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No cenário bucólico, um patrimônio renovado

Sítio Tribess tem casa restaurada e mantém a tradição de sua família cuidando da propriedade

bf838ce4be1686a5def42093f19725eb.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Uma viagem ao passado, possibilitada por uma visita ao coração do bairro Wunderwald. O Sítio Tribess é a residência da família com o mesmo nome e, recentemente, foi contemplada com uma obra de restauro, financiada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan). A casa é protegida como Patrimônio Cultural Brasileiro.

 

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Mas o local tem, ainda, um toque especial, por ter uma alma, que é a família Tribess. Mais do que manter a casa e a propriedade, os proprietários, Ingo e Waltrudt Tribess, residem no local e vivem para o campo, mantendo o modo de vida herdado dos colonizadores. O proprietário conta que o sítio está em sua família há algumas gerações.

“Eu cresci aqui, morei a minha vida toda nesta casa e construí minha família, também. O Sítio foi, primeiramente, do meu avô, que comprou a propriedade, passando depois para o meu pai, e, por fim, a mim. A casa, ao todo, já tem mais de 150 anos”, conta o agricultor.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Tribess sempre trabalhou na roça e, para complementar a renda, atuava como garçom em algumas festas em sociedades da região. Esta segunda função fez parte da vida do agricultor por mais de 20 anos. “Eu nunca pensei em sair desta casa e do nosso Sítio. Onde acharia lugar melhor?”, questiona.

A esposa o ajuda no cuidado com a propriedade, com a criação de gado, alguma plantação e criação de peixes. “Ela é a cabeça que organiza tudo. Eu apenas planto e colho”, admite Tribess.

Nem mesmo durante a obra de restauro, que durou cerca de cinco meses, o casal abandonou a casa onde construiu sua vida. Neste período, Ingo e Waltrudt dormiam em um quarto anexo à casa, construído para servir de moradia, enquanto a casa era restaurada. E depois de entregue a obra, o proprietário não escondeu a felicidade pelo resultado final.

 

Família tem orgulho do patrimônio preservado. (Foto: Arquivo pessoal)

“A casa estava mais velha, já e, inclusive, uma parte do telhado já havia cedido, mas agora foi tudo reformado. Ficou tudo muito bom, jamais podemos reclamar. Agora, eu posso ficar em casa, como gosto, aproveitando para tomar uma cerveja (risos)”.

As paredes da residência do Sítio Tribess foram mantidas, bem como, o assoalho, que são originais. Nas paredes, em alguns pontos da casa, é possível ver, ainda, a pintura original, com detalhes delicados, feitos à mão, parte das características das casas em estilo enxaimel.

Hoje, o casal Tribess se orgulha em manter o estilo de vida herdado dos imigrantes. “São poucas as pessoas jovens que ainda vemos nas lavouras. Não tínhamos condições para realizar o restauro, então, estamos muito felizes com a reforma e a entrega da obra, pois assim, podemos continuar vivendo neste local que amamos, com a segurança”, ressalta Tribess.

 

A obra

A obra de restauro foi entregue no dia 05 de fevereiro. A casa enxaimel de taipa do Sítio Tribess é um exemplar raro na região e representativa da história da ocupação da imigração alemã. Foram investidos R$ 178 mil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que licitou a obra, executada pela empresa Ana Luisa Furquim - Arquitetura & Restauro, que contou com a mão de obra dos carpinteiros da Coopercasa, de Jaraguá do Sul.

O diferencial da pequena casa enxaimel são os tijolos aparentes, o que não é comum na região. A edificação principal do sítio recebeu substituição completa da cobertura, vedações em madeira e instalações elétricas, além da recuperação da estrutura em enxaimel, de alvenarias, pisos e esquadrias. O objetivo da ação foi recuperar a integridade da residência, mantendo as características que motivaram sua proteção como Patrimônio Cultural Brasileiro.

 

Paisagem bucólica é um dos charmes do Sítio Tribess. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

A casa integra o Conjunto Rural do Sítio Tribess, que, juntamente com edificações e núcleos urbanos e rurais relacionados com a imigração em Santa Catarina, foi tombado pelo Iphan, em 2007. Foi na casa, inclusive, que foi lançado, no mesmo ano, os Roteiros Nacionais de Imigração, projeto do Governo Federal que se insere no conjunto de ações de reconhecimento e valorização da contribuição das diversas etnias na formação da identidade cultural brasileira.

No Sítio Tribess, o pátio de serviços foi substituído por um espaço contíguo aos fundos da casa, logo após a cozinha e área de serviço, onde se inicia o rancho e ferramentas de trabalho e animais de criação doméstica marcam sua presença.

 

Vista aérea da propriedade. (Divulgação)

Na estrutura, destacam-se o embasamento em pedras, os encaixes das peças estruturais de madeira, sua relação com o rancho e a preservação de elementos originais (piso de tábuas largas no interior da casa, chão batido na entrada da cozinha, na área entre o rancho) e a ambientação interna (com móveis antigos, pinturas estêncil e quadros nas paredes); além da composição e integridade do rancho, com as baias para os animais, ferramentas de trabalho e embasamento de pedra, entre outras características que atestam sua autenticidade.

 

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