,5 milhões excluindo os Cânceres de pele não melanoma). O Câncer de pulmão é o mais incidente no mundo (2,1 milhões) seguido pelo Câncer de mama (cerca de 2,1 milhões), cólon e reto (1,8 milhão) e próstata (1,3 milhão).

 

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