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Um laço para a eternidade

Na semana em que se comemora o 86º de Sigrid Bergmann, ela e a amiga, Ruth Gasparek, celebram os 80 anos de um laço puro de amizade

50b0426311ddac2a485ac367ba05ec09.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Uma ligação forte o suficiente para sobreviver à passagem de anos e décadas. O laço de amizade que une Ruth Gasparek e Sigrid Klara Mathilde Bergmann, ambas de 86 anos, tem essa força, já que o laço se estende por 80 anos.

 

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A relação entre as duas amigas começou ainda na infância, quando residiam em Rolândia, no Paraná, na época ainda uma colônia alemã. Ruth e Sigrid moravam em sítios, com suas famílias, e desde muito novas se tornaram amigas, dividindo momentos preciosos.

“As famílias eram muito próximas e sempre muito solidárias entre si, por isso, praticamente todos se conheciam, inclusive nosssos familiares. Isso fez com que nos tornássemos amigas e passássemos muito tempo juntas, frequentando a casa uma da outra e, depois, indo à mesma escola”, relembra Ruth.

 

 

A infância, segundo Sigrid, foi um momento em que a amizade nasceu e já se fortaleceu, com diversas lembranças das brincadeiras que faziam juntas, em contato com a natureza. “Lembro de brincarmos com os käfer (besouros, em alemão). Havia o macho e a fêmea, e nós fazíamos uma espécie de cerca para eles, com pedaços de galhos. Sempre brincamos com coisas muito simples, na natureza, tomando banhos de rio e subindo em árvores, também. São muitas as histórias que vivemos juntas”, comenta Sigrid.

No entanto, toda boa história tem desafios em seu enredo, e com Ruth e Sigrid não foi diferente. Quando uma forte geada destruiu as plantações de café da família de Sigrid, eles se mudaram para São Paulo, que era considerada a terra mais promissora, na época. A distância e as dificuldades de comunicação form um período mais difícil nestes tempos, mas Ruth e Sigrid foram persistentes.

Apesar de residirem em estados diferentes, elas mantiveram o contato por cartas, relatando suas rotinas e o que acontecia na vida de cada uma. E o destino, certamente, foi recompensador devido ao esforço, pois Ruth também se mudou para São Paulo, aos 21 anos. Assim, as amigas de infância ficaram próximas de novo.

 

A relação entre as amigas (nas extremidades) começou ainda na infância. (Foto: Arquivo pessoal)

 

O amor e amizade existentes entre Ruth e Sigrid foi transmitido adiante, já que os filhos se tornaram próximos, também, mantendo a história das famílias entrelaçadas. Gleike, uma dos sete filhos de Sigrid, se tornou uma amiga próxima também de Elizabeth, filha de Ruth, e todos se consideram parte da própria família uns dos outros.

E mesmo que as diferenças de gostos e formas de agir se fizessem presente em diversas oportunidades, como é comum nas amizades, elas nunca foram um empecilho para que Ruth e Sigrid permanecessem amigas, ao longo das décadas.

“Uma vez nós discutimos, algo que hoje lembramos de forma engraçada. A minha mãe quis visitar uma conhecida e combinamos de irmos juntas, com Sigrid conosco. Como minha mãe saiu antes, eu esperei que a Sigrid chegasse, para encontramos minha mãe lá. Depois de já termos andado um monte, eu quis ‘apertar o passo’, mas a Sigrid não gostava de andar mais rápido, e por isso discutimos, mas foi algo que se resolveu pela simplicidade da situação. E foram anos até o pedido de desculpas (risos)”, relembra Ruth.

 

As filhas, Beatrice (à esquerda) e Gleike (à direita), também cultivam a amizade. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

Em 1985, Ruth se mudou com a família para Pomerode, mas depois de anos de amizade, não seria a distância a esfriar este laço e o contato continuou, assim como as visitas periódicas, uma à casa da outra, principalmente, nos aniversários.

“A última vez em que a tia Ruth esteve em São Paulo foi no aniversário de 80 anos da minha mãe, que foi uma festa surpresa. Quando a mãe abriu a cortina, a primeira pessoa que viu foi a tia Ruth, que veio de surpresa e trouxe um mosaico feito à mão como presente, feito especialmente. E para nós, que vimos a cena das duas se encontrando, foi muito marcante”, revela Beatrice Gasparek, filha de Ruth.

Com a pandemia, as visitas precisaram ser pausadas, por uma questão de segurança, e o contato voltou a ser por telefone. Agora, nesta semana, quando Sigrid completa 86 anos, as duas voltaram a se encontrar, pessoalmente.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

“Foi surpreendente a naturalidade com a qual as coisas fluíram, quando elas se viram de novo depois de mais de dois anos. Foi como se elas tivessem se encontrado na semana anterior, e não há dois anos. Foi tudo muito fluído”, destaca Gleike.

Para Ruth, a amizade construída ao longo de oito décadas com Sigrid é algo único e inexplicável. “É uma amizade pura, como jamais senti com outra pessoa. Tenho outras amigas, claro, mas não é nada parecido com o laço que tenho com a Sigrid. É uma coisa pura, clara, sem segredos e receios”, afirma.

“É difícil definir a nossa amizade em palavras. É um encontro de almas, pois quando penso na Ruth, sindo algo muito puro, sincero e natural. Com certeza, é uma amizade que será eterna”, finaliza Sigrid.