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Uma cena cada vez mais repetida

Novamente, colaboradores do Samae Pomerode encontraram no lixo reciclável seringas e outros materiais

bfd86c31e740757a44de9b92e0b94096.jpg Foto: Raphael Carrasco/JP

O descarte incorreto de seringas volta a ser pauta do Jornal de Pomerode, nesta edição. Mais uma vez, a cena que não deveria se repetir, segue sendo vista pelos colaboradores da Usina de Triagem de lixo reciclável do Samae Pomerode, no Ribeirão Clara. Um número considerável de seringas usadas foram novamente  encontradas nas esteiras, durante a separação, junto com os resíduos recicláveis. Além desses itens, que são perigosos e podem causar impactos na saúde do trabalhador, caso houver acidentes, outros resíduos que não poderiam estar junto com o reciclado, como lixo orgânico por exemplo, seguem sendo vistos com frequência na hora da separação.

 

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De acordo com o diretor da usina de reciclagem Luciano Conrado Schuster, só nesses últimos dias, foram vistos fraldas e papel higiênico usado, carnes podres, frutas, legumes e verduras, remédios e outros itens que não se encaixam como lixo reciclável. Mais uma vez, o sentimento é de indignação.

“Nós ficamos muito triste quando esse tipo de situação acontece no nosso local de trabalho. É revoltante, pois um acidente com essas seringas, que não sabemos sua real procedência, pode causar danos irreparáveis à saúde dos nossos colaboradores. E, mesmo com as luvas, usadas diariamente pelos trabalhadores, para não se machucarem com objetos cortantes, o risco de perfuração é alto, aumentado a probabilidade de incidentes como este que aconteceu”, comenta.

Como dito no começo da matéria, esse não é o primeiro caso de seringas encontradas na Usina de Triagem do Samae. Luciano pede a colaboração da comunidade, para que casos como este, sejam evitados.

“Pomerode, por si só, é uma cidade que colabora, e muito, com a reciclagem. Mas, ainda há aqueles que prejudicam nosso trabalho. Portanto, peço que se faça o descarte correto dessas seringas, para que nossos funcionários não se acidentem”, destaca.

As colaboradoras Lindamir Uberna e Maiquieli Paula Pinheiro, que são auxiliares de operações, também falaram sobre este assunto. Lindamir, felizmente, nunca se acidentou, mas Maiquieli já teve um ferimento causado por causa de uma seringa, durante o seu trabalho de separação dos resíduos.

“Eu nunca me acidentei, porém a Maiquieli sim. Parece que as pessoas não pensam em quem está por trás da coleta de lixo, em quem separa e em quem está aqui diariamente para fazer este trabalho tão digno. É uma pena que essa cena se repita toda hora”, ressaltam.

Danos à saúde

Em caso de contato com seringas que já foram usadas, a pessoa pode correr o risco de contrair doenças que podem gerar certos danos à saúde do indivíduo. Em contato com o Laboratório Sandrini, o Jornal de Pomerode conversou com Rodrigo Tavares Rodrigues, farmacêutico bioquímico.
Segundo Rodrigues, a perfuração dessas seringas em qualquer lugar do corpo, abre a possibilidade de contaminação, principalmente se há, ainda, resquícios de sangue na agulha ou no corpo do artefato.

“O perigo do contato com amostras de sangue é a transmissão das doenças citadas acima além de outras hepatites virais, citomegalovirus, vírus Epstein-Barr, e também doenças como sífilis, além do risco de infecção por vírus como das hepatites B e C e do HIV”, explica

Ainda de acordo com o farmacêutico, a melhor maneira de descartar essas seringas é levar até um posto de saúde ou laboratório, que possuem caixas especiais para o transporte correto do objeto.

“Os acidentes com seringas têm uma incidência alta em profissionais da área da saúde. Portanto, o recomendado ao manipular esses objetos com agulhas é não encapar novamente a seringa após o uso, e descartar a mesma em recipiente próprio como as caixas de perfuro cortante, pois, elas possuem paredes rígidas para proteger contra acidentes”, ressalta.