Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020

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Projeto Lumiar entrega resultados da pesquisa à comunidade

Dois livros, mapa da Rota Lumiar e uma ilustração personalizada foram entregue aos participantes

6593d62f87855134c754b44be858ec09.jpg Foto: Raquel Schwengber / Projeto Lumiar

Uma equipe do Projeto Lumiar esteve nas regiões de Testo Alto e Rio da Luz, de Jaraguá do Sul, neste fim de semana para realizar a entrega dos livros e materiais produzidos pelo projeto, que resgata memórias, sabores, lugares, celebrações e construções moldados pela herança da imigração europeia. Os entrevistados receberam os dois livros produzidos, o mapa da Rota Lumiar, como foi chamada, e uma ilustração alusiva à alguma característica marcante da história dos entrevistados.

 

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Desde 2018 a equipe do Projeto Lumiar busca entender o modo de vida, a história e as transformações ocorridas depois de 170 anos da chegada dos primeiros imigrantes à região. Agora, em outubro de 2020, entrega às comunidades os produtos resultantes de sua pesquisa: app para celular, mapa cultural turístico e dois livros. 

Junto aos moradores, foram formulados diversos produtos para reconhecer e divulgar representações da identidade cultural local, dentre eles a Rota Lumiar, trajeto que une os dois bairros por seus atrativos culturais turísticos. O público terá acesso ao roteiro através do mapa ilustrado em aquarela e de um aplicativo para celular, disponível para Android e iOS.

 

Os livros são: ‘Morar na colônia: a arquitetura da imigração em Testo Alto e Rio da Luz’, que direciona o olhar para as técnicas construtivas utilizadas durante o período de imigração. No livro ‘Histórias à mesa: memórias e sabores do Rio da Luz e Testo Alto’, as pesquisadoras assumem lugar de escuta atenta e afetuosa para absorver as histórias envolvendo, sobretudo, a culinária. 

Para a cozinheira Elia Maske, conhecida pelas saborosas cucas e bolachas, receber o resultado final do projeto é muito especial. “Eu sempre falo, que se eu soubesse antes, teria perguntado mais coisas sobre a história da minha família. Mas só comecei a entender mais a importância disso quando passei a fazer parte do turismo, depois que meu pai faleceu. E agora, ter isso (o desenho), os dois livros e o mapa, é inexplicável o que estou sentindo. Quando começamos a fazer as entrevistas, até ficamos com o pé atrás, mas a equipe do projeto sempre vinha, conversava conosco, e receber esse resultado final é bom demais”, ressalta.

 

Elia Maske se emocionou ao receber a ilustração da Casa Enxaimel onde a família comercializa os doces feitos por ela. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Tade-Ane de Amorim, que coordenou o projeto, destaca o sentimento de dever cumprido com o trabalho realizado. 

“Logo que começamos a fazer as primeiras análises e os primeiros contatos com os entrevistados, percebemos que precisávamos nos dedicar muito, técnica, cientifica e emocionalmente, porque as pessoas são muito especiais, têm histórias de vida muito incríveis. São relatos de pessoas que reconfiguraram sua vida a partir dos seu saberes, transformaram em fontes de renda e se esforçam para manter as tradições, com orgulho delas. Íamos várias vezes na casa das mesmas pessoas, para criar esse laço e nos permitíamos nos emocionar. Nos preocupamos em deixar para a comunidade um registro histórico desse momento e do passado, organizamos um banco de dados fantástico, para pesquisadores, tanto acadêmicos, quanto da comunidade”, destaca a coordenadora.

 

O Projeto 

O Projeto Lumiar surgiu como medida compensatória para o licenciamento ambiental, mecanismo indispensável para que se implantasse a linha de transmissão na faixa territorial Blumenau-Curitiba. O empreendimento pertence empresa de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica Copel, e cruza o Conjunto Rural Rio da Luz e o Conjuntos Rural Testo Alto, bairros tombados em 2007 pelo Iphan.

A equipe de pesquisa da Espaço Arqueologia realizou mapeamento da cultura imaterial referente a saberes, celebrações, lugares e formas de expressão das comunidades, documentados por meio de entrevistas, fotografias e peças audiovisuais. Já para o levantamento arquitetônico, foram elaborados croquis de dez edificações históricas e seu entorno para ilustrar as técnicas construtivas presentes na região, junto a fotografias e relatos dos moradores. A população, em especial mais idosa, participou ativamente da pesquisa, partilhando suas memórias e saberes.