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Nos sinais do corpo, a descoberta e a superação do câncer de mama

Mulheres que enfrentaram o câncer de mama revelam como pequenos sinais de seus corpos foram cruciais para o diagnóstico e, portando a superação da doença

26 de outubro de 2024

Foto: Isadora Brehmer / JP

Prevenção e autocuidado. Estas são duas palavras repetidas com frequência durante o Outubro Rosa, pois precisam se transformar em rotina para as mulheres. Foi graças a estas duas práticas que duas mulheres moradoras de Pomerode descobriram o câncer de mama e puderam tratá-lo, para continuarem suas vidas com alegria e aproveitando cada momento.

Ivonea Bahr participa de diversas atividades na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode e descobriu o câncer de mama em outubro de 2021, há três anos, graças à atenção aos sinais do próprio corpo.

“Eu trabalhava muito ainda naquela época, na marcenaria que eu e minha família gerenciamos. No dia em que eu senti algo diferente, lembro que foi um dia de trabalho pesado, foi um dia de instalação e cheguei em casa me sentindo bem cansada. Depois de tomar um banho, me deitei na cama para assistir televisão e ao passar a mão no peito, senti que havia algo acima do seio esquerdo. Fui para frente do espelho e vi que havia uma pequena elevação, parecida com uma picada de inseto”, relembra.

Ivonea pediu ao marido que olhasse e chegaram a cogitar que poderia ser um nervo, devido ao trabalho pesado do dia. No entanto, a moradora de Pomerode admite que não dormiu bem naquela noite, incomodada com o fato, embora não pensasse na possibilidade de ser um câncer de mama.

Na manhã seguinte, Ivonea decidiu ir ao posto de saúde, em dúvida devido ao sinal que apareceu acima do seio esquerdo. Na unidade de saúde, conversou com a médica e mostrou à médica o que havia aparecido e, após ser examinada, Ivonea recebeu a notícia de que poderia ser câncer de mama.

“No mesmo dia eu fiz a mamografia e, mais tarde, também o ultrassom. Nestes exames apareceu um nódulo no seio esquerdo e uma das enfermeiras recomendou que eu procurasse o doutor Paulo Pizzolatti. Marquei uma consulta com ele, para nove e meia da noite daquela noite, e nesta consulta já fiz a biópsia. Uma semana depois eu recebi o resultado de que realmente estava com câncer de mama”, conta.

Em novembro daquele ano, Ivonea já passou por uma consulta com um mastologista e também pela cirurgia de retirada da mama, chamada de Mastectomia. “Eu tinha muita pressa para resolver tudo, para conseguir retirar a mama e, portanto, a doença. Pois, quando eu recebi a confirmação de que tinha câncer, eu perdi o chão, não passou nada na minha cabeça e me senti perdida, derramando pela única vez algumas lágrimas. Naquela noite, eu e meu marido rezamos juntos em casa, confiando em Deus o meu futuro”, afirma.

Hoje, a moradora de Pomerode segue realizando bloqueio hormonal como tratamento, que devo realizar por pelo menos cinco anos. Em janeiro do ano que vem Ivonea completará três anos de tratamento pós-mastectomia. “A mama que foi retirada, depois da cirurgia, foi levada para São Paulo, onde fizeram uma imunoestuquímica, cujo resultado levou 15 dias para voltar, e dizia que não havia mais nada do câncer e que não tinha mais nenhuma metástase, por isso não precisei passar pela quimioterapia”, explica.

Ivonea Bahr. (Foto: Isadora Brehmer/ JP)

 

Ivonea comenta, ainda, que estava tranquila no dia da cirurgia, pois levava consigo o alívio de poder tirar de vez o câncer de mama. Inclusive, no dia seguinte ao procedimento, o médico já me recomendou fazer uma caminhada perto da minha casa. Ela enaltece, ainda, o quanto foi importante ter dado atenção ao sinal de seu corpo. “Sempre digo para não subestimarem nenhuma mancha e nenhum sinal. Eu digo que no meu caso foi Deus”, ressalta.

Iracy Lourdes da Cruz Santana também passou pela experiência de enfrentar o câncer e hoje é voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Ela revela que sempre se considerou uma pessoa muito saudável, tendo trabalhado por 27 anos no Banco Central do Brasil, em São Paulo, e neste período nunca tirou um dia de licença saúde. Mesmo assim, precisou enfrentar a luta do câncer.

“Eu sempre fiz os meus exames regularmente, os meus preventivos, até que um dia senti algumas pontadas na mama direita, então logo pensei que estava na hora de fazer novamente o meu exame preventivo. Fui fazer este exame, em 2016, mas nunca pensei que poderia ter alguma doença. Consultei um mastologista, que não encontrou nada no exame do toque, mas solicitou a mamografia. Neste exame, a profissional que o realizou logo me informou que deveríamos fazer também um ultrassom e ali me dei conta de que havia algo”, recorda Iracy.

Mesmo com este pensamento, a voluntária continuou pensando que não seria nada sério ou então algo benigno, mas foi surpreendida com o diagnóstico do câncer. Iracy foi encaminhada para um cirurgião, que realizou a biópsia.
“Eu não morava mais na capital São Paulo e sim em Paulínia, uma cidade menor, mas precisei ir à capital resolver outro assunto e, como estava no período de o resultado da biópsia já estar pronto, decidi passar no consultório e pegá-lo. Sempre fui o tipo de pessoa que logo queria saber qual era o resultado, mas naquele dia não o abri no consultório, e sim depois na estação de metrô. E este momento não foi fácil, foi um verdadeiro choque. Imediatamente liguei para minha prima, que é como uma irmã e ela me consolou neste primeiro momento”.

Em casa, já em Paulínia, Iracy contou à família sobre o diagnóstico e logo depois começou a pensar nos próximos passos. A voluntária procurou o hospital AC Camargo, onde conseguiu uma consulta para a semana seguinte com um mastologista e a primeira solução seria uma cirurgia. Inicialmente, segundo o médico seria necessário tirar apenas um quadrante da mama.

Iracy Lourdes da Cruz Santana. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

 

“No entanto, como houve o acompanhamento do procedimento, perceberam que o câncer se deslocou, então seria necessário tirar a mama por completo. 15 dias depois, voltei ao hospital para retirar a mama por completo e minha preocupação maior era como seria o depois, em relação ao tratamento. Tive um câncer bem agressivo e em função disso, precisei passar pela quimioterapia vermelha. Embora sempre tivesse o pensamento de que eu iria superar aquilo, o tratamento foi realmente bem agressivo”, revela a aposentada.

Iracy passou por quatro sessões da quimioterapia vermelha e, na terceira semana, começou a ter a perda de cabelo. Para ela, passar pela quimioterapia foi o mais complicado, mas reforça que sempre teve auxílio e acompanhamento da prima, que ficou na casa de Iracy, assim como do restante da família, e de amigos que moravam no mesmo condomínio.

Após a quimioterapia vermelha, foi descoberta uma metástase do câncer no pulmão, que provocou a necessidade da quimioterapia branca, menos agressiva que a vermelha, mas ainda assim trazendo consequências, como a queda de cabelo novamente.

“Sempre acreditei que poderia dar certo e, quando minha prima perguntou o que mais poderia ser feito, ele informou que o principal eram as preces, naquele momento. Mas nunca deixei de pensar que um dia estaria curada”, garante.
Ao ser consultada por um outro médico, ainda, Iracy recebeu a indicação para um outro tratamento, que na época era novidade e destinado a nódulos localizados, de até quatro milímetros. A aposentada passou por quatro aplicações deste tratamento em janeiro de 2019 e o médico explicou que haveria o enrijecimento do local e que ficaria uma cicatriz.

“O médico chegou a comentar comigo que a medicina considerava o meu caso um milagre. Então eu acho, também, que passar pela experiência do câncer me fez mudar a minha forma de ver a vida. A vida é desafio e superação, e a forma como você consegue superar, se transforma em uma bênção para você, bem como uma oportunidade para você melhorar. Foi isso que me fez também procurar a Rede Feminina de Pomerode, a fim de ajudar outras mulheres”, enaltece.

Ivonea ressalta, ainda, que um de seus principais aprendizados foi a necessidade de valorização da vida. “Estamos vivas, estamos em tratamento, mas continuamos em frente, aproveitando cada momento, cada oportunidade, cada encontro”.

“Por isso o trabalho em relação à prevenção, para que a pessoa esteja atenta ao sinais que o corpo pode apresentar, mesmo que sejam os mais sutis, uma mancha, mudança na colocação, na textura. O corpo nos dá sinais, por isso é preciso prestar atenção e dar a devida atenção a eles”, frisa Iracy.

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