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Gerados no coração

Adoção de dois irmãos trouxe mais cor e alegria à família Perini, que agora está completa

d35ef06449659de0cc49946daaa32e1f.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Adotar um filho sempre fez parte do planejamento de vida do casal Ketlin Weiss Perini e Elias Perini. E, em agosto do ano passado, esse sonho se concretizou. Naquele mês, Marcos Weiss Perini e Arthur Weiss Perini chegaram para trazer mais luz à vida do casal e de toda a família. E, desde então, a família considera-se completa.

 

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Ketlin conta que a ideia da adoção surgiu antes mesmo do casamento, realizado em 2013. “Já falávamos de adoção antes de casar. Nossa ideia era ter dois filhos, biológico e adotivo, era uma possibilidade grande. Então, em 2014, realizamos uma tentativa de fertilização in vitro, que não deu certo”, relembra a professora.
O casal, conforme já mencionado, já tinha a ideia de adotar e também conhecia uma experiência parecida, pois tem um sobrinho adotivo. Então, a decisão de levar adiante o processo de adoção não foi difícil de ser tomada. “Para nós foi muito tranquilo, quando percebemos que não teríamos biológicos. Nunca vimos esta situação como uma coisa complicada, eu nunca sonhei muito com vivenciar uma gravidez”, revela Ketlin.

Então, finalmente, no início de 2015, o casal deu entrada com a papelada no fórum, para tentar ingressar na fila de adoção. Ao longo deste ano foi feita a parte burocrática e, ao fim de 2015, Ketlin e Elias entraram oficialmente no Cadastro Nacional de Adoção, com um perfil mais amplo.

“Desde o início colocamos no Cadastro que adotaríamos duas crianças, sempre queríamos dois filhos. Ambos temos irmãos e sabemos o quanto é bom termos alguém, então decidimos que adotaríamos duas crianças. Até porque nunca admitiríamos separar dois irmãos, adotando apenas um”, afirma Perini.

O perfil inicial cadastrado pelo casal era de uma criança até três anos e a outra até cinco. No início do ano passado alteraram para duas crianças com até seis anos. Além do limite de idade, não colocaram muitas restrições. Apenas na questão da saúde, pois decidiram ser realistas com o quanto seriam capazes de lidar.

Após cerca de três anos aguardando na fila, veio a tão esperada ligação, que mudaria a vida do casal. Em 07 de agosto de 2019 receberam uma chamada telefôncia informando que havia dois irmãos que se encaixavam no perfil proposto por Ketlin e Elias. “Era uma quarta-feira quando recebemos a ligação nos avisando. Na quinta recebemos as fotos e vídeos, e demos a certeza. Na sexta, fomos para o oeste, onde era o abrigo deles e os conhecemos no sábado pela manhã. Ficamos com eles até a terça-feira da outra semana, quando saímos da audiência, no fim da tarde, com a guarda deles. Na quarta-feira, retornamos a Pomerode. A ideia inicial era ficar apenas o fim de semana, mas estendemos nossa estadia lá, porque a aproximação deu certo”, conta Perini.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

A partir daquela terceira semana de agosto de 2019, Marcos, de seis anos, e Arthur, de três, passavam a ser parte da família. Os irmãos têm um vínculo muito forte, são muito carinhosos um com o outro, algo que emociona seus pais.

“Quando nos ligaram, ficamos com um pouco de receio, porque Marcos tem uma pequena lesão no cérebro, e procuramos saber o quanto tinha afetado ele, porque, de início, não tínhamos muita noção. A assistente social, então, fez um vídeo dele, para termos noção e decidirmos. Nós conhecemos uma menina que possui uma lesão semelhante, então ficamos um pouco mais seguros, por saber um pouco melhor como seria. O Marcos tem as limitações mas dá seu jeito de fazer as suas coisas, vai adaptando as coisas do jeito dele, faz tudo”, garante Ketlin.

 

 Os irmãos encantam pela facilidade em se socializarem, pois desde cedo, já brincam muito com os vizinhos e não têm dificuldade nenhuma em fazer amizades. “Tivemos muita sorte porque o abrigo fez um trabalho psicológico maravilhoso. A psicóloga trabalhou o fato que teriam novos pais, nova casa, e preparou até mesmo para o fato de talvez irem para casas diferentes. Mostraram fotos e vídeos nossos para eles e eles foram reconhecendo nossos rostos. Quando chegamos no sábado de manhã, a senhora que cuida do abrigo disse que eles falaram que o papai e a mamãe deles chegaram. A primeira imagem que temos deles lá é virem correndo nos chamando de pai e mãe. Foi tranquilo porque as histórias que eles ouviram ao longo de meses só ganharam rostos”, ressaltam os pais.

 

Marcos está sempre contagiando com seu sorriso. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Outro ponto positivo neste início da nova experiência foi o suporte oferecido pelo abrigo durante o período em quem Ketlin e Elias estiveram lá. O casal conseguiu, logo nos primeiros dias, participar da rotina de Marcos e Arthur, fazendo refeições juntos, dando banhos, colocando para dormir. Além disso, puderam saber mais sobre a rotina escolar de Marcos, inclusive na Apae, o que os preparou para diversas situações que poderiam ocorrer aqui.

 

Preparação e apoio são essenciais

Antes de realizarem o sonho de serem pais, Ketlin e Elias defendem que a preparação é fundamental para que a adoção seja especial como deve ser. “Para nós, o que foi o principal, é que nos três anos e meio em que estivemos na fila, fomos nos preparando. No Grupo de Estudos de Apoio à Adoção (Geaap) tivemos muito acesso a informações e relatos de outros casais e eu participava, ainda, de outros grupos no Facebook e no WhatsApp. O presencial, no entanto, foi fundamental, porque pudemos ouvir relatos de casais, com medos, problemas que tiveram. Isso nos deixou mais tranquilos em algumas situações, para não nos frustrarmos em algumas coisas”, ressalta Ketlin.

Porém, mesmo com a preparação, a mudança na vida foi radical. A professora revela que estava se preparando para um avanço gradual, indo aos fins de semana ver os meninos, enquanto preparava a casa e a rotina no emprego para a chegada deles. No entanto, na primeira vez em que foram visitá-los, acabaram ficando mais dias e voltaram como pais de dois filhos.

A partir de então, era reorganizar a casa e a vida, o quanto antes. O quarto dos meninos, de acordo com o casal já estava pronto, o que facilitou. Mesmo assim, era preciso introduzir, aos poucos, os filhos em sua nova realidade.

“Apesar de haver o desespero no início, não fiquei frustrada porque, por meio dos relatos que ouvimos, pude saber que, no início, seria assim. É preciso entender que as crianças também estão passando por uma adaptação e ter tido este convívio com outros pais, sabendo seus relatos, nos ajudou a entender até que ponto é normal. Ter uma rede de apoio é muito importante”, defende Ketlin.

 

Arthur fará três anos no mês de março. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

E quando falamos em rede de apoio, não são apenas outros pais que já adotaram, mas também de família e amigos, que precisam entender a adaptação gradual. Ketlin e Elias, desde o início, informaram aos familiares e amigos que estavam na fila da adoção e que, quando ela se concretizasse, precisariam de um tempo maior para todos se adaptarem à nova vida, principalmente as crianças.

“Nossa família e amigos foram muito compreensivos com relação a este nosso pedido. Foi necessário tempo para que os meninos e nós entendemos essa nova realidade, a nova rotina. E principalmente que Marcos e Arthur criassem uma sensação de pertencimento, passassem a ver nossa casa como um lar”, comentam.
“Foi muito importante ter este início com o espaço. Porque era necessária a adaptação deles também a nós, como família, para entender as manias, as regras, o comportamento. Foi muito bacana, pois a rede de apoio que precisava, apoiou. A vinculação com os meninos, graças a Deus, foi muito tranquila. Aos poucos as coisas se encaixando conforme a nossa rotina”, acrescenta Elias.

E toda a paciência nestes primeiros meses pós-adoção, trouxe como recompensa um fim de ano muito especial. Para Ketlin, o fim de ano foi maravilhoso, principalmente o Natal, agora com a família completa.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Nossa família toda estava eufórica e o Natal teve muitos brinquedos, para os novos membros. A minha sogra, mãe do Elias, já tinha netos adolescentes, então ficou radiante por ter novos netos pequenos. Já a minha mãe não tinha netos ainda e, nesta mesma época, nasceu o bebê da minha irmã, então foi o primeiro Natal na casa da minha mãe com crianças pequenas. Fizemos uma noite de Natal na casa de cada parte da família. O fim de ano todo foi maravilhoso, as primeiras férias, primeiros passeios, mais próximos de casa, para não dar um passo maior do que a perna. Mas a alegria é indescritível”, finaliza Ketlin.

 

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