Médico que atende em Pomerode representa o Brasil no Mundial de Judô de Veteranos
Raphael Lahr disputa competição em Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, entre os dias 20 e 24 de setembro
Foto: Arquivo pessoal
Entre consultas, compromissos profissionais, família e uma rotina intensa de treinamentos, o médico Raphael Lahr se prepara para mais um dos grandes desafios de sua trajetória no judô. O atleta, que atende como urologista em Pomerode, vai representar o Brasil no Campeonato Mundial de Judô de Veteranos, que será realizado entre os dias 20 e 24 de setembro, em Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina.
Esta será a terceira participação de Lahr em um Campeonato Mundial de Veteranos. Aos 40 anos, ele compete na classe M3, na categoria até 90 quilos, destinada a judocas entre 40 e 44 anos.
A presença em mais uma edição do Mundial é, para ele, motivo de satisfação e orgulho, especialmente por poder vestir novamente o quimono e defender as cores do Brasil em uma competição que reúne atletas de diferentes países.
“É uma enorme satisfação ter novamente a oportunidade de estar presente em um evento dessa dimensão, representando o Brasil”, destaca.
Terceiro Mundial
A experiência internacional de Raphael Lahr na categoria de veteranos começou em 2024, quando disputou o Mundial realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na ocasião, terminou na sétima colocação.
No ano seguinte, o desafio foi ainda maior. Em 2025, o judoca viajou até Paris, na França, para disputar novamente o Mundial e conseguiu avançar mais uma posição, conquistando o quinto lugar entre 60 competidores de sua categoria.
Os resultados, segundo ele, foram importantes não apenas pela colocação obtida, mas principalmente pelo aprendizado adquirido ao enfrentar atletas experientes de diferentes partes do mundo.
“Foram experiências muito importantes, que me trouxeram aprendizado e também aumentaram minha motivação para continuar treinando e evoluindo”, afirma.

Foto: Arquivo pessoal
Agora, em Sarajevo, a meta é subir novamente na classificação e, desta vez, conquistar uma medalha. A expectativa é grande. Depois de chegar ao sétimo lugar em Las Vegas e ao quinto em Paris, Lahr pretende transformar a evolução apresentada nas duas últimas participações em uma conquista ainda maior.
“O objetivo agora é conquistar uma medalha e, se possível, trazer essa medalha para o nosso país. É muito gratificante e motivo de muito orgulho poder defender a bandeira do Brasil em mais um Campeonato Mundial”, ressalta.
Além da medalha
Embora a busca pelo pódio seja um objetivo claro, Raphael Lahr enxerga a participação no Mundial de uma maneira que vai além do resultado obtido no tatame.
Para ele, principalmente quando se trata do judô na categoria de veteranos, permanecer ativo, estabelecer objetivos e continuar buscando evolução são conquistas tão importantes quanto uma medalha.
“Uma medalha é, sem dúvida, a consagração de um trabalho realizado durante anos. Mas, principalmente na categoria de veteranos, acredito que muito mais importante do que simplesmente ganhar uma medalha é continuar participando, ter vontade de competir, buscar superar seus limites e manter a atividade física como parte da vida”, explica.
A filosofia adotada pelo atleta também se relaciona diretamente com sua profissão. Como médico, Lahr procura transmitir aos pacientes a importância de hábitos que contribuam para uma vida mais saudável e para um envelhecimento com qualidade.
Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e bons hábitos fazem parte dessa construção, que, segundo ele, não deve começar apenas quando a idade avançar.
“Isso está diretamente relacionado àquilo que também procuro transmitir aos meus pacientes: cuidar da alimentação, praticar atividade física, cuidar do sono e dos hábitos de vida para que possamos construir um envelhecimento saudável”, afirma.
Preparação exige disciplina
Chegar a uma competição de nível mundial aos 40 anos exige muito mais do que algumas semanas de preparação. Para Raphael, um dos maiores desafios está justamente em conciliar as diferentes áreas da vida.
“A preparação está sendo bastante intensa. Nesta fase da vida, existe um grande desafio de conciliar família, trabalho e atividade física”, conta.
O judô continua sendo sua principal atividade esportiva. Como complemento, ele também pratica jiu-jitsu, modalidade que contribui para o desenvolvimento de diferentes aspectos físicos e técnicos importantes para a preparação.
Mas os treinos são apenas uma parte do processo. Segundo ele, alimentação, descanso e recuperação também fazem parte da preparação. A capacidade de manter uma rotina disciplinada ao longo do tempo pode ser tão determinante quanto o próprio treinamento.
“Depois de tantos anos praticando judô, aprendi que preparação não acontece apenas dentro do tatame. Ela também está na rotina, na alimentação, no descanso, na recuperação e na capacidade de manter a disciplina ao longo do tempo”, destaca.
O adversário também está dentro de si
Quando questionado sobre o principal desafio que encontrará em Sarajevo, Raphael não aponta um adversário específico ou mesmo a experiência dos competidores que estarão do outro lado do tatame. Para ele, a principal batalha será contra si mesmo.
A ideia representa uma filosofia que o judoca leva para além da competição. Vencer os próprios medos, reconhecer limitações e desafiar aquilo que muitas vezes parece impossível são, para ele, partes fundamentais da jornada esportiva.
“É claro que vou enfrentar atletas muito preparados e experientes, mas a minha principal batalha será conseguir superar as minhas próprias limitações e fazer, naquele momento, o melhor que eu sou capaz de fazer. Se eu conseguir sair do tatame sabendo que dei o meu máximo, independentemente do resultado, já terei alcançado uma grande vitória”, afirma.
Um esporte que acompanha a vida
A relação de Raphael Lahr com o judô ultrapassa os resultados, as medalhas e as competições. Ao longo dos anos, a modalidade se tornou parte de sua vida e também uma fonte de ensinamentos que ele carrega para diferentes áreas.
“O judô faz parte da minha vida há muitos anos e me ensinou valores que vão muito além do esporte: disciplina, respeito, perseverança, resiliência e a capacidade de continuar tentando mesmo quando as coisas não acontecem como esperamos”, conta.

Foto: Arquivo pessoal
É justamente por isso que disputar um Mundial na categoria de veteranos tem um significado especial. A competição simboliza a possibilidade de continuar estabelecendo metas mesmo com o passar dos anos, mantendo o cuidado com o corpo e a mente e buscando novas conquistas em diferentes fases da vida.
Para Lahr, essa mensagem pode ser especialmente importante para quem acredita que a preocupação com a saúde e a atividade física deve começar somente depois de determinada idade.
“Não precisamos esperar envelhecer para começar a cuidar da nossa saúde. Precisamos construir esse envelhecimento saudável todos os dias”, defende.
O caminho até Sarajevo
A possibilidade de conquistar uma medalha mundial seria, naturalmente, uma grande realização. Mas, para o judoca, o significado da viagem à Bósnia e Herzegovina está também em tudo o que foi necessário para chegar até lá.
Cada treino, cada momento de dificuldade, cada escolha pela continuidade e cada esforço para conciliar a vida profissional, pessoal e esportiva fazem parte dessa conquista.
“A medalha seria uma grande realização, sem dúvida. Mas, para mim, a verdadeira conquista está em todo o caminho percorrido até chegar a Sarajevo: cada treino, cada dificuldade superada, cada vez que escolhi continuar”, resume.