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Há 25 anos, cuidando da sua água

Sérgio Luiz Conte completou 25 anos como servidor do Samae de Pomerode, e contou sua história na autarquia

808ecc27e97624dbcb3c686d87e7145d.jpg Foto: -Reprodução da mesma foto, realizada em dezembro de 2019 (Arquivo pessoal)

Eu, Sérgio Luiz Conte, natural de Ibirama, Santa Catarina, 53 anos de idade, dois filhos (Bruna, de 20 anos, e Luiz Felipe, de 23 anos), Funcionário Público há 32 anos e, no Samae, completando 25 anos.

 

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Além de funcionário do Samae, também faço a gestão da minha empresa há 13 anos, a qual meus filhos hoje administram, aqui na cidade de Pomerode.
Em minha vinda para Pomerode, em 1993, trabalhei na cidade em uma empresa de Laticínios e Bebidas (Weege), onde conheci pessoas daqui e da origem do povo de Pomerode. 

Em 1994, prestei concurso público no Samae de Pomerode, onde passei em primeiro lugar, sendo o primeiro Operador de ETA (Estação de tratamento de Esgoto), contratado e efetivado em Pomerode. Iniciei na ETA 2, situada na Rua Progresso, em Testo Alto.

Em 1995, sob a Gestão da Fundação Nacional de Saúde (FNS), órgão Federal, que tinha como Diretor, o Engenheiro Sanitário Sr. Valnei Beckauser, demos início ao treinamento funcional na ETA 2, com o Sr. Paulo Wuerges, que cuidava da ETA na época, meu professor que muito me ensinou e, hoje, já está aposentado. Três meses depois, já foi chamado o segundo colocado no concurso, Sr. Gilf Stortz, quando compomos nossa equipe à época e, até hoje, continuamos parceiros de trabalho e, acima de tudo, amigos.

 

Foto efetuada em janeiro de 2000. (Foto: Arquivo pessoal)

Na época, o Samae tinha seis funcionários ao todo e, faltando poucos dias para completar meu estágio probatório, fui comunicado que a entidade FNS estava fazendo uma readequação nos municípios sob sua administração, que haveria um programa de demissão, e meu nome estava na lista. Sendo que não tinha nenhum motivo para tal, eu entrei com mandado de segurança e, em 15 dias após a exoneração, a juíza determinou minha volta imediata ao cargo.

Em 1998, depois de termos implantado algumas melhorias no Sistema ETA 2, uma das mais relevantes foi no sistema de lavagem da areia dos filtros, que contava com quatro filtros rápidos e onde a ETA era desativada para fazer o procedimento de limpeza de cada filtro, e perdia-se, em média, de quatro a cinco horas por dia de produção de água tratada. Com as alterações que fiz, com pequenas instalações e mudança de procedimentos, não era mais necessário parar a produção de água tratada durante a lavagem dos filtros, e, com isso, tivemos grandes ganhos e diminuição de trabalho e energia elétrica para atender a demanda da época.

No fim dos anos 90, já sob a administração da Prefeitura Municipal de Pomerode, o Samae viu a necessidade de ter um Técnico em Química para responder pelas ETA’s, foi onde o Diretor na época, o Sr. Wilhelm Zilz, me convidou para fazer o curso Técnico em Saneamento que iria acontecer no Senai de Blumenau. Assim, passei quase dois anos no curso, em período integral e fora das atividades do Samae, neste momento. Retornei com a formação de Técnico, onde fui promovido a Chefe de sessão na ETA 2.

Em 2003, logo após a volta do curso técnico, fui convidado pelo então diretor para assumir o Sistema ETA 1, fazer um acompanhamento técnico e funcional, visto que a operação lá era feita pelos encanadores e motoristas da época. O Diretor, então, me passou a responsabilidade técnica do sistema da ETA 1 e fazer as mudanças e adequação do mesmo para atender a demanda, a fim de trazer água de qualidade para a comunidade.

Ainda neste ano, iniciei meu curso superior em Gestão Ambiental, pois, particularmente, via a necessidade de mais conhecimento, visto que as questões do lixo e esgoto também começaram, nesta época, a serem questionadas pelo Ministério Público.

O sistema ETA 1 era composto de dois filtros lentos, que ainda hoje estão funcionando, e encontrava-se completamente sem nenhum acompanhamento técnico. Este, tratava, no máximo, 17 litros / segundo e era composto somente por uma captação, que era o Ribeirão Clara.

Filtros como estes precisavam de muitas adequações, pois, em dias de chuva, não tinha mais como tratar a água em virtude da turbidez e cor, pois não havia pré-tratamento da água antes de passar para os filtros. Com isso, em dias chuvosos, a ETA parava e era aberto o registro para abastecer a parte de baixo da cidade com água da ETA 2, que também tinha grandes dificuldades nesta condição climática. Com isso, a cidade ficava frequentemente sem água, causando muitas denúncias e reclamações por parte dos consumidores, em geral.

Fiz várias alterações no sistema, mudanças em procedimentos de limpeza dos filtros, onde, semanalmente, toda areia suja era raspada e encaminhada para lavagem em um lavador de areia fora do filtro. Foi instalado um lavador de areia dentro de cada filtro, que maximizou este procedimento e, por conta disso, mais que dobramos nossa capacidade de produção, chegando até a 40 litros / segundo.

Devido, ainda, à resistência de alguns colaboradores na época, e posteriormente até da própria Diretoria do Samae, tive que ingressar no Ministério Público para intervir junto à Autarquia, pois ainda não tínhamos condições de atender a demanda e, muito menos, com a qualidade exigida pelos órgãos de fiscalização 
Após a intervenção do MP, foi feito, então, um termo de ajustamento de conduta onde foi cobrado que, em um prazo estipulado, o Samae e o Executivo deveriam fazer obras para resolver os problemas detectados.

Foi construído, então, o Flocodecantador, um sistema onde a água bruta iria passar por tratamento antes de entrar nos filtros, com isso, não era mais necessário parar a ETA em dias de chuva. Também foi feito uma nova captação, no Salto, para aumentar a vazão da ETA e atender a demanda, vazão essa que continua até os dias atuais.

Foi construída, também, uma área grande, com laboratório, casa de química, refeitório e outras dependências, tudo de acordo com as normas vigentes.
Posteriormente, iniciaram os estudos para construção de mais uma Estação de Tratamento em Pomerode, a ETA 3, no Vale do Selke, onde eu como responsável técnico, acompanhei a elaboração dos procedimentos de funcionamento.

Agora, completando 25 anos de Samae, sinto orgulho de dizer que participei efetivamente dos avanços tecnológicos e funcionais dos três sistemas de tratamento de água da cidade de Pomerode, e poder ter ajudado, da melhor forma possível, a resolver a questão da demanda de água e com qualidade, fornecida ao povo de Pomerode.

Por Sérgio Luiz Conte

 

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