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Fundador do Grupo Kyly, Salézio Martins, receberá a Ordem do Mérito Industrial de Santa Catarina

A Ordem é a maior honraria concedida pela FIESC

71514b24b954fcbde8591052d961c44d.jpg Foto: Divulgação / Fiesc

O empresário e fundador do Grupo Kyly, Salézio José Martins foi um dos indicados para receber a Ordem do Mérito Industrial de Santa Catarina, pela Federação das Indústrias (FIESC). 

 

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A solenidade deve acontecer no dia 22 de outubro, na sede da entidade, em Florianópolis. A cerimônia havia sido adiada em função da pandemia, e será realizada com rigorosa observação dos protocolos de segurança e número limitado de participantes.

Serão condecorados, ainda, os industriais: Fernando Cestari de Rizzo (Tupy, de Joinville), Gelson Dalla Costa (Apti Alimentos, de Chapecó), Júlio André Ruas Tedesco (in memoriam – Grupo Tedesco, de Balneário Camboriú), Sirivaldo José Barbieri (Pioneiro Baterias, de Água Doce), Ricardo Minatto Brandão (Brametal, de Criciúma), além de Vicente Donini, do Grupo Marisol, de Jaraguá do Sul, que receberá a comenda nacional, da CNI.

Criada em 2000, a Ordem do Mérito Industrial de SC reconhece, anualmente, personalidades ou organizações que tenham contribuído para o desenvolvimento da indústria

 

 

Trajetória de sucesso

Salézio José Martins reinventou-se profissionalmente quando estava perto dos 40 anos. Hoje, aos 71, ele olha com orgulho para o caminho percorrido – não apenas pela construção de uma das maiores fabricantes de roupas infantis do Brasil, a Kyly, mas por ter feito isso com a participação essencial da família. “Preservar a união em casa era mais importante do que o sucesso nos negócios. Ter conseguido as duas coisas é uma bênção”, afirma.

Na década de 1980, Salézio, formado em Letras, trabalhava como repórter num jornal de Blumenau e dava aulas de Português e de Redação em escolas da cidade. Mesmo com o cotidiano atarefado, o orçamento doméstico permanecia sempre no limite. Claudete, a esposa, cuidava das três filhas pequenas do casal e ainda encontrava tempo e disposição para prestar serviços de costura.

Certo dia, Salézio soube que a Hering estava colocando à venda teares usados e decidiu investir na compra de duas máquinas, que instalou na garagem de casa. A ideia era produzir malha de algodão para vender às confecções da região. Com o propósito de ter pelo menos um cliente fiel, ele incentivou o pai, José, descendente de alemães que começara a vida como agricultor, a abrir uma confecção.  Com Claudete supervisionando rigorosamente a qualidade, a produção da malha de algodão encontrou um vasto mercado.

Dois anos mais tarde o casal comprou um terreno em Pomerode e lá iniciou a construção de um galpão com 540 metros quadrados para abrigar o crescimento do negócio. Como a confecção de José ia mal das pernas, acumulando dívidas, Salézio propôs assumir o negócio do pai, que rebatizou de Kyly. Era o apelido de Karine, a filha mais nova aquela altura – a caçula “definitiva”, Naraline, ainda não havia nascido.

A inauguração da nova sede, no dia 18 de julho de 1987, deveria ser um momento feliz, mas foi marcado por um acontecimento trágico: a morte de José, vitimado por um ataque cardíaco fulminante em plena celebração.

Mesmo em meio a tanta tristeza, não havia outro caminho que não fosse seguir adiante. Com mais espaço e maquinário ampliado, o negócio evoluiu da produção de tecido para a confecção de roupas. No começo, a empresa executava projetos dos clientes. A primeira encomenda de peso veio da rede Sabina, do Rio de Janeiro, com lojas também em São Paulo e Recife. Depois foram chegando pedidos de gigantes da época, como Mappin e Mesbla.

Taciane, a filha mais velha, começou a trabalhar na empresa ainda adolescente. Atendia os grandes clientes e, com isso, foi aprendendo os macetes do mercado e dos desenhos das peças. Passou a criar coleções. O público gostou especialmente das infantis, que davam bom retorno financeiro – as peças, repletas de estampas e detalhes, tinham maior valor agregado. “Com a vantagem de que as crianças crescem rápido e sempre precisam de novas roupas”, ressalta Salézio.

A Kyly encontrava, assim, a sua grande vocação: roupas infantis com cores fortes, marcantes. Hoje, a marca lança quatro coleções por ano, cada uma delas com cerca de 130 modelos. Quando se dedicou ao projeto de exportar, a empresa concluiu que a preferência na Europa era por roupas menos chamativas. Assim surgiu, em 2006, a marca Milon, com modelos infantis mais sóbrios – algo que também acabou agradando muitos consumidores no Brasil. Além das exportações para 30 países, a Milon virou rede de franquias e já passou de 70 lojas.

Taciane continua na empresa, como diretora de marketing, enquanto Karine atua na área de inovação. As duas trabalham a distância, pois moram nos Estados Unidos – e são justamente elas que têm os cinco netos de Salézio e Claudete. As outras filhas – Michele, formada em Publicidade e Propaganda, e Naraline, em Comércio Exterior – desenvolvem suas carreiras fora da empresa familiar e ainda não têm filhos.

Em 2010, quando a empresa completou 25 anos, Salézio deixou o dia a dia do negócio, assumindo a presidência do Conselho de Administração. A primeira tentativa com um executivo profissional não foi bem-sucedida. Aos poucos, a empresa foi encontrando uma forma peculiar de gestão. O poder é dividido entre três diretores, que tomam as decisões em comitê: além de Taciane, os outros são Robson Heidemann, responsável pela parte industrial, e Claudinei Martins, um dos irmãos caçulas de Salézio – são 20 anos de diferença entre os dois. 

As marcas Amora e Lemon, voltadas ao público pré-adolescente, surgiram como uma estratégia para ampliar a duração do relacionamento com a clientela. Outra novidade foi a Nanai, marca infantil que remete a conceitos de brasilidade. No final do ano passado o grupo inaugurou a própria fiação, a Fio Puro, resultado de um investimento de R$ 44 milhões.

Satisfeito com a equipe que montou, Salézio acompanha com tranquilidade a evolução dos negócios. Como não precisa ir diariamente à empresa e detestaria a ideia de ficar parado, continuou sempre exercitando a vocação empreendedora. Já investiu no ramo de energia e participou da sociedade que construiu uma moderna fábrica de cimentos em Adrianópolis (PR).