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A arte de lecionar e de se reinventar

Professores precisaram se adaptar às novas formas de ensinar, em um tempo de rotinas anormais.

691389794dee60cdda7db77c5754fd7f.jpg Foto: -Carla leciona matemática desde 1990Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

O professor é o mestre de todas as outras profissões, já que é por meio da arte de ensinar que se formam os cidadãos que constroem o futuro. E é para homenagear os mestres do saber que existe o Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro.

 

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Em Pomerode, a educação sempre foi referência e isso se deve, diretamente aos professores que se dedicam diariamente a transmitir seu conhecimento aos jovens pomerodenses.

Um exemplo desta dedicação é a professora Carla de Oliveira, que leciona matemática nas escolas Vidal Ferreira e Hermann Guenther. Sua trajetória como docente iniciou em 1990 e ela já soma 30 anos de experiência na sala de aula, 27 deles na escola Hermann Guenther. Ela revela que a opção pela profissão foi por influência familiar.

“Na minha família todos foram professores. Meu pai e minha mãe foram professores, e os 12 irmãos dela, também. Lembro de quando eles se sentavam à mesa para trabalhar, corrigindo provas e trabalhos, e eu queria participar deste trabalho. Também, quando ia à escola, nos intervalos entre as aulas, ajudava meus colegas com matemática, já que tinha facilidade e assim fui pegando gosto”, conta.

O seu primeiro emprego como professora foi na Escola Amadeu da Luz, com apenas 18 anos, e sua primeira referência foram os professores mais antigos. “Com os meus alunos, havia pouca diferença de idade, e era muito amiga deles e se tornou uma extensão da minha casa. Eu fazia tudo porque gostava, não por ser obrigação”, destaca.

 

Com os meus alunos, havia pouca diferença de idade, e era muito amiga deles e se tornou uma extensão da minha casa. Eu fazia tudo porque gostava, não por ser obrigação.

 

Carla optou pela matemática, porque tinha muita facilidade nesta área de conhecimento. Ela havia passado pelo primeiro ano de faculdade quando começou a lecionar. “Fiquei com um friozinho na barriga quando entrei na sala de aula e vi aquelas crianças me olhando e esperando algo de mim. Mas acabei me dando muito bem com os alunos”, afirma.

Neste início, Carla adorava o contato com os alunos, mas teve dificuldades no ambiente de trabalho, chegando até mesmo a ficar desmotivada. Mas a partir do momento em que se sentiu bem acolhida, nas escolas Vidal Ferreira e Hermann Guenther, sentiu-se em casa, que havia escolhido a profissão certa, em uma extensão de sua própria casa.

E, neste ano, a rotina que antes parecia natural, mudou drasticamente. Com a pandemia da Covid-19, os professores precisaram se adaptar ao ensino remoto, reinventando-se na hora de ministrar as aulas e preparar os conteúdos.

“Nos dias a mais de paralisação, após os 15 primeiros dias sem aulas, eu já tinha formado grupos com os alunos dos nonos anos, já gravando os vídeos, para passar os conteúdos. Eu não parei muito para pensar que seria um desafio, sempre pensei que precisava achar uma forma de chegar neles, ensinar a eles, e fiz tudo pensando em meus alunos, por isso vem dando certo”, destaca.

 

 

Uma das adaptações feitas por Carla foi em casa. Ela adquiriu um quadro e montou um escritório de trabalho em sua residência, onde grava as aulas para seus alunos. Depois de gravadas, as videoaulas são publicadas no Youtube e o link enviado aos alunos. Assim, Carla consegue ter um controle a respeito de quem assistiu ou não à aula.

“Eu gravo quantas vezes forem necessárias para que fique bom. Neste contexto de pandemia, eu descobri que sou uma pessoa perfeccionista, que me atenho muito aos detalhes, algo que nem eu sabia sobre mim mesma”, admite.

Carla reitera que um ponto essencial para se sentir realizada em sua profissão é a alegria no ambiente de trabalho. “A escola é uma extensão da minha família, aqui encontro a alegria que eu tinha dentro da minha própria casa. A gente consegue fazer bem o nosso trabalho quando nos sentimos bem acolhidos na escola. Penso que nascemos professores, somos psicólogos, amigos e sabemos quando há um problema. Sempre tentamos ajudar, pela facilidade em ver quem precisa de um apoio”, enaltece.

Silvia Dinah Reiter Camilotti também trilhou em sua vida o caminho do magistério. Professora de Língua Portuguesa no Centro Educacional Nossa Senhora de Fátima, ela iniciou sua trajetória como educadora em 1996, em Blumenau, na Escola Nilo Borghesi.

 

Para Silvia, a adaptação às novas rotinas tem sido um desafio e um aprendizado constante  |  Foto: Arquivo Pessoal


 

Mas antes de ser professora, Silvia trabalhou por seis anos em uma empresa e foi somente a partir da experiência na faculdade de Letras Português/Inglês que se interessou, de fato, em dar aula. “Quando criança, eu brincava de dar aula em casa e o ser professora foi algo que veio com o tempo, a partir de cada experiência”, conta.

Após a primeira experiência profissional como educadora, Silvia passou pela Escola Prudente de Morais, em 1997, Escola Francisco Lanser (1998), e em 1999 começou como ACT, na antiga Escola Testo Central Alto (atual EEBM Profª Noemi Vieira de Campos Schroeder), além de uma experiência com a educação de jovens e adultos.

Em 2002, após prestar concurso público na rede estadual de educação, voltou à Escola Testo Central Alto, como professora efetiva e manteve-se como professora na educação para jovens e adultos até 2008, quando nasceu a segunda filha. Ela apenas deixou a Escola TCA quando a instituição foi municipalizada.

Em 2014, Silvia começou a trabalhar no Centro Educacional Nossa Senhora de Fátima e hoje trabalha somente nesta instituição, dedicando-se ao ensino de Língua Portuguesa aos alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Com as restrições impostas pela pandemia, o CE Nossa Senhora de Fátima também adotou o ensino remoto como alternativa para seguir com as aulas. Algo que, para Silvia, também foi muito desafiador.

 

No início foi muito desafiador, porque eu pensava muito no que fazer, de que forma fazer. Nós, professores, somos, em maioria, formados para o ensino presencial e não para o EAD, então é um desafio, de como dar conta de tudo e conseguir transmitir os conteúdos aos alunos.

 

“No início foi muito desafiador, porque eu pensava muito no que fazer, de que forma fazer. Nós, professores, somos, em maioria, formados para o ensino presencial e não para o EAD, então é um desafio, de como dar conta de tudo e conseguir transmitir os conteúdos aos alunos”, comenta.

Porém, com o tempo, a professora de Língua Portuguesa se aperfeiçoou na forma de ensino remota e, hoje, afirma se sentir mais tranquila com a modalidade.

“A manutenção da rotina, no nosso caso, foi importante e o número de ferramentas que a escola disponibiliza, também contribuiu muito, pois tínhamos praticamente tudo nas mãos, além do fato de que todos os alunos têm acesso. Precisamos sempre pensar em formas diferentes de manter os alunos interessados nas aulas, empolga-los quando a moral cai um pouco. Tem sido um desafio, mas um grande aprendizado”, finaliza.



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