Motoristas de aplicativo gastam mais de R$ 5 mil por mês e enfrentam jornadas maiores, aponta TST
Estudo revela altos custos operacionais, menor autonomia e alerta para a precarização do trabalho nas plataformas digitais
Foto: Roverna Rosa/Agência Brasil
Os motoristas de aplicativos no Brasil têm despesas mensais que ultrapassam R$ 5 mil para exercer a atividade. A constatação faz parte de um levantamento do Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que também aponta sinais de precarização no trabalho mediado por plataformas digitais.
Segundo o estudo, os profissionais que utilizam carro próprio gastam, em média, R$ 5.566 por mês. Já aqueles que trabalham com veículos alugados têm despesas que chegam a R$ 5.706. Os valores incluem combustível, manutenção, depreciação do veículo, seguros, tributos, internet móvel, multas e alimentação.

Foto: Divulgação / TST
Os cálculos foram feitos com base em um motorista que trabalha 22 dias por mês, oito horas por dia, em ambiente urbano. Atualmente, mais de 1,7 milhão de pessoas atuam por meio de plataformas e aplicativos de serviços no Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2024.
Além dos altos custos, o relatório destaca jornadas mais extensas. Enquanto trabalhadores do setor privado cumprem, em média, 39,3 horas semanais, os trabalhadores plataformizados chegam a 44,8 horas por semana.
A pesquisa também aponta limitações na autonomia dos motoristas. Segundo a PNAD Contínua de 2024, 91,2% deles não têm influência sobre o valor das corridas e 76,7% não podem escolher os clientes que irão atender. Para os pesquisadores, isso evidencia o controle exercido pelas plataformas por meio de algoritmos e sistemas de premiação e punição.
Outro alerta do estudo é o risco de endividamento desses trabalhadores. A modalidade de crédito criada pela Lei do Consignado (Lei 15.179/2025) permite empréstimos oferecidos pelas próprias plataformas em parceria com fintechs, com parcelas descontadas diretamente dos ganhos das corridas e que podem comprometer até 30% da remuneração.
Para o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, o trabalho em plataformas digitais é marcado por jornadas extenuantes, baixa remuneração e ausência de proteção trabalhista, cenário que reforça a necessidade de ampliar a discussão sobre direitos e condições de trabalho no setor.
Em junho, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou a Convenção Internacional 193, que prevê a garantia de direitos fundamentais e condições de trabalho decente para trabalhadores de plataformas digitais em todo o mundo.
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho