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Amor a uma causa nobre

Voluntária resgata animais abandonados e os encaminha para um novo lar

2835f2e9e5764db0ad673ffe8a3c1376.jpg Foto: Arquivo pessoal

Trabalhar com o voluntariado é uma iniciativa que exige vocação e dedicação quase que integral. Por isso, as pessoas que se engajam nesta tarefa tão nobre, merecem ser elogiados pelo serviço prestado.

 

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Cátia Storch tem 48 anos e é administradora. Moradora de Navegantes, há cinco anos atua como voluntária na ONG Pró-Bichos, naquela cidade. No entanto, desde 2012, ela já realiza o trabalho voluntário de cuidar de animais abandonados, acolhendo-os em sua própria casa. Como lar temporário oficial, Cátia está desde o ano de 2017 cadastrada na ONG Pró-Bichos.

Ela explica que o trabalho da ONG é fiscalizar os maus tratos de animais. “Nosso papel, como voluntárias, é prestar esclarecimentos à comunidade e procurar lares para animais abandonados, já que a cidade não possui um abrigo para esses animais. Cabe a nós, voluntários, acolher esses e dar todo o conforto e cuidados necessários, até que encontrem um novo lar, onde serão respeitados e amados”, conta Cátia.

 

Além disso, as voluntárias cadastradas, como é o caso de Cátia, procuram conscientizar as pessoas, por meio de campanhas, para que tratem os animais com muita responsabilidade e respeito.

Cátia comenta que, quando chega um animal abandonado e ela o acolhe, primeiramente, ele é encaminhado para veterinários parceiros, para que estes examinem, mediquem, e realizem a castração, além de dar todo o cuidado necessário até que estejam saudáveis e possam ser encaminhados para adoção.

Ao longo de seu tempo como voluntária, Cátia comenta que já vivenciou diversas histórias emocionantes, mas cita duas que ficaram marcadas em sua vida.

“Uma delas é a do Billy, um cachorrinho, da raça Shitzu, que possui uma doença autoimune e foi encontrado em abril de 2019 em uma situação muito crítica, amarrado em uma árvore, em um bairro de Navegantes. Após, aproximadamente, seis meses de tratamentos e cuidados, Billy se recuperou da doença e já estava todo feliz na minha casa. Sim, nesse caso, eu fui a adotiva dele pois, gostaria de acompanhar de perto toda a recuperação e acabei criando muito amor por ele. Porém, recentemente, Billy apresentou uma reincidência da doença e está precisando novamente de tratamento. Nossos cuidados são contínuos e não desistimos nunca”, revela a administradora e voluntária.

 

A outra história que marcou a vida de Cátia, como voluntária, é a da Belinha, uma “senhorinha”, segundo a administradora, no mundo dos animais, pois já tem 16 anos.  

“O abandono de animais com mais idade é muito comum, pois, esses já não possuem tanta energia para brincar e os donos acabam os abandonando, o que é muito triste. Belinha foi abandonada pela própria dona, em Navegantes. Estava totalmente sem pelos, pois tinha uma dermatite muito séria. Junto com a Belinha, a dona deixou a documentação e uma carta explicando que não conseguia mais cuidar dela. Muitas pessoas não acreditavam na recuperação da Belinha, inclusive, indicando eutanásia. Fui totalmente contra e lutei por ela. Hoje, a Belinha mora comigo e está toda linda e recuperada. Sou grata por isso e amo ela.

Para a voluntária, a maior motivação são os números altos de abandono de animais, que geram revolta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, só no Brasil, existem mais de 30 milhões de animais abandonados. “Essa situação acende, ainda mais, o alerta diante de uma nova realidade mundial, já que muitos pets têm sido abandonados, em diversos países, devido à pandemia do coronavírus”, afirma.

E como o trabalho realizado é voluntário, a obtenção de recursos é sempre a parte mais difícil. Cátia afirma que buscam fazer parcerias com empresas, prefeitura e, também, têm ajuda da própria comunidade.

“A busca pelos recursos é uma luta diária e estamos sempre buscando renovar, através de campanhas, para manter as pessoas motivadas a doarem”, ressalta Cátia.

Entre os recursos necessários, há o “profissional”, ou seja, veterinários dispostos a oferecer exames, tratamentos, vacinas e castrações, gratuitamente. Hoje, a ONG conta com três veterinários em uma clínica parceira e ainda, mais alguns veterinários em uma clínica conveniada com a prefeitura, para casos mais urgentes. 

Além do recurso profissional, é necessário alimentar os animais, então, a busca por ração é sempre contínua também. Quando a ONG não consegue ajuda financeira, realiza campanhas, principalmente, no Facebook, para arrecadação de tampas plásticas ou latinhas, as quais são convertidas em dinheiro para compra de ração. Essa campanha é a maneira mais fácil da comunidade participar e é de grande ajuda.

Outra forma de busca de recursos, são as “vaquinhas online” que estão sendo muito bem recebidas pela população, pois os mesmos sabem para onde o dinheiro está sendo destinado. 

“Por último, buscamos voluntários dispostos a oferecer lar e cuidados temporários e depois, pessoas com muito amor para doar, as quais, acabam adotando esses animais. Destaco que os voluntários não recebem nenhum centavo pelo trabalho, fazemos por muito amor. Para mim, não são apenas animais (cachorros ou gatos), são vidas, e precisam de amor, alimentos, carinho, segurança e tudo mais. Desejo que cada vez mais as pessoas passem a adotar animais abandonados, entendendo que esses não possuem culpa de estarem sozinhos no mundo”, finaliza Cátia.