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O adeus ao pai do Hino de Pomerode

Compositor do Hino de Pomerode, Aristeu Klein, nos deixou na última semana e herda um legado de muito amor à cultura

4cf4e9afa38d132d45604c8d8e15cb4a.jpg Foto: Arquivo Jornal de Pomerode

“Hoje os filhos dos bravos imigrantes, preservam seu tesouro maior: a cultura brasileira de origem alemã, fruto de trabalho e amor”. Essa, é uma das estrofes do Hino de Pomerode, criado e idealizado pelo compositor pomerodense Aristeu Bruns Klein. Infelizmente, na noite de  22 de abril, quinta-feira da semana passada, Klein faleceu em virtude das complicações da Covid-19, aos 71 anos, após passar algumas semanas no Hospital Santa Isabel, em Blumenau.

 

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A estrofe citada acima representa muito bem a figura do pomerodense, responsável pela composição da canção que marcaria uma cidade inteira, afinal, Klein sempre demonstrou o seu amor pela cultura municipal e se preocupava em preservá-la.

Natural de Guaramirim, teve na música a sua grande paixão. Aos 11 anos, o maestro passou a estudar em um seminário e foi lá que, pela primeira vez, teve contato com a música clássica. Em entrevista ao Jornal de Pomerode, em 2012, afirmou não ser um grande compositor. “Os grandes escritores de músicas trabalham por encomenda e saem coisas lindas. Eu não consigo trabalhar assim, para mim, precisa ser uma arte natural, sem pressão”, explicou.

De lá para cá, não parou mais. Aprendeu a tocar Harmônio, órgão de tubo e outros instrumentos, sempre afirmando que a música era o que o movia interiormente. Foi, também, maestro e regente do Coral Pommern Sänger, por 11 anos. Além da vocação musical, Klein ocupou cargos, como a presidência da Fundação Cultural de Pomerode e a Direção Municipal de Cultura. Atualmente, atuava no setor imobiliário.

“Ele sempre foi muito ligado à área da cultura, com projetos em mente, para que Pomerode se tornasse uma cidade cada vez mais cultural, muito além da música. Com o tempo, as autoridades municipais e até federais foram ‘comprando a ideia’ e a cidade passou a ter ainda mais espaço para a música, dança e teatro. Em uma época, não tínhamos verba para comprar um piano e o Sr. Wandér Weege, que sempre foi muito próximo ao meu marido, fez a doação de um belíssimo instrumento”, conta a esposa, Sandra Klein.

 

Composição original, feita à mão, é guardada com muito carinho pela família. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

Ela também conta que ele fazia questão de se apresentar para a família, principalmente, durante aniversários, datas comemorativas e casamentos. “Ele começava a se preparar, para o Natal, no mês de outubro. Separava músicas, fazia toda a decoração, pois ele tinha questão de levar a alegria das músicas à família. Em grande parte dos casamentos da nossa família, ele esteve presente, se apresentando e levando canções lindas, nestes momentos tão especiais e únicos”, conta a esposa.

 

Sobre a criação do Hino de Pomerode, ainda em entrevista ao JP, a grande inspiração veio de repente, em um horário inusitado.

“Durante uma madrugada, tive uma luz e comecei a imaginar a letra. Não podia perder essa oportunidade, avisei a minha esposa que eu ia descer porque precisava escrever algumas coisas. Isso já era cerca de 1h30min, de uma madrugada de verão” relembrou, acrescentando que escreveu a letra em pouco mais de uma hora e que a composição saiu um pouco diferente do que ela é hoje.

Quando surgiu o concurso para o Hino de Pomerode, o compositor diz não ter hesitado. Mas uma das regras era que o autor não se identificasse nos envelopes. Era preciso escolher um pseudônimo. “Não me veio outra coisa na mente, a não ser o meu neto que estava para nascer. Meu filho e minha nora já haviam escolhido o nome do bebê e, então, eu o utilizei: Vitor Augusto”, contou.

 

Adaptação do texto por solicitação dos jurados do concurso. (Foto: Arquivo pessoal)

 

 

Manuscritos originais da composição. (Foto: Arquivo pessoal)

A canção, criada em 2008, possui uma melodia de forte caráter cívico. Já a letra, destaca elementos da história e tradições locais. Um júri técnico elegeu a composição como representante da cidade, durante concurso cultural promovido pela ocasião dos 50 anos de emancipação político-administrativa do município.

Segundo a esposa, o legado que Aristeu irá deixar, é de muito amor e respeito ao próximo. “Acredito que ele deixou muito amor aos filhos, netos, demais familiares e amigos. Ele sempre foi uma pessoa muito fiel a Deus e, também, prezou a humildade e o respeito ao próximo. Meu marido levou a música para toda a família e inspirou muitas pessoas, também. Uma grande pessoa que deixará memórias muito boas”, relata.

Aristeu Bruns Klein deixou a esposa, Sandra, dois filhos, duas noras, três netos e demais familiares e amigos. Seu corpo foi cremado no dia 24 de abril, em Blumenau.