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Jornal de Pomerode

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Agricultura pensando em estilo de vida mais saudável

Cada vez mais, as pessoas estão dispostas a priorizar a qualidade nos alimentos que consomem.

afbbd0bbe4ab67b3b9db62971ca7eadb.jpg Foto: -Edilson mantém diversas variedades de hortaliças (Divulgação)

Ter alimentos de qualidade à mesa é um desejo que vem crescendo na sociedade atual. Cada vez mais, as pessoas estão dispostas a priorizar a qualidade nos alimentos que consomem.

 

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Esta foi a intenção do pomerodense Edilson Glau, que cultiva, em sua propriedade hortaliças e frutas orgânicas, sem o uso de qualquer adubagem química ou defensores agrícolas, tornando sua produção orgânica. “Eu sempre gostei muito de comer verduras e como temos uma propriedade grande, pensei em aproveitar este espaço e cultivar as frutas e verduras, da forma mais natural possível. Então, comecei com as minhas plantações há cerca de cinco anos”, comenta Glau.

A opção pelo que será plantado é de acordo com a época do ano e o clima. Glau cultiva a horta mais no período do inverno, devido ao clima mais ameno que as plantas necessitam, plantando alface, beterraba, repolho, brócolis e outras hortaliças. Já no período do verão cultiva milho, aipim e batata doce, por exemplo. O agricultor também mantém, em seu terreno, o pomar e a criação de animais.

 

(Foto: Divulgação)

“Hoje em dia, as plantações, em geral, recebem muito adubo químico. Eu só utilizo na minha plantação adubo natural, com esterco e o que sobra das outras plantas, por exemplo as sobras do milho. Eu planto tudo em pequenos montes para que, caso chova, não haja acúmulo de água e estrague a plantação. Quando há pouca chuva, eu faço a irrigação manualmente”, explica.

Na propriedade da família Glau, onde ele reside com o os pais e a irmã, são cerca de 75 mil m² de área plantada. No início, começou com 400 pés de couve-flor. No ano seguinte passou para 1.200 pés, com mais plantas. Hoje, são cerca de 5.000 pés plantados, de várias verduras e hortaliças.

Vizinhos, colegas de trabalho, pessoas da região e até alguns restaurantes procuram pela produção de Glau, porque dizem ter um sabor diferente. Ele cuida de tudo sozinho, porque gosta e considera um hobby em sua vida. “Cada vez mais pessoas procuram, porque faço com gosto e muito cuidado. Às vezes recuso alguns compromissos, convites, por ter que cuidar da minha plantação, mas faço porque gosto. E são coisas muito saudáveis, o que é o melhor”, ressalta.

 

Cada vez mais pessoas procuram, porque faço com gosto e muito cuidado. Às vezes recuso alguns compromissos, convites, por ter que cuidar da minha plantação, mas faço porque gosto. E são coisas muito saudáveis, o que é o melhor.

 

Ao longo da semana, Glau trabalha na parte da manhã na empresa Karsten. À tarde e aos fins de semana, a atenção é quase toda voltada à sua plantação, o que faz com que seja um produto de qualidade, pela atenção que o cultivo recebe.

A mãe, Anita, adora que o filho faça isso e, algumas vezes, vai ajudar no que consegue. O pai, em seus 82 anos, ainda trabalha na roça também, como pode, principalmente com os animais. E, diversas vezes, as plantas cultivadas crescem tanto, que surpreendem quem vê as fotos compartilhadas por Glau em suas redes sociais, principalmente por serem cultivadas de forma 100% natural.

 

Consciência em relação ao cultivo saudável cresce

A engenheira agrônoma da Epagri de Pomerode, Eneide Barth já visitou a propriedade de Edilson Glau e se impressionou com o que viu. Ela também afirma que os agricultores estão ficando mais conscientes em relação ao uso de insumos agrícolas e estão preferindo técnicas que promovam mais saúde do solo e do cultivo, a exemplo de Glau.

“Mas quanto à tecnologia, em termos de equipamento, uso de planilhas ou equipamentos por celular, por exemplo, ainda temos muito a percorrer. Existe pouca oferta para soluções direcionadas a pequenas produções, mas sim mais voltadas a soluções agroecológicas. Existe uma preocupação maior com a qualidade dos produtos, notável em conversas. Que os produtos não sejam contaminados com agrotóxicos. Nos últimos 10 anos, a sociedade, como um todo, tem preferido alimentos mais limpos, produzidos com mais responsabilidade, ou sem adubação química, que se não for bem feita provoca surgimento de problemas”, explica.

 

 

Com relação à preocupação com futuro, Eneide pontua que é interessante destacar que existem dois modelos de produção agrícola em Pomerode. Uma na qual os proprietários tem um emprego fora, na indústria, por exemplo, e mantém o plantio e criação para consumo da família, com algumas eventuais vendas.

O outro modelo é de um negócio, de agricultores que tiram o seu sustento da comercialização do que produzem, que estão, sim, mais preocupados com futuro, tentando encontrar formas de profissionalizar a produção, de uma maneira que seja viável.

“No outro modelo, da agricultora como atividade complementar, a preocupação maior é quanto à continuidade do estilo de vida, pois as novas gerações, os filhos e netos destes agricultores estão buscando mais empregos fora do campo e pouco tempo têm para se dedicarem à produção agrícola”, destaca.

 

No outro modelo, da agricultora como atividade complementar, a preocupação maior é quanto à continuidade do estilo de vida, pois as novas gerações, os filhos e netos destes agricultores estão buscando mais empregos fora do campo e pouco tempo têm para se dedicarem à produção agrícola.

 

Pomerode possui 746 estabelecimentos agropecuários, de acordo com dados do IBGE de 2018. No entanto, na metodologia do IBGE, um estabelecimento agropecuário não necessariamente é uma propriedade rural. Portanto, esse número representa uma quantidade maior de espaços do que efetivamente de propriedades da agricultura familiar.

Ao lado, informações sobre uma característica muito representativa do perfil dos produtores de Pomerode: dos 746 estabelecimentos agropecuários, apenas em 39 deles, a renda agropecuária foi declarada como a principal fonte para o proprietário. Isso corrobora a percepção vivenciada no dia a dia da extensão, de que as famílias no meio rural de Pomerode dividem sua mão de obra e tempo, com atividades remuneradas externas às propriedades.

 

(Foto: Divulgação)

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