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Marciana Seiler Piske tem como companheira, há quase cinco anos, a prótese na perna esquerda e relata como mudou a sua vida, para se adaptar à nova realidade

931f8b74f01b6e5cb055156152923a5d.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Conhecida pela alegria, sorriso contagiante e vontade de vencer, Marciana Seiler Piske, de 36 anos, é um exemplo de superação, neste início de ano. Há quase cinco anos, a sua vida sofria uma mudança drástica. Foi na Páscoa de 2015 que ela sofreu um acidente de trânsito, na SC-421, na famosa Curva do Tiedt, enquanto se deslocava para Blumenau, para cuidar do pai, que estava internado. 

 

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Devido à gravidade do ferimento sofrido na perna esquerda, esta precisou ser amputada, algo que mudou, e muito, a vida e a rotina de Marciana. Sete meses depois do acidente, ela pôde dar os primeiros passos com a sua prótese, obtida graças à solidariedade de várias pessoas. Foi realizado uma Zumba beneficente, uma ação entre amigos por moradores do seu bairro, e as pessoas que contribuíram, de alguma forma, têm a sua eterna gratidão.

Aos poucos, ao longo dos anos, Marciana tirou de seu vocabulário a palavra renúncia, pois jamais desistiu de fazer o que ama. Sempre apaixonada por atividades e por estar entre amigos, mesmo com a prótese, Marciana trabalha e pratica treinos funcionais.

 

Atividades na academia são realizadas duas vezes por semana. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode) 

“A minha vida, no geral, é bem normal, com apenas algumas adaptações, principalmente nos treinos. Eu troquei de emprego recentemente, e agora atuo na área do departamento financeiro da Cativa, e posso ficar sentada durante as oito horas. Também faço academia duas vezes por semana, porque as atividades físicas são muito importantes” relata.

No treinamento funcional, realizado na Bella Fit, a professora Jéssica Delfina Schulz, explica que é necessária uma adaptação, mas que Marciana é um exemplo de determinação. 

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Pensamos sempre em exercícios diferenciados, porque ela tem a prótese e a gente precisa adaptar as coisas. Para mim está sendo um estudo muito bom, porque ainda estou na faculdade, e um desafio, para nós duas”, afirma.

Marciana também agradece à professora Ângela Ewald, que, assim como Jéssica, não mede esforços para que ela consiga praticar a sua atividade física, a qual tanto ama.

Quanto à readaptação após o acidente, a mudança do estilo de vida, no início, foi difícil, porque, de acordo com Marciana, você nunca sabe a hora que vai cair. “Estou aprendendo todos os dias, quando coloco a prótese, você se prepara para enfrentar os obstáculos. Eu tenho dor, mas preciso enfrenta-la todos os dias, para seguir em frente, da melhor forma”, ressalta.

Hoje Marciana se define como uma pessoa, com respeito às suas limitações, dando o seu melhor. Com tudo isso, Marciana também aprendeu que o preconceito é você mesmo quem faz, pois é preciso se aceitar para que os outros também o façam.

 

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

“Com a minha prótese e devida adaptação eu pude voltar a fazer coisas que amo, como dançar e treinos funcionais. Não devemos ter vergonha e, mais do isso, precisamos admitir que precisamos de apoio também. Além disso, desistir jamais! Tenho, ainda, um sonho bastante caro, mas desejo uma prótese apropriada para corrida”, revela Marciana.

Sobre as mudanças, Marciana é enfática. “Eu acredito muito em milagres, em destino e creio que cada pessoa chega aqui com um objetivo. Hoje sou mais madura, aprendi muito com essa fatalidade, tenho mais fé e espiritualidade. O sorriso que carrego no rosto é o que dou a mim mesma todos os dias, para que transmita ânimo e alegria. Sempre digo que é preciso sorrir para nós mesmos”, reforça.

Força e garra são palavras de ordem para Marciana e, para isso, ela conta com o apoio incondicional da família e amigos. 

“Sou otimista e acredito no poder de nossos sorrisos, mas nem todos os dias somos assim. E quando precisei, minha família e meus amigos estavam lá. Meu marido me motivou muito, me ajudando sempre. Ele procurava vídeos e me mostrava como ainda eu podia levar uma vida muito feliz. Meus filhos também foram minha motivação, nunca desistindo de mim, assim como não desisto deles. A eles, família, marido, filhos, amigos e todos que torceram e ainda torcem por mim, perto ou longe, só posso agradecer”, finaliza.

 

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