Quinta-Feira, 04 de Junho de 2020

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A maternidade em meio à pandemia

Confira relatos de mulheres que foram mães em meio à pandemia, com todas as mudanças provocadas pela disseminação da doença

75529f40c65cf317b05661733a99092b.jpg Foto: Arquivo pessoal

O nascimento de um filho, de acordo com muitas mulheres, é um dos momentos mais importantes de suas vidas, em que a felicidade toma conta de toda a família. Porém, para muitas mamães ao redor do mundo, com a pandemia do coronavírus, a expectativa pelo nascimento de seus filhos vinha acompanhada do sentimento de apreensão e de diversos cuidados especiais, já que as gestantes são um grupo considerado de risco para a doença. 

 

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Duas famílias pomerodenses passaram por estes momentos nas últimas semanas. O casal Iasmine Tainara Duve Turinelli e Claudio Tuarinelli é uma delas, que vivia a expectativa da chegada do segundo filho. Lívia Aimê Turinelli é a mais velha, com dois anos e sete meses, e agora Théo Lorenzo Turinelli, com um mês e meio de vida. Ele nasceu no dia 20 de março, no Hospital e Maternidade Rio do Testo.

A pandemia foi apenas mais uma turbulência pela qual Iasmine passou com sua família, em meio ao fim da gestação de Théo. Uma semana antes de seu nascimento, Iasmine estava se organizando para passar o resguardo na casa dos pais, pois estavam passando por um momento muito delicado na família, já que sua tia estava hospitalizada lutando contra o câncer. 

 

“Entre minhas tias, mãe e Oma era uma situação delicada, sei que estavam todas felizes em saber que o Théo iria logo nascer, mas muito tristes pela situação. Eu já cogitava marcar a cesárea, pois o Théo era um bebê grande eu sentia desconfortos no fim da gestação, além de histórico do parto anterior. Mas eu não me sentia pronta ainda em marcar uma data pela preocupação do estado de saúde da minha tia”, relembra. 

Na manhã do dia 12 de março, a tia de Iasmine, infelizmente, faleceu. “Ela sempre amou crianças. Quando a Lívia nasceu ela vinha me visitar todos os dias. Eu sei que ela iria amar poder ter conhecido o Théo também! Mas o destino não quis assim. Então, no dia 17 eu tive retorno no obstetra, estava completando 38 semanas de gestação e com muitos desconfortos, então ele sugeriu realizar a cesárea”, afirma Iasmine.

Com toda essa turbulência, ela admite que a pandemia era um dos assuntos que menos havia sido comentado em casa. Iasmine ainda estava trabalhando com a mãe no comércio, e então, de acordo com ela, “caiu a ficha” da pandemia que havia surgido. 

“Dia 18 saiu o decreto da quarentena, o que fez com que eu ainda pudesse ter um dia inteiro com minha filha, meu marido e meus pais. Lembro que mais uma vez arrumamos os últimos detalhes das bolsas que levaríamos ao hospital e a ansiedade começou a surgir. O hospital então, emitiu um comunicado, pelas redes sociais, que não estava liberada a entrada de visitas no hospital, e então começamos a avisar os familiares”, comenta. 

No dia 20, em que Théo veio ao mundo, a família acordou cedo para poder seguir ao hospital e realizar a internação. Às 10h30min, segundo Iasmine, começou o processo para irem ao centro cirúrgico. O papai, Claudio, muito ansioso, foi para outra sala se equipar também com todos os cuidados utilizando álcool gel nas mãos, vestimenta, touca, máscara e todos os Equipamentos de Proteção Individual necessários para a entrada no centro cirúrgico.

 

(Foto: Arquivo pessoal)

“Então às 11h06min, conhecemos nosso príncipe, uma emoção enorme, preenchendo nossos corações com muito amor e nos fazendo esquecer de tudo o que estava acontecendo lá fora”, ressalta Iasmine.

As recomendações já vieram no centro cirúrgico, para que a família avisasse aos familiares e amigos que não estavam permitindo visitas no hospital, zelando, assim, pela saúde, além de evitarem ir à casa da família, também, como é costume depois do nascimento de algum bebê. “Ainda no hospital, enfermeiros e demais funcionários já utilizavam máscaras e organizavam o distanciamento social como prevenção ao Covid-19”.

 

Dois dias após o nascimento de Théo, Iasmine e o bebê receberam a alta hospitalar, e o desafio já começou em precisar ir até a farmácia, na qual já havia uma fila enorme e todos com a mesma necessidade. “Quando informamos à atendente, que estava na porta controlando a entrada dos clientes e distribuindo álcool em  gel, de que estávamos com o Théo recém-nascido dentro do carro, ela atenciosamente deixou o Claudio logo entrar para que não precisássemos esperar tanto tempo”. 

Em meio a rotina com um recém-nascido, o isolamento social fez com que Iasmine tivesse mais ajuda com as crianças e afazeres do lar. “Quem é mãe, sabe das dificuldades que temos durante o dia com um recém-nascido nos braços, por muitas vezes mal dá tempo de ir ao banheiro, até mesmo ir comer, pois o bebê depende única e exclusivamente da mãe. A ajuda que tive foi essencial e agradeço muito aos meus pais por todo esse apoio”, enaltece. 

As visitas, segundo Iasmine, mantinham-se proibidas. Todos os dias a família enviava fotos do Théo para a família e amigos. A mãe afirma que tinham consciência de que a ansiedade era grande para conhecerem ele, e, ao enviarem as fotos todos reafirmavam o quanto ele trouxe paz e alegria em meio a essa pandemia. 

 “Quando chegamos à casa dos meus pais, após recebermos alta do hospital, a surpresa! Lívia com dois anos e cinco meses iria descobrir o que era ter um irmãozinho. Ela teve uma reação incrível, dava gargalhadas ao olhar para o irmão sem demonstrar nenhum ciúme, apenas amor! Eu já sonhava com esse momento e pedi para que meu marido registrasse através de vídeo, para mostrar aos familiares e também, para que no futuro a gente possa mostrar para os dois o quão lindo e marcante foi o momento em que eles se conheceram. Quando deitamos o Théo na cama, Lívia sentou-se ao lado dele e disse em meio as risadas ‘ele tá dormindo! Não pode acordar né?!’ Ela tem sido muito amada com ele, se preocupa com o irmão e adora fazer carinhos nele, como ela mesma diz: ‘beeeem de levinho, né mãe?!’”, comenta.

Depois de mais de um mês após o nascimento, os pais de Iasmine e o marido, Claudio, voltaram a trabalhar fora de casa e, por isso, a família passou a adotar algumas medidas para quando eles retornam para casa. Quando chegam, vão logo tomar banho e colocar roupas limpas. A família tem álcool em gel já na porta de entrada da casa para aumentar a proteção e, só então, eles se aproximam de Iasmine, Lívia e Théo. 

“Medidas essas que são necessárias, para que possamos continuar saudáveis e seguindo em frente. Com muita fé e esperança de que logo, tudo isso vai passar”, frisa a mamãe.

 

Experiência diferente

Os papais Sarita da Silva Resner e Alexandre Resner, tiveram a experiência com o nascimento do filho Igor da Silva Resner em meio à pandemia, no dia 30 de março.

Além de toda a ansiedade com o nascimento do  filho, havia a necessidade de cuidados mais intensos. “Foi uma situação bem atípica, diferente de tudo que era de costume, medidas de higiene extremas, contatos super restritos com outras pessoas e o medo de estarmos expostos a um ambiente vulnerável e com pacientes internados, nas enfermarias e alguns na UTI”, comenta Sarita.

Ela havia sido afastada do trabalho assim que foi decretado o isolamento e, por na época ser gestante, isolou-se completamente, ficando praticamente confinada em casa. Era o marido, Alexandre, quem comprava tudo o que ela precisava ou pediam por delivery.

 

(Foto: Arquivo pessoal)

“Além desse caos em que estamos vivendo, Igor quis vir ao mundo antes do tempo e meu parto de emergência precisou ser realizado em Blumenau. O Igor, logo que nasceu, precisou de UTI Neonatal. Ficamos durante 11 dias no hospital, somente eu com ele, sem ter contato com mais ninguém da família. Eram regras do hospital, para evitar o mínimo de pessoas de fora circulando”, afirma Sarita.

Quando a família pode ir para a casa, os cuidados continuaram, pela saúde frágil do Igor, no início. “Apesar do medo e da insegurança, graças a Deus deu tudo certo, ocorreu tudo bem. O Igor está super tranquilo, crescendo bem e visitas só online por enquanto (risos), por conta de ele ter sido prematuro e por conta da pandemia”, finaliza.