VÍDEO: no cuidado com as ovelhas, a manutenção de uma tradição familiar
Albert Sabin mantém a propriedade herdada dos imigrantes e segue com a tradição da criação de ovelhas no local
As ovelhas hoje tem boa parte da dedicação diária de Albert e da família. (Foto: Isadora Brehmer/ JP)
Manter viva a história da família e também uma atividade tradicional são dois dos objetivos de Albert Sabin, morador de Pomerode, que mantém a casa da família, localizada na Rua Progresso, na Rota do Enxaimel, bem como segue com a tradição da criação de ovelhas no local.
Segundo Albert, a criação destes animais na propriedade da chamada Casa Sabin, existe há quase 30 anos no local e seu contato mais próximo com a tarefa é feito há cerca de seis anos. “Assumi a criação quando pai faleceu, pois alguém precisava cuidar do local, ou o rebanho precisaria ser encerrado. Como sempre tive gosto pelos animais, em especial as ovelhas, decidi dar sequência a esta tradição, que também fez parte da minha infância”, conta.
Pelo fato de não ainda residir na propriedade com sua família, Albert afirma que todos os dias se desloca até lá a fim de cuidar do local e da criação de ovelhas.
“A propriedade demanda pelo menos oito horas de trabalho diariamente, tanto em função do manejo e dos cuidados com os animais, assim como manutenção e organização dos espaços, pomar e pastagens. Inclusive, acabei saindo de outro trabalho que eu tinha, pois a rotina ficou pesada e eu realmente queria me dedicar a este local”, afirma.
Albert comenta que são cerca de 45 ovelhas criadas na propriedade e todos os dias elas precisam de cuidados como alimentação e verificação das condições. Junto de seu fiel escudeiro, o cão Bingo, Albert dedica várias horas do seu dia ao cuidado com elas, mantendo a tradição familiar de quase 30 anos.
Tamanha dedicação tem motivações específicas. Uma delas é oferecer aos filhos, Karl Hermann Sabin, de cinco anos, e Sebastian Francisco Sabin, de nove, a chance de vivenciarem experiências no meio rural, especialmente com o cuidado com os animais.

Os filhos, Karl e Sebastian, também vivenciam as experiências rurais. (Foto: Arquivo pessoal)
“As ovelhas são bons animais para isso, por serem mais tranquilas e terem um manejo mais facilitado. Eu acredito que a propriedade rural tem ensinamentos bem interessantes, como a questão da responsabilidade, pois os animis precisam que você cuide, que tenha rotinas com eles, além do contato com os bichos desde filhotes. Os animais retribuem esse amor que temos por eles, é um conjunto de situações, que nos faz nos apaixonarmos por isso e continuarmos a manter a atividade e a propriedade. Até porque a casa e o terreno são heranças dos antepassados, que merecem ser mantidas”, declara Albert.
O morador de Pomerode também afirma que é um desejo muito forte manter a propriedade, como forma de honrar a herança dos antepassados, passada de geração em geração.
“O principal sentido de manter a propriedade é porque ela é algo que, para nós representa muito, pois é uma das poucas propriedades que seguem originalmente na família desde o imigrante que se instalou aqui. Ela foi passada como herança, de geração em geração. É claro que, havia a segmentação para os filhos, divisão de heranças, mas ainda temos uma boa parte da propriedade comprada por antepassados permanece intacta. Desta forma, conseguimos contar a nossa história. Somos a sexta geração a estar aqui. Quem comprou o local foi o imigrante Friedrich Schade, e depois a propriedade da família Schade tornou-se propriedade da Família Sabin, pois a minha Bisavó, Bertha, casou com meu Bisavó Emilio Sabin, e assim a história continuou”, relembra.
Boa parte da primeira infância de Albert foi passada na Casa Sabin, onde morou até os seus sete anos de idade. Por este motivo, o vínculo sempre foi muito forte. Além disso, o local passou a ter um significado ainda mais especial, após um período turbulento.
“Meu pai e minha mãe faleceram em um período de menos de um ano. Meu pai morreu em 2017, e a mãe em 2018, os dois em novembro e a propriedade ajudou um pouco a preencher o vazio que havia se criado. No início, o trabalho aqui era para ser um extra, mas percebemos que a Rota do Enxaimel estava crescendo, e somado aos fatos de que gostamos disso, de que faz sentido para os meus filhos, e que há possibilidade de tornar isso uma fonte de renda suficiente, decidimos manter o local e investir”, frisa.

Foto: Isadora Brehmer / JP
A história da Casa Sabin
Segundo a Associação Rota do Enxaimel, a Casa Sabin esconde uma curiosidade: ela é, na verdade, a metade de uma casa enxaimel maior e possui tombamento municipal.
A casa original foi construída por volta de 1915 por Hermann Schade, e herdada pelo seu genro Emílio Sabin, patriarca da família Sabin. A casa ficava originalmente a cerca de 40 metros do local atual.
Na década de 1950, quando o filho Arno Sabin se casou, Emílio desmontou metade da sua casa e cedeu-a para que o filho tivesse residência com sua família recém-formada. Essa metade foi montada onde está hoje, e abrigou duas gerações da família Sabin. As casas em enxaimel, por serem montadas com encaixes, podem ser desmanchadas e remontadas em outro local.
Na década de 1980 a casa passou por uma reforma, e foram agregados cozinha, banheiro, lavação e garagem, e foi toda rebocada, para que ficasse mais bonita, na opinião dos proprietários. Mas a estrutura em enxaimel permanece intacta sob o reboco.
O pai Emílio continuou residindo na outra metade, no local original, mas infelizmente aquela edificação não existe mais. Atualmente, é mantida por Albert Sabin e sua família, sexta geração a estar no local.

